Para os locais, esta incrível ilha a sul da Índia sempre teve o nome de Lanka, mas os Romanos chamaram-lhe de Trapobana, os comerciantes muçulmanos de Serendib (Ilha das joias em Árabe) e os Portugueses, os primeiros europeus a lá chegar, distorceram Sinhala-dvipa (Ilha dos Sinhaleses) para Ceilão. 150 anos depois foram colonizados pelos Holandeses que traduziram o nome para Ceylan e outra centena e meia de anos depois foi a vez dos Ingleses invadirem a ilha e remodelarem o nome para Ceylon. Só nos anos 70, com a criação de uma nova constituição, é que o país decidiu recuperar o nome original Lanka acrescentando-lhe o Sri, um título de respeito.

A história dos nomes da ilha conta-nos um pouco da sua História recente mas o que realmente nos entusiasmou foi a sua História mais antiga – acredita-se que ali tenha existido há 32 mil anos, uma civilização com tecnologia e dimensão superior à dos Egípcios! E que destes ainda existem descendentes, embora num reduzidíssimo número, os Veddahs (Pessoas da floresta ou Espíritos da Natureza), caçadores-coletores que vivem em total harmonia com a natureza, deslumbrante, rica em florestas tropicais e reservas naturais, com uma biodiversidade endémica que muito poucos países conseguirão destronar.

 

E é também aqui que mora um dos seres vivos mais antigos do planeta! Há cerca de 2000 anos os Indianos trouxeram o Budismo e um ramo da Bodhi Tree, aquela que protegeu Budda no momento da Iluminação. Plantaram-na num sítio especial e hoje ela é a Sri Maha Bodhi, um tesouro nacional, uma árvore com mais de 2000 anos, rodeada de templos-relíquias da mesma época! Não, não tivemos tempo de ir sentir este magnifico ser. Ficava a 6 horas de comboio e nós já tão atrasados na época ideal para subir o Mar Vermelho. Contentamo-nos em visitar outros locais interessantes mais perto de onde estávamos atracados, no Porto de Galle, na Região Sul.

 

 

Contam que Galle deve o nome a um galo que cantou aquando da chegada dos Portugueses a esta baía. Que construíram um Forte, que mais tarde foi destruído e reconstruído pelos Holandeses. Hoje, o Galle Fort é um dos oito locais da ilha reconhecidos como património mundial da Humanidade pela UNESCO. Oito! Numa ilha com o tamanho da Irlanda mas com o quádruplo da população 😉

O Forte de Galle é uma charmosa cidadela colonial com pitorescas ruelas, restaurantes, lojas, casas e igrejas antigas recuperadas, onde ao fim da tarde os namorados vão ver o pôr-do-sol, os turistas passeiam pelas muralhas, uns locais jogam cricket – o desporto nacional – e outros dão mergulhos espetaculares para o mar em troca de moedas. É a zona turística da cidade, mas não está sobrelotada, está cuidada e convidativa. Gostamos muito!

Também fomos ao Udawalawe National Park, uma reserva com cerca de 500 elefantes, búfalos de água, crocodilos e muitos outros animais selvagens no sítio onde devem estar, no seu habitat natural. Quisemos ir de autocarro público, pois para além de ser mais barato seria uma experiência sociológica e cultural! Tinha a informação de que às sete da manhã havia um autocarro direto que demorava cerca de duas horas a chegar à vila mais próxima do parque. Quando chegámos o dito autocarro tinha partido às 6:30 e sugeriram-nos apanhar um outro que ficava a meio do caminho mas que a partir de lá seria fácil arranjar ligação. Resultado – tivemos de apanhar quatro autocarros repletos de gente, música e côr e cinco horas depois lá chegamos! Do ponto de vista social foi muito interessante, do ponto de vista das costas e das crianças, foi uma experiência a evitar!… Para ajudar ao bom humor da descendência, quando chegamos chovia torrencialmente e nos snack-bares locais só vendiam comida local e picante!! O que nos fez recuperar os sorrisos foram mesmo os enormes jipes para fazermos um safari pelo Udawalawe National Park – E foi espectacular!!!

Outro acontecimento interessante foi termos apanhado o Ano Novo dos Sinhaleses, etnia predominante no Sri Lanka. Este ano, o ano começou a 14 de abril, o que nem sempre acontece já que se gerem por um calendário astrológico que tem pequenas variações de ano para ano. E tal como na nossa tradição, nos últimos dias do ano, tudo é agitação, compras, trânsito e no 1º dia do ano não se vê vivalma na rua – o que foi excelente para passear de bicicleta! O comércio e os serviços fecham e todos recolhem ao ambiente familiar. E não compreendemos bem se seria tradição da época convidar alguém de fora nestes dias, ou se este povo é realmente de uma hospitalidade incrível, a verdade é que fomos convidados para jantar pelas 3 únicas pessoas que conhecíamos, Ekka, o condutor de tuk-tuk, Mr. Chatura, o agente que contratamos para nos tratar das formalidades de entrada no país (Tango Shipping Agency) e Herath, segurança do porto onde estávamos atracados! Em dias diferentes, levamos sobremesas portuguesas e confraternizamos com as suas queridas famílias, que fizeram questão que trouxéssemos para o barco as suas sobremesas tradicionais. E para quem está há tanto tempo longe do aconchego do lar, nem imaginam o bem que isto sabe!

Ekka

Equipa da Tango Shipping Agency

Famílias acolhedoras e culturalmente tão diferentes de nós. Das três famílias que nos convidaram, só numa é que um dos elementos da família se sentou à mesa connosco, Mr. Chatura. A restante família comeu na cozinha e só depois da refeição é que nos juntamos todos numa outra sala para o convívio. Com as outras duas famílias, apesar de insistirmos para que nos sentássemos todos juntos, não conseguimos que tal acontecesse. Basicamente serviram-nos satisfeitos e nós aceitamos ser servidos de modo a respeitar o que parecia ser a tradição local. Uma tradição estranha, uma tradição do outro lado do mundo, onde o sim se manifesta meneando lateralmente a cabeça e o não, com um outro abanar de cabeça difícil de imitar!

 

E viajar é isto tudo, partilhar tradições, descobrir outras formas de estar, ver passeios estragados pelo mau tempo, andar à procura de pássaros que assobiam como pessoas, comprar o que há e não o que se quer, desesperar e aceitar regras que não se compreendem, ficar com vontade de ver mais, sonhar com o regresso a casa e  no fim, agradecer a oportunidade e pedir a todos os Deuses que esta viagem continue a correr bem!

“In the sea we are all brothers!” foi o que nos disse o Capitão do navio da Marinha Paquistanesa quando os quatro de mãos juntas agradecíamos a ajuda que nos prestaram. Depois de 16 dias de calmarias alternadas com ventos e correntes de frente tínhamos gasto quase toda a tonelada de gasóleo com que carregamos o Benyleo para fazermos a delicada travessia do Sri Lanka para Eritreia. E a dois terços do percurso, justamente entre a Somália e o Iémen, estávamos a ficar sem combustível…  Impossibilitados de ir a terra, contactamos via VHF um navio que teve a iniciativa de comunicar a nossa situação à Marinha Francesa e através do telefone por satélite informamos o UKMTO (entidade inglesa que monitoriza a zona) da nossa necessidade. Foi organizado um encontro no dia seguinte e pelas 15 horas um navio de guerra aproximou-se lentamente. Era o ALAMGIR que generosamente nos passou a mangueira de abastecimento de gasóleo. Ainda perguntaram se precisávamos de mais alguma coisa, ao que o Armindo respondeu “farinha” e eu “água” quase ao mesmo tempo. Não que estivéssemos com poucos víveres, mas a farinha já era pouca e numa casa portuguesa, mesmo que flutuante, não pode faltar o pão! Assim, além dos 500 litros de gasóleo, enviaram-nos 20 kg de farinha, 30 litros de água engarrafada e 4 saquinhos com ofertas que nos arrebataram de vez o coração! 😊 Ainda cheios de cortisol a correr nas veias devido ao stress da operação, estávamos de repente a abrir embrulhos, qual Natal em pleno mês de maio!! Ofereceram-nos bonés, canecas, pins, chocolates, sumos e bolachas. Quanta gentileza e sensibilidade revelaram estes senhores do mar. Vimos por detrás das metralhadoras e dos canhões homens organizados, sorridentes e com orgulho do que estavam a fazer. E para nós, mais um episódio que jamais esqueceremos. Sim, Capitão, que ao menos no mar sejamos todos irmãos!!

A travessia do Golfo de Áden foi sem dúvida a travessia mais pensada, estudada e preparada de toda esta viagem de circum-navegação por vários motivos:

– Por ser uma longa travessia, cerca de 2500 milhas, que para um veleiro com uma velocidade média de 4 nós implica vinte e tal dias de mar;

-Por ser uma zona geográfica onde os ventos e as correntes poderão ser desfavoráveis;

-Por toda a zona do Golfo de Áden, na entrada sul do Mar Vermelho, ser considerada uma zona de risco de pirataria;

-E por sabermos que de fevereiro a abril (época de subir o Mar Vermelho) de 2018 tinha sido reportado um barco desaparecido, um veleiro seguido durante quatro horas por barcos suspeitos que se retiraram quando apareceram os navios de guerra que patrulhavam a zona, e 30 veleiros tinham passado sem quaisquer complicações.

Perante este cenário ponderamos muito sobre o caminho a seguir. As outras opções eram igualmente difíceis:

-Pôr o nosso Benyleo num navio que o levasse para o Mediterrâneo. Esta opção além de muito cara (cerca de 30 mil euros) poderia demorar vários meses a concretizar-se;

-Pagar a um skipper que levasse o barco para o Mediterrâneo. Além de também ser caro, o Armindo sentia dificuldade em confiar a nossa atual casa, com os problemas que tem, a outra pessoa. Também pensamos na possibilidade do Armindo ir com o skipper e eu e as crianças de avião, mas será que arranjaríamos quem aceitasse tal serviço no final da época favorável? E para quando?

-Ir por África do Sul fora da época favorável. Arriscar-nos-íamos a condições meteorológicas adversas e inviabilizaríamos o finalizar desta viagem juntos, já que a minha licença sem vencimento termina em setembro de 2018 e dentro desse período nunca conseguiríamos chegar no Benyleo aos Açores;

-Levar o barco para os Emirados, vende-lo e voltar de avião para casa.

Com certeza que poderiam ser imaginadas mais opções, mas estas foram as que ponderamos. Ouvimos também opiniões de velejadores confiantes e de outros que nos aconselharam a não o fazer. Ouvimos histórias de pirataria moderna e relatos favoráveis num grupo secreto do Facebook sobre o tema. Recebemos discursos de encorajamento de familiares e amigos e escolhemos continuar. Tivemos o apoio informativo da Marinha Portuguesa, que nos contactou de iniciativa própria e nos orientou para nos registrarmos no UKMTO e no MSCHOA, organizações que monitorizam a área e ás quais fomos sempre reportando o evoluir da travessia.

E depois de 21 dias de muito mar cintilante chegamos a Eritreia, aliviados e cheios de vontades terrenas!!!


“In the sea we are all brothers!” was what the Captain of the Pakistani Navy ship told us when the four of us, together, thanked for their help. After 16 days of calms and winds and currents in the nose we had spent almost all the ton of diesel with which we loaded the Benyleo to make the delicate crossing of Sri Lanka to Eritrea. And on two-thirds of the way, just between Somalia and Yemen, we were running out of fuel … Impossible to go ashore, we contacted via VHF a ship that had the initiative to communicate our situation to the French Navy and through the telephone by satellite we also inform the UKMTO (English entity that monitors the zone) of our need. A meeting was organized on the following day, and by 3 o’clock a warship approached slowly. It was ALAMGIR who generously handed us the gas supply hose. They even asked if we needed anything else, to which Armindo replied “flour” and I “water” almost at the same time. Not that we had few supplies, but the flour was too few, and in a Portuguese house, even in a floating one, bread can not be lacking! So, in addition to the 500 liters of diesel, they sent us 20 kg of flour, 30 liters of bottled water and 4 sachets with offers that took our heart for good! 😊 Still full of cortisol running in the veins due to the stress of the operation, we were suddenly opening packages, like Christmas in the middle of May !! They offered us caps, mugs, pins, chocolates, juices and wafers. How much gentleness and sensitivity have these sea lords revealed. We saw behind the machine guns and cannons organized men, smiling and proud of what they were doing. And for us, one more episode we will never forget. Yes, Captain, at least at sea we are all brothers !!

The crossing of the Gulf of Aden was undoubtedly the most thoughtful, studied and prepared crossing of this whole voyage of circum-navigation for several reasons:
– Because it is a long crossing, about 2500 miles, for a sailboat with an average speed of 4 knots implies twenty days of sea;
-By being a geographical area where winds and currents could be unfavorable;
– Because the Gulf of Aden area, at the southern entrance to the Red Sea, it is considered an area of high ​​risk of piracy;
-Also from February to April (best time to sail up  the Red Sea) of 2018 a missing boat had been reported, a sailboat followed for four hours by suspicious boats that withdrew when the warships appeared, and 30 sailboats had passed without any complications.

Given this scenario we ponder a lot on the way forward. The other options were equally difficult:
-Put our Benyleo on a ship that would take him to the Mediterranean. This option, besides being very expensive (about 30 thousand euros), could take several months to materialize;
-Pay a skipper to take the boat to the Mediterranean. As well as being expensive, Armindo found it difficult to trust our home, with the problems that she has, to other person. We also thought about the possibility of  Armindo going with the skipper and I and the children by plane, but would we arrange who would accept such service at the end of the favorable season? And when?
-Going through South Africa outside the favorable season. We would risk adverse weather conditions and would make it impossible to end this trip all together, since i have to go back to work in September 2018 and within this period we could never reach with Benyleo to the Azores;
-Take the boat to the Emirates, sell it, and fly home.
Surely more options could be imagined, but these were the ones we pondered. We also hear opinions from confident sailors and others who have advised us not to do so. We have heard stories of modern piracy and favorable reports from a secret Facebook group on the subject. We received speeches of encouragement from family and friends and chose to continue. We had the informative support of the Portuguese Navy, who contacted us on their own initiative and guided us to register at UKMTO and MSCHOA, organizations that monitor the area and to which we have always been reporting the evolution of the crossing.
And after 21 days of very shimmering sea we arrived in Eritrea, relieved and full of earthly wills !!!

 

Depois de já meio planeta navegado encaramos uma travessia de 1000 milhas com um misto de resignação e de atração. Se por um lado ter de permanecer num pequeno espaço, isolados de tudo e de todos, rodeados por um horizonte azul ininterrupto nos priva de tanto, por outro lado oferece-nos algo cada vez mais raro e especial – o tempo!

Navegar em mar alto dá-nos o tempo para apreciar a paisagem, que longe de ser monótona, se revela relaxante e surpreendente, seja com a visita de enérgicos golfinhos, com o deslumbrante plâncton que se ilumina à nossa passagem deixando o mar mais estrelado do que o céu, com um arco-íris ou com incríveis nasceres e pores do sol que contemplamos com devoção. Tempo para a euforia, quando apanhamos um peixe, seja de que tamanho for, ou quando ouvimos uma música que não tocava há muito tempo. Tempo para o desanimo, quando o vento desaparece ou não sopra de onde precisávamos. Tempo para o desespero, quando surge mais uma avaria neste nosso Benyleo já maior de idade… Tempo para estarmos sozinhos ou unidos como em nenhum outro lugar!

Seja por tudo isto e pela incrível capacidade de adaptação do ser humano já nos sentimos atraídos por estas longas travessias. Os turnos já deixaram de ser aquele exercício penoso e cansativo para se tornarem oportunidades de conexão connosco e com o mundo. A rotina e a previsibilidade do dia a dia, por serem passageiras, são relaxantes e reestabelecedoras de energia. E não sendo uma “vida de sonho” é uma parte que faz parte e à qual estamos cada vez mais acostumados.

Ainda assim, avistar terra é motivo de festa e a ansiedade surge calorosa aquando da aproximação. A curiosidade desperta e ouvimos a promessa de novas surpresas e fascinações! Desta vez somos presenteados com o Sri Lanka, antigo Ceilão – para mim mais místico e exótico não há!! Veremos 😉

Algo a que já nos habituamos quando visitamos um novo país, ilha ou cidade é a zarpar sem conhecer tudo. Não temos o tempo, o dinheiro ou a ambição para tal e por isso limito-me a partilhar neste diário de bordo as nossa experiências, tantas vezes fruto do acaso, e que longe de se constituírem um guia turístico podem ainda assim dar dicas e despoletar desejos de exploração!

The Big Buda em Phuket

Visitamos Phuket, uma enorme ilha sobrepopulada, cheia de lugares turísticos, um porto de fácil entrada (com os vários serviços de check in/out num só edifício) e no caminho da nossa rota. Um porto atraente para velejadores como nós que necessitam de fazer manutenções, contratar serviços técnicos e comprar peças e ferramentas raras na maior parte dos lugares. Uma ilha com o aeroporto por onde chegaram os 3 irmãos do Armindo que nos vieram visitar! Vieram proporcionar-nos uma reunião familiar, que tanta falta nos fazia. Além dos abraços, dos queijos e das queijadas trouxeram-nos a força e as vitaminas que por vezes também falham… E todos juntos, fomos no Benyleo, visitar praias desertas e turísticas.

 

Passeamos por Koh Phi Klan e ilhéus circundantes, as ilhas dos postais ilustrados e do pedragulho que virou o ex-líbris da Tailândia depois de um filme do James Bond! Jantamos em Rawai, uma zona costeira onde vive uma pequena comunidade de Ciganos do Mar, uma etnia própria que se distingue da restante Sociedade. São pescadores e vendem o seu peixe diretamente ao público no Rawai Sea Gipsys Market. Compramos-lhes peixe e marisco e levamos a um dos vários restaurantes da zona, que confecionam o pescado em troca de uma pequena taxa.

 

Rawai

Old Phuket

No interior de Phuket gostamos de visitar a parte antiga da cidade, a Old Phuket, onde o charme do século passado se revela nas cuidadas ruas e edifícios sino-portugueses – estrutura de construção portuguesa executada por chineses. Ali, todos os domingos ao fim da tarde a Thalang Road é fechada ao transito e transformada num pitoresco mercado nocturno repleto de iguarias tailandesas, frutas exóticas, cheiros asiáticos, música ao vivo, cor e gente de todo o mundo! Gostamos e consolamos-nos!!

Além da gastronomia, outro aspecto indissociável da cultura tailandesa, é a religião. Não se visita este fantástico país sem provar Thai Food nem sem visitar vários templos religiosos. Templos budistas, hindus, chineses e até cristãos, são coloridos, majestosos, energéticos e proporcionam bem-estar. Alguns impelem à reflexão, à meditação e ao agradecimento. E nós, temos muito para agradecer!!

Mais um mês que passou a correr! Entre explorações culturais, religiosas e gastronómicas, fomos fazendo as necessárias reparações/manutenções no Benyleo, compramos uma vela grande nova e reparamos as restantes a excelente preço e qualidade na Rolly Tasker Sails.

Fizemos amizade com a Mary e o Philip  e preparamo-nos para a etapa mais delicada de toda a viagem – o Golfo de Áden, na entrada do Mar Vermelho, mas antes ainda passamos por outra maravilha terrestre, o Sri Lanka!

Até lá😉

Quis a sorte, o destino ou o mero acaso que viéssemos para Belitung Timur, na Indonésia, procurar abrigo para reparamos a nossa casa nómada. Mais uma vez este lar flutuante necessitou de peças especificas e profissionais especializados e nós, atolados numa pequena ilha equatorial… com uma grande frota pesqueira, mas sem veleiros e motores de três cilindros, como o nosso…

O cenário era paradisíaco, mas o sentimento era de desolamento, descrença, frustração, tristeza… E tal como uma baleia que vem dar á praia, também nós atraímos uma multidão curiosa e amável que veio fotografar e oferecer ajuda. E nós aceitamos!… Apareceu-nos o Dedi, um polícia de 31 anos, que de sorriso aberto nos disse que nos ia ajudar e que tudo se ia resolver. E nós, quisemos acreditar!

O Dedi trocou os turnos no trabalho para a noite de forma a ter mais disponibilidade para nós durante o dia. Alugou um carro maior para nos levar e à sua família a jantar fora. Convidou-nos para tomar banho na sua casa. Levou-nos ao supermercado, à imigração, a roupa á lavandaria, as crianças a passear e por duas vezes à capital, que ficava a uma hora de carro dali. Chamou mecânicos e eletricistas. Trouxe-nos a preciosa água. E quando nos via esmorecidos dava-nos o ânimo com um sorridente “Keep on smiling!” e quando exaustos fraquejávamos, ele relembrava “Never give up!!”. Quanta generosidade e amizade recebemos do Dedi e da sua incrível família – jamais vos esqueceremos!

E as crianças, lindas e alegres, que vinham em jangadas de esferovite chamar a Beny e o Leonardo para brincar? Faziam a festa e ainda me perguntavam se eu queria ajuda. Faziam-me sorrir e isso já ajudava muitissimo!…

Gente linda, gente simples com orgulho da natureza intacta da sua ilha. Aproveitam-na, respeitam-na, conhecem-lhe o valor e, apesar de dizerem que a vida ali não e fácil, não querem viver noutro lugar. O Governo quer autorizar a exploração mineira na costa da ilha e eles, nem com a promessa de empregos lhes dizem que sim. Quanta sabedoria revelam, quanto bem-estar refletem!

Paramos em Belitung e agora agradecemos por isso, ali o inacreditável aconteceu, numa semana o barco ficou pronto. Uma semana dura, que nos fez mais fortes e ensinou o quanto é importante não desistir, não desesperar e sorrir sempre e sem medida. Deram-nos tanto e nós mal pudemos retribuir. Teremos com certeza oportunidade de orientar este tanto-de-bom para outros destinatários, deixando fluir a energia boa, praticando os valores que todos admiramos!

E tal como estas fotos apenas conseguem mostrar um pouco da beleza desta ilha, também as minhas palavras ficarão aquém na descrição da generosidade com que fomos recebidos e da gratidão que para sempre sentiremos pelas pessoas que conhecemos em Belitung!

 

Obrigada Dedi e família!

Obrigada Gunawan, Casimir, Igoen e companheiros!

Obrigada gente linda de Manggar!!

Depois de uma semana de mar agreste com nuvens negras, chuvas, ventos e correntes de frente, barcos de pescadores e muito lixo flutuante; depois de uma constante dança de põe vela e tira vela, caça cabos e muda de bordos, liga motores e desliga motores; depois de navegar um mar que mais se assemelhava a um terreno de guerra minado tal era a quantidade de bóias com cofres para evitar, necessitamos parar para abastecimentos. Escolhemos uma pequena baía em Kalimantan, ilha indonésia partilhada com Borneo, para sermos rápidos e de forma a evitar burocracias. Combinamos com os irmãos do Armindo no início de março na Tailândia e ainda temos muitas milhas até lá chegar. Tentamos ancorar, mas a ancora não pegou, o fundo lamacento não permitiu agarrar. Encostamos a um pequeno cais seguindo o convite e as sinalizações de dois curiosos locais que observavam as nossas manobras frustradas. A eles juntaram-se mais meia dúzia de alegres crianças vindas não sei de onde. E depois mais três senhoras que entre a vergonha e a curiosidade sacaram do telemóvel e começaram a tirar-nos fotos. Em pouco mais de cinco minutos o arraial estava montado e naquela enchente de gente o incrível denominador comum, era o telemóvel!!

 

Ninguém falava inglês, mas a comunicação foi fluida, mostramos os bidões de água vazios e pouco depois tínhamos 40 litros de água engarrafada a entrar no Benyleo, mostramos os jerricans de gasóleo cheios de ar e em breve ali estava uma senhora de carrinho de mão de madeira com o precioso líquido, negro e de qualidade suspeita, mas que perante a necessidade foi bem-recebido. Foram acolhedores, honestos nos preços e ainda nos ofereceram uma fruta, que nunca tínhamos visto, para experimentar. Agradecemos e cooperamos na incrível sessão fotográfica que se montou! Alguns mais arrojados subiram para o barco enquanto o Armindo foi procurar quem trocasse dólares por rupias. Ao quinto tive de impor o limite, com sorrisos, claro! Estávamos tão perplexos quanto eles com o que se estava a passar, a curiosidade e o espanto eram mútuos. O Armindo voltou com o dinheiro e fruta. Aproveitei para descer do barco, queria ir procurar vegetais e espreitar a localidade, mas não consegui passar a pequena multidão porque toda a gente queria fotos, “selfies” com a estranha, e deduzo que rara, loira que chegou de barco à vela. Foi até me doerem as bochechas de tanto sorrir! Voltei ao barco e insisti pouco depois, de câmara ao ombro e postura de quem-agora-vai-tirar-fotos-sou-eu, saí do Benyleo. E voltei a desistir!!… Por falta de assertividade e aceitação de que nós é que somos os estranhos, nós é que somos a novidade do dia, e a prioridade é deles!!

 

 

Que experiência!!! Surreal Kalimantan!! Ficarão para sempre no nosso coração <3

Indignada comentei com a Nini, portuguesa que vive há vários anos em Bali, que tinha de ir a Singapura só para renovar os nossos vistos, ela respondeu “Ah! vais fazer uma visatrip!”. Desconhecia o termo, muito familiar para quem quer prolongar a sua estadia em Bali. Quem entra de avião, vê o seu passaporte ser carimbado gratuitamente e fica contente. Concedem 30 dias de estadia, mas não informam que existe um outro tipo de visto, um visto que permite os mesmos 30 dias com o pequeno pormenor de ser extensível! Este segundo custa 35 dólares e é uma opção de quem entra –  ou de quem o sabe!! E raramente um estrangeiro o sabe!…. Enfim, fiquei furiosa mas seguindo as orientações dos serviços de imigração, no dia seguinte, meti-me num avião com as crianças e fui a Singapura. Mais uma vez retiramos o melhor da experiência e adorámos o pouco que vimos – Ficamos surpreendidos!! já que não somos fãs do turismo urbano. Pena foi a estadia ser tão curta! Sem dúvida que tentaremos lá voltar com o nosso Benyleo!! 😊

Gosto de perceber o nome dos sítios – Conta uma lenda malaia que um príncipe de Sumatra ao visitar esta ilha viu um animal que julgou ser um leão, dando-lhe por isso o nome de Singapura (Lion City). Mais tarde deram-lhe o nome de Temasek (Sea Town) e esta, devido á sua excelente localização rapidamente se tornou um importante posto comercial.

E da História – Em 1613 os portugueses chegaram e incendiaram totalmente a cidade! E enquanto ocuparam Malaca, Singapura não voltou a ter a importância de antes. Foi “gerida” por Holandeses, Ingleses, Chineses e Japoneses. Passou por conturbadas crises sociais e politicas e só em 1965 nasceu a Republica de Singapura como um estado autónomo. Passados apenas 10 anos era o 3º porto mais importante a nível mundial, a seguir a Roterdão e Nova York, e possuía a 3ª maior refinaria mundial. Em 2004 o aeroporto de Changi é consagrado o melhor aeroporto do mundo, ultrapassando os 30 milhões de passageiros regulares, o que revela muito acerca da importância deste pequeno país asiático!

Singapura, uma ilha em crescimento (literalmente, já que desde a independência conquistou ao mar 100Km2 e ainda planeia aumentar outros 100 no futuro!!…), é uma referência mundial, economicamente e tecnologicamente. Mas socialmente…. é só para os que podem trabalhar! Aqui não há direito à reforma – e sim, é desolador ver velhinhos curvados a recolher tabuleiros e a dar informações no metro… Educação? Dizem que têm das melhores do mundo, exigente e caríssima!!!

Mas a próspera Singapura pergunta-se o que é ser cingapuriano, tal é a miscelânea de culturas e religiões que a compõem. A cidade, que não é grande e tem uma China Town e uma Litle India, diz partilhar um conjunto de valores, os da subserviência à família e à autoridade, a disciplina, o trabalho árduo e o desejo de sucesso. E sim, este é um dos maiores choques Ocidente/Oriente. Quem decide quem é que está certo?!  Os Orientais acusam os ocidentais de disrupção e dificuldade em aceitar regras, os Ocidentais acusam os outros de falta de criatividade e pensamento lateral… Na minha humilde opinião, a Humanidade só tem a ganhar com estas diferenças 😉

 

Uma obra-prima do design urbano – Gardens by the Bay

Os maiores do Mundo –  têm a maior estufa do mundo, a maior cascata indoor do mundo, o maior aquário do mundo, a maior piscina do mundo, a maior roda gigante do mundo e a maior concentração de milionários do Mundo!!!! E eu que julgava que os portugueses tinham esta paranóia, até têm… mas aqui têm muito mais!!!

 

 

 

Até breve Singapura!!

 

Bali é uma ilha surpreendente e quanto mais a conhecemos, mais maravilhados ficamos!

Decidimos passar boa parte da temporada natalícia em Ubud, no interior da ilha. Embora também aqui seja inverno, o termómetro não baixa dos 26 graus e a diferença para o verão está na temperatura e na quantidade de chuva – chove quase diariamente, por pouco tempo. Aqui, somos nós os “nórdicos”, enquanto eles usam camisas de manga comprida e vestem casacos, nós queremos piscina!! Elas estranham e comentam que os meus filhos têm um sistema imunitário forte por ficarem tanto tempo na água com “aquele tempo”, mas para nós isto é verão e há que aproveitar a piscina 😉

Historicamente, está documentado em registos de folha de palmeira que a vila de Ubud, remonta ao séc. VIII, aquando da vinda de um homem Santo, indiano, Rsi Markandeya, que numa viagem espiritual chegou a Bali e nas redondezas desta vila encontrou águas e plantas especiais que o levaram a escolher este local para edificar templos e passar os ensinamentos do Hinduísmo.

Markandeya trouxe também o sistema de irrigação dos arrozais, ainda hoje usado e reconhecido como paisagem cultural e património mundial pela UNESCO. Um sistema de irrigação tradicional que é também uma manifestação da inspiradora filosofia Tri Hita Karana, uma das filosofias do Hinduísmo que se traduz em “Três maneiras de atingir o bem-estar físico e espiritual”. A essência desta doutrina passa por conseguir uma relação de harmonia em três vertentes: harmonia entre os seres humanos, dos seres humanos com o ambiente e destes com o Deus supremo.

Além da beleza, estes arrozais foram considerados património mundial por serem “um sistema democrático e igualitário de prática de cultivo criado pelos balineses a fim de tornar mais prolífico o cultivo de arroz no arquipélago desafiando a grande densidade populacional da região”, salientando-se a importância da preservação de uma técnica ecologicamente sustentável.

Séculos mais tarde, com a desintegração do grande reinado de Majapahit, assistiu-se ao êxodo massivo de nobres de Java para Bali, que aqui se estabeleceram e ergueram grandes palácios. Consigo trouxeram um legado artístico riquíssimo, sob a forma de dança, música, teatro, pintura, literatura, escultura, etc. É curioso que em balinês não existe uma palavra específica para arte ou artista, tal maneira esta forma de expressão está enraizada na cultura local, que preserva e sabe valorizar o seu património material e imaterial.

Em Ubud os espetáculos de dança e teatro são diários e a preços acessíveis (cerca de 7€/adulto e as crianças não pagam). Consolam-nos os olhos, os ouvidos e alma!! Nunca vi os nossos filhos tão atentos e tão interessados em repetir uma peça de teatro – nós adoramos especialmente a Legong Dance!!

 

  

Também gostamos muito do Sacred Monkey Forest Sanctuary, uma área florestal no coração de Ubud, igualmente conservada segundo o conceito Tri Hita Karana, e que proporciona a proteção de uma grande área verde, a preservação de três templos e o albergue de cerca de 600 macacos adaptados ao convívio com o Homem.

É uma sociedade fervorosamente hindu, com templos em todas as vilas, altares em cada esquina e oferendas aos Deuses em todas as portas!!  Templos, que são cuidadas obras de arte, abrem-se aos curiosos turistas e aos dedicados praticantes… 

Foi também em Ubud que começou o movimento artístico moderno de Bali, com a formação de cooperativas artísticas e a reunião de grandes coleções, expostas nos vários museus da vila. Uma vila invulgarmente recheada de artesãos que trabalham nas mais diversas áreas e temas e por isso este é o Local para quem aprecia Arte e Cultura. E é também o local onde dá vontade de perder a cabeça a abrir os cordões à bolsa! Além dos restaurantes, spas e resorts de bom gosto, as lojas, os mercados e as oficinas atraem e despertam a vontade de comprar!! Já há muito que contrariamos essa vontade por ideologia, mas em Ubud, com aqueles preços, custou-me, confesso!… Limitámo-nos a apreciar tais expressões humanas e só compramos dois gamelões, instrumentos musicais que nos fascinaram…

Focamo-nos em experienciar, fizemos um workshop de culinária balinesa, tomamos banho nas águas sagradas, visitámos templos e santuários com fartura. Os adultos escolheram a massagem balinesa e as crianças foram a um borboletário com mais de 200 espécies de borboletas vivas!!

 

  

A vista do bungalow que alugamos

O atencioso e muito sorridente staff do Dewangga Bungalow, onde ficamos!

Optámos por não comprar mais objetos, queremos reduzir o nosso consumo e sabemos que o planeta agradece 😉

Depois de um belo mês em terras lusitanas, onde além de saciarmos saudades crescemos mais um pouco, no dia 10 de dezembro voltamos ao aeroporto Francisco Sá Carneiro. O Ana já dava ares da sua graça, mas foi um atípico nevão em Amesterdão que fez atrasar cinco horas o nosso voo. Por causa disto, quando chegamos á terra das tulipas, o voo para Singapura já tinha partido… O aeroporto estava um caos e o manto branco fez a KLM cancelar todos os voos. O cenário era caótico, uma fila de 200 pessoas para obter qualquer informação da KLM, outra de 300 para reservar hotéis. Passageiros stressados e funcionários sem respostas… E porque felizmente as crianças nos “pedem” autocontrolo sentei-me em frente a um parque infantil vazio, para eles brincarem enquanto eu procurava a solução no google! Minutos depois, o funcionário de um hotel do aeroporto, que antes me tinha dito ter tudo lotado, veio ter comigo. Quis ajudar-me, esperava o cancelamento de uma reserva em breve e disse-me que esperasse ali mais um pouco. 15 minutos depois fui ter com ele, as ditas reservas não foram canceladas, mas ele fez-me uma reserva num hotel no centro de Amesterdão. Aliviada, já que corria entre os passageiros que Amesterdão estava “cheia”, agradeci-lhe pela sensibilidade e ajuda e ele ainda nos ofereceu duas garrafas de água, que custavam 3,50€ cada uma!

Decidi – Vamos dormir e amanhã tudo se resolve! Sem bagagem, dirigimo-nos para a saída, quando de repente entramos num salão com cerca de 400 pessoas para mostrarem a identificação e saírem do aeroporto… já passava da uma da manhã e eu tive um ataque de riso, incompreendido pelos meus filhos! À boa moda portuguesa fui conversando com os meus vizinhos de espera, com histórias parecidas á minha, sem a agravante das duas crianças… Um amável holandês ofereceu-se para procurar no seu telemóvel informação sobre a remarcação do meu voo, já que a net que eu tentava usar, a do aeroporto, não funcionava. O meu receio era que o nosso voo fosse de manhã cedo e nós o perdêssemos por falta de informação, e à possibilidade de o remarcar também!… Não descobriu, mas mais uma vez apreciei a gentileza e a pura vontade de ajudar. Depois da interminável fila, quase à saída do aeroporto vi três senhoras da KLM e fui tentar a minha sorte. E desta vez, ganhei!! Uma delas levou-nos para um dos balcões já encerrados da KLM e remarcou-me o voo para as 20:50 do dia seguinte 😊.

 

Contentes, com o problema resolvido e a possibilidade de desfrutar do nevão e da aliciante Amesterdão, fomos procurar um táxi. A senhora da KLM também nos informou que a companhia aérea se iria responsabilizar pelo transtorno pagando hotéis, transportes e refeições. E como todos procurávamos o mesmo, a fila para os táxis não era diferente das outras… E porque até num país civilizado como a Holanda há aproveitadores, haviam homens a oferecer serviço de transporte pelo triplo do preço… A mim pediram-me 80€ e com vontade de o insultar, disse simplesmente que NÃO!

O chão estava cheio de gelo e nós calçados e vestidos para ir para Bali!!… Não podíamos ficar uma hora ao frio… fui procurar um autocarro e bingo outra vez! 5 minutos depois estávamos num autocarro vazio e climatizado que por 7€ nos deixou aos três a dois minutos do hotel! Demos entrada e já só faltava jantar. A cozinha estava fechada, apontaram-nos o bar quase a encerrar. Pedi 3 copos de leite, já que não tinham nada para comer…  Copos que a simpática holandesa também nos ofereceu porque esta bebida não constava do cardápio!! 😉 Agradecemos e fomos dormir.

O hotel, de excelente aparência, era afinal um hostel, sem toalhas e com camas por fazer! Um mal menor. Era limpo, quentinho e basta! Ao lado tínhamos o Vondelpark todo branquinho! E apesar da nossa roupa e calçado não serem os adequados, no dia seguinte compramos barretes e fomos curtir a neve. A alegria de ver nevar a sério!! Fizemos um boneco de neve e divertimo-nos atirar bolas de neve para um lago quase gelado 😊. Voltamos para o hostel para secar as únicas roupas que tínhamos e o funcionário do hostel ofereceu lápis de cor e livros de atividades infantis á Benita e ao Leonardo, que ainda não os largaram!!

 

Ao fim do dia voltamos para o aeroporto coberto do dito branco fofo. Será que há voo hoje? Atrasou duas horas, mas houve 😊 e cerca de 13 horas depois aterramos em Bali, onde já era noite outra vez. Foram mais de 48 horas em viagem que nos mostraram, mais uma vez, como o mundo está cheio de gente boa! E que do cenário mais assustador se pode tirar tanto de bom😉

 

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Bali é um destino turístico e isso fez-nos recear a desilusão. Não gostamos de filas ao sol, do trânsito, do reggaeton na praia, do desprovimento cultural e da desindividualização do turismo de massas. A Indonésia apregoa-a como a ilha que melhor sabe receber visitantes – Suspeito!… Até agora os que melhor nos receberam foram os que raramente viram turistas!…

Chegamos num feriado religioso, as oferendas aos Deuses estavam por todo lado, nos altares para os Deuses bons, no chão para apaziguar os maus. Oferecem alimentos, água, incenso, dinheiro, flores, frutas, sumos e até pastilhas elásticas!!! Ao contrário do resto da Indonésia muçulmana, em Bali praticam o Hinduísmo, mas diferente do da Índia, o Hinduismo Balinês, e também têm um sistema de castas, mas sem os “intocáveis” e com a grande maioria da população pertencente à mesma casta.

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A nossa estadia foi curta, mas devido aos simpáticos preços dos voos, ali esperamos voltar 😊 Sim, recebem muito bem, tem praias  lindas, sugestivas montanhas que chegam aos 3000 metros, pores do sol fantásticos e uma biodiversidade marinha incrível. O Hinduísmo traz exotismo e o riquíssimo e tão interessante património cultural parece ser cuidadosamente preservado. Têm desportos de aventura e super-spas, locais de meditação e hostels baratos, Bali dá para todos! É pequena, pode dar-se a volta à ilha de carro num dia, mas é cheia, tem muito que ver, explorar, aprender, sentir!

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Gostamos muito e agradecemos a oportunidade de conhecer mais um lindo lugar 😊