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Bali é um destino turístico e isso fez-nos recear a desilusão. Não gostamos de filas ao sol, do trânsito, do reggaeton na praia, do desprovimento cultural e da desindividualização do turismo de massas. A Indonésia apregoa-a como a ilha que melhor sabe receber visitantes – Suspeito!… Até agora os que melhor nos receberam foram os que raramente viram turistas!…

Chegamos num feriado religioso, as oferendas aos Deuses estavam por todo lado, nos altares para os Deuses bons, no chão para apaziguar os maus. Oferecem alimentos, água, incenso, dinheiro, flores, frutas, sumos e até pastilhas elásticas!!! Ao contrário do resto da Indonésia muçulmana, em Bali praticam o Hinduísmo, mas diferente do da Índia, o Hinduismo Balinês, e também têm um sistema de castas, mas sem os “intocáveis” e com a grande maioria da população pertencente à mesma casta.

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A nossa estadia foi curta, mas devido aos simpáticos preços dos voos, ali esperamos voltar 😊 Sim, recebem muito bem, tem praias  lindas, sugestivas montanhas que chegam aos 3000 metros, pores do sol fantásticos e uma biodiversidade marinha incrível. O Hinduísmo traz exotismo e o riquíssimo e tão interessante património cultural parece ser cuidadosamente preservado. Têm desportos de aventura e super-spas, locais de meditação e hostels baratos, Bali dá para todos! É pequena, pode dar-se a volta à ilha de carro num dia, mas é cheia, tem muito que ver, explorar, aprender, sentir!

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Gostamos muito e agradecemos a oportunidade de conhecer mais lindo lugar 😊

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Saímos da Polinésia Francesa à pressa. Alterámos os planos de passar a época dos furacões na Austrália e propusemo-nos a navegar cerca de 5500 milhas náuticas em 40 dias. A época dos furacões começa em novembro e só acima da latitude 4 é que poderemos velejar seguros. Também decidimos que eu iria fazer uma pausa nestas saudades que me corroem e celebrar o 70º aniversário da minha mãe com ela, no Porto. Tivemos de deixar para trás muitas ilhas e paraísos por visitar, mas isso é algo com que lidamos desde o início desta viagem. Para nós, mais uma prova de fogo, tantas milhas de mar, tanto tempo sozinhos, os quatro entre o imenso azul de baixo e o imenso azul de cima…

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Foram cerca de 1200 milhas para a American Samoa, onde parámos 3 dias, abastecemos, descansámos, turismámos um pouco e seguimos para as Solomon Islands.  1600 milhas depois chegamos a San Cristobal Island, a um lugar perdido no tempo, uma calorosa aldeia indígena que para sempre nos fará sorrir ao recordá-la… Makira Harbour!  A seguir, 900 milhas de correntes cruzadas, nuvens negras, relâmpagos, chuva diária e ventos fortes e fracos levaram-nos à Papua Nova Guiné, à terra dos canibais! Parámos na capital, Port Moresby, 5 dias porque chegamos sábado e tivemos de aguardar que a embaixada da Indonésia abrisse na segunda-feira para pedirmos o visto de entrada na Indonésia, que só fica pronto no dia seguinte. Abastecemos, descansámos, comunicámos com o mundo, mas não nos esticámos na exploração do lugar. A cidade mostrou-se desorganizada, abrasadora, suja e indesejável… Com os extremos sociais lado a lado, uns a lutar pela segurança, os outros pela sobrevivência…  Desta vez, sem pena de partir, seguimos para a etapa seguinte, 1320 milhas até Dili, em Timor Leste. Esta travessia incluiu a passagem pelo temido Torres Strait, um estreito com pouca profundidade entre a Papua e a Austrália, com muitas ilhas, recifes, corais em pináculo e bancos de areia. Sem uma carta fiável, seria uma loucura! Não foi fácil, cruzámo-nos com muitos navios e apanhámos ventos fortes. O  Benyleo surpreendeu-nos com 13 nós de velocidade várias vezes. No fim, só se guarda o sabor do sucesso e o objetivo alcançado dá-nos ânimo. Depois do estreito mudamos de Oceano – e finalmente entramos no Índico! A cor do mar mudou, a meteorologia também, entramos em calmaria… 10 dias sem vento, mais de 3 centenas de litros de gasóleo e muito abuso dos frágeis motores para chegamos ao destino há muito sonhado – Timor! Infelizmente para uma curtíssima visita… agora faltam mais 600 milhas para chegarmos a Bali, mais uma ilha paraíso, onde os voos ficam por metade do preço e eu tenho de chegar antes do 14 de novembro 😊

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Festim de atuns!

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Vem aí chuva!!

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As nossas visitas mais frequentes e que nos enchem sempre de alegria!

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Até à próxima!!

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Fugimos ao roteiro e parámos em San Cristobal, nas Solomon Islands. Não sabíamos nada sobre a ilha e muito pouco sobre o arquipélago que dá nome a um mar – Solomon Sea. Fomos à procura de Internet, precisávamos comunicar que estamos bem depois de uma travessia de 10 dias. Parámos na Star Harbour, as cartas indicavam ser o porto com melhores condições. Bem sinalizado, abrigado e sarapintado por casitas de madeira com telhado de folhas e alguns olhinhos tímidos e curiosos à espreita. Não havia internet e a estrada para a capital, Kira Kira, tinha sido engolida pela vegetação exuberante…

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O vento de frente para Kira Kira levou-nos a procurar outra opção. Perguntámos a uns pescadores onde poderíamos encontrar internet. Makira Harbour, responderam hesitantes.  Avante é que é caminho e a esperança mora connosco! Paramos para descansar, uma noite de sono seguido, numa baía abrigada, tranquila, com tudo tão estranhamente estático que quase parecia termos parado no tempo. Uma noite de luar, onde não se via qualquer vestígio humano mas ouvia-se, risos de crianças, tantos e tão mágicos que não pareciam deste mundo… Ao amanhecer, no silêncio absoluto, zarpamos e umas horas depois chegamos ao lugar que ainda estamos a processar!

IMG_4864Foi incrível, nunca tivemos uma recepção assim e nunca mais voltaremos a ter!! Dezenas de crianças vieram de piroga ter connosco, algumas nuas e acanhadas deixaram a curiosidade falar mais alto. Encostaram-se ao Benyleo à espreita. Começou a chover torrencialmente e eles não abandonaram o posto. Riam, falavam entre eles e respondiam ao nosso “Hello!” com coragem. Vieram os adultos saber quem éramos, de onde éramos. Os veleiros aqui são raros, foi há um ano que parou o último e não era catamarã. Somos bem-vindos e outras dezenas de crianças e adultos esperam por nós, em pé, na margem, também querem ver e saber quem somos! Receberam-nos com colares de flores e uma simpatia genuína, do mais puro que há1

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IMG_4943Têm uma loja com quase nada. Vivem em palhotas com pequenos painéis solares, vão à escola, pescam e cultivam alguns legumes. Trocamos roupa, champôs, pulseiras, café, cadernos e lápis por feijão verde, beringelas, papaias, laranjas, bananas, batata doce e pomelos. Não havia internet, mas havia boa vontade e emprestaram-nos um telemóvel para ligarmos aos meus pais. Subimos a uma montanha para apanhar rede.

– Mãe, Pai! Estamos bem, desculpem acordar-vos, aqui não há internet, emprestaram-me um telefone. Avisem a família do Armindo! Volto a ligar quando chegarmos à Papua Nova Guiné. Adoro-vos!! Desculpem… Em breve estou aí!

É… a fatura é alta, desta vez nem deu para saber como estavam… Mas a experiência foi única, forte, quase surreal!! A Benita e Leonardo estiveram três horas naquele mar morno a brincar, a andar de piroga e a fazer amigos. As pessoas juntavam-se às dezenas para nos ver passar e quando parávamos, eles também paravam, queriam saber algo sobre nós ou simplesmente olhar. À noite, fomos ouvir Gospel, só os homens é que cantavam e muito mal. E os caminhos de terra, sem iluminação, continuavam cheios de crianças que nos levavam os filhos pela mão e ao colo. Afinal, já eram amigos!!

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Adeus,  incrível Makira Harbour!!

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IMG_4539A arqueologia revela que a Samoa é povoada há mais de 3000 anos, porém, aquando da guerra civil de 1880, os EUA, a Grã-Bretanha e a Alemanha competiram qual seria o poder internacional que ficaria a governar estas ilhas. Segundo reza a História, por decisão de chefes locais, as ilhas a Oeste ficaram sobre alçada da Alemanha, hoje conhecidas como Western Samoa e as ilhas mais Este passaram a chamar-se American Samoa, adivinhando-se facilmente quem ganhou a disputa.

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Foi nesta última que paramos uns dias, mais propriamente na ilha Tutuila, e foi revelador ver como a influência internacional, neste povo polinésio, se mostra ao primeiro olhar comparativo com a Polinésia Francesa. A raiz é a mesma, a terra é igual, mas têm sido “regadas” de maneiras tão diferentes, que o resultado é surpreendente… Uma população maioritariamente obesa, com carros enormes, supermercados com produtos XL, casas pré-fabricadas e o “à vontade” e simpatia americano contrastam com a limpeza, a estética e a organização da vizinha Polinésia Francesa. Mas que não se pense que aqui é a América, porque não é! A cultura polinésia consegue vingar – no uniforme do senhor da emigração, de saia e colar, nas senhoras de flor atrás da orelha, nos adolescentes que usam compridos “panôs” à volta das calças, tanto as raparigas como os rapazes, no mercado com cestos de folha de palmeira cheios de cocos e fruta-pão, no desporto, que também aqui, dá o primeiríssimo lugar das preferências à canoagem.

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“Graduation day!” Os finalistas são premiados com vários colares de chocolates, gomas e rebuçados!!

E só aqui vimos canoas tão grandes!! As várias vilas da ilha competem anualmente em canoas que levam 50 homens cada, imaginem, cerca de 20 canoas, remadas por enormes homens tatuados, milimetricamente regulados por gritos cheios de testosterona. Também não vimos esta competição, mas experimentamos um passeio numa destas canoas e conto-vos, andam a uma velocidade incrível e a energia que ali se sente, faz-nos ter coragem de ir para “guerra” naquilo!!

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Amontoada à volta da baía de Pago Pago, onde ancoramos, fica a Rainmaker Mountein, que faz desta bela localidade a baía mais chuvosa do mundo! E do seu sopé, uma enorme reserva natural, tal é a riqueza da sua flora e fauna – belos trilhos pedestres esperam quem tem tempo para explorar os  cerca de 1000 hectares do National Park of American Samoa. Mas como as nossas crianças são mais de praia, optamos por palmilhar a Alega Beach, umas das muitas praias de areia branca e mar azul turquesa, pejado de corais e peixinhos de encantar.

Muitas maravilhas ficaram por explorar, neste tão aliciante pedaço do mundo, mas aquela que mais me vai ficar no pensamento é o Fagatele Bay National Marine Sanctuary, saído da cratera de um vulcão, alberga mais de 200 espécies de coral e é o porto de abrigo de tartarugas, baleias de bossa e outros fantásticos. Quem sabe, noutro dia, vamos lá 😊

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Os autocarros locais são adaptações “caseiras” de carrinhas e pick-ups!

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Também aqui as danças polinésias estão presentes em todas as festividades e reuniões!

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DCIM100GOPROEscolhemos visitar Huahini, uma das 9 ilhas habitadas do arquipélago da Sociedade, na Polinésia Francesa, por indicação de várias pessoas que conhecemos em Moorea e no Tahiti. Disseram-nos que era a mais selvagem, menos explorada turisticamente e por isso a mais genuína do arquipélago 😊

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IMG_3971Apelidada de “Hermosa” por James Cook, o primeiro europeu a visitar Huahini, a ilha, que no fundo são duas ilhas, Huahini Nui e Huahini Iti, interligadas por uma pequena ponte, mostra-se idílica, como quase todas as ilhas da Polinésia – montanhas verdes e frondosas encaixadas em recifes de coral azul turquesa. Diferencia-se pela pacatez, pelo menor volume de turistas, pelos passeios relvados e ajardinados, pelas casas modestas. Perante este cenário, com poucos carros e uma boa estrada, decidimos dar uma volta de bicicleta em família. E demos a volta a Huahini Iti! Cerca de 25 Km, e os nossos valentes estivam à medida do desafio!

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Pelo caminho visitamos um Marae, local arqueológico, de caracter religioso e cerimonial onde dizem que os sacrifícios aconteciam… E apanhamos papaias, limões, bananas, pomelos e fruta-pão na berma da estrada – fruta de ninguém ou fruta para todos?!

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E vimos algo de muito diferente, frequentemente as casas albergam campas no jardim!  Disseram-nos que a ilha não tem cemitério público. E que, mesmo noutras ilhas que o têm, muitas famílias enterram os seus mortos no quintal para evitar pagar uma taxa anual…

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Sem dúvida, uma ilha anti-stress, uma ilha de vida simples.  Com certeza com os seus problemas sociais e de saúde, como em todo o lado, mas visivelmente com qualidade de vida, para quem cá mora e para quem a visita!!

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Maururu Huahini! (Obrigada Huahini!)

 

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P1360421 A ilha é rodeada por uma barreira de coral que a abraça e protege, pontualmente interrompida pelos “passes” naturais, que nos permitem entrar e ficar também resguardados. Aqui, por vezes, o vento pára de soprar, como se fechassem uma porta, a montanha reflecte-se linda na água e dentro da lagoa de coral, sentimos-nos como se estivéssemos num aquário de água morna, com plantas que parecem animais e animais que se confundem com as plantas. E com majestosas e esvoaçantes raias… e depois há aqueles peixes, quase exibicionistas, coloridos, sem medo, indiscretos, que nos confirmam quão criativa e incrível a vida é!

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Moorea, chamam-lhe a “irmã mais nova do Tahiti” e a expressão encaixa-lhe bem, a ilha inspira feminilidade e protecção. Paisagens capa de revista, dentro ou fora de água, que nos fazem acreditar no Photoshop – aqueles azuis turquesa existem mesmo😊 e deliciam-nos…

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É uma pequena ilha com 17 mil habitantes, a 12 milhas do Tahiti, a 1 hora de ferryboat, 30 minutos de catamarã, 7 minutos de táxi aéreo, porque a distância é sempre relativa. Há pouco tempo conheci um galego, que enquanto está neste paraíso pede aos amigos que não lhe telefonem, para se sentir mais longe de casa, e nós, a sentirmos-nos demasiado longe… Ele está a umas semanas de casa, nós a um ano!… mas a paisagem consola, as pessoas aquecem-nos o coração, a Natureza inspira e a curiosidade motiva 😊

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Gerard a agarrar a cauda de um tubarão!

Por aqui velejamos com outra família portuguesa, vivem num catamarã Lagoon como nós, o El Caracol e também partilham a sua odisseia no www.entretantoabordo.com. São cinco queridos que muito nos fizeram sorrir, pensar, crescer. Gostávamos de continuar a viajar juntos, numa caravana aquática, numa partilha, na descoberta deste nosso incrível planeta. Com eles quisemos desacelerar, desfrutar mais, mudámos de planos vezes sem conta mas no fim, o velho objectivo da  circum-navegação resistiu. Eles ficam e nós seguiremos para oeste com eles na cabeça e no coração. Obrigada Catarina, Jorge, Gonçalo, Lia e Becas, encontramos-nos nos Açores!!

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Surpreendemos-nos com o Tahiti, a maior ilha da Polinésia Francesa e a sua capital. Tínhamos lido que Papeete, a capital da ilha capital, era apenas um ponto de chegada e de passagem para o paraíso, que é este conjunto de cinco arquipélagos. E sem grande expectativa, fomos às compras e encontramos uma cosmopolita cidade, luminosa, organizada, ajardinada, com uma agradável marginal, que apela ao desporto e ao qual a população corresponde. Com o típico mercado central, ainda frequentado por locais, e murais incríveis de arte urbana, espalhados por ali perto, graças ao ONO’U.

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Mas o Tahiti é muito mais! – são as grandes montanhas verdes com incríveis trilhos pedestres, as cascatas abundantes, as grutas com lagoas subterrâneas, os sítios arqueológicos, museus e jardins, são as praias de areia preta e aquelas duas de areia branca, os recifes com uma das melhores ondas do mundo, os points de windsurf e kitesurf de topo!

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E tanto que havia para explorar e para curtir nesta ilha e nós com o tempo contado… para voltar para aquele que é o nosso paraíso, e que em nada fica atrás deste, os Açores!!

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atol vista aereaE quando estiverem no mar rodeados de terra por todos os lados, estão num atol!

Tuamotu é um dos 5 arquipélagos da Polinésia Francesa, constituído por 78 atóis, antigos vulcões que “atolaram” com o tempo… submergiram, restando apenas o rebordo da cratera coberto de coral, areia branca, coqueiros e algumas casas. No interior forma-se uma lagoa navegável, com os mais ricos e diversos tons de azul. Mais paradisíaco não há!…

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As pessoas, na maioria, morenas, de sorriso aberto e flor atrás da orelha, parecem tranquilas e felizes. Quase sempre apanhamos boleia com o primeiro carro que passa e não é por viajarmos com crianças, porque o mesmo acontece quando eu ou Armindo vamos sozinhos. Ontem, foi demais! Quase sem gasolina no dinghy (pequeno barco semi-rígido que usamos para ir a terra), voluntariei-me para ir à vila, a 8 km, comprar alguma. Fui de jerrican numa mão e carteira na outra. Três minutos depois de começar a andar vi um carro, estiquei o polegar e o Jean parou. Expliquei-lhe no meu francês-meio-inventado que estava à procura de uma bomba de gasolina.  Ele respondeu que só havia uma na vila mas como era sexta-feira à tarde, devia estar fechada. Percebi que me arranjava gasolina de outra maneira e fui com ele. Cinco minutos depois paramos no portão de uma casa modesta. Ele pegou no jerrican e entrou, deixando a porta aberta. Preferi ficar cá fora. Passado algum tempo, volta o Jean, sorridente e de jerrican cheio! Agradeci e quis pagar-lhe o dobro do preço da gasolina. Não aceitou por diversas vezes e ainda me levou de volta ao porto, onde estava o nosso sequioso dinghy. O que pensar disto? Foi sorte? É cultural?! No dia anterior, quando estava sentada no porto, de computador aberto, fui abordada por Remy, perguntou-me se estava a apanhar sinal de internet. Perante a minha resposta negativa, ofereceu-me uma cadeira no seu jardim e a passaword da sua rede para eu me comunicar com o mundo. Assim, sem eu pedir, sem aceitar nada em troca. Karma? Talvez aqui, as pessoas, afastadas da luta pela sobrevivência ou pela angariação de riqueza, vivam mais felizes. E pessoas felizes, fazem o bem. Isto não acontece só aqui felizmente, somos de um país onde basta afastarmo-nos das grandes cidades para coletar histórias destas. E isso é precioso!! 😊

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Neste fabuloso arquipélago, apenas paramos em Manihi e Rangiroa, soube a… degustação! Excelentes para o surf, windsurf, kitesurf, vela, mergulho, mindfullness, estiramento do corpito ao sol, consolação de vistas 😊 e aprender a viver de forma mais simples, tranquila e feliz!

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Confesso, gosto! 😉

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Duas pérolas Marquisianas, duas pequenas ilhas onde se inspira tranquilidade e harmonia. Já tinha ouvido dizer que para estes lados as pessoas viviam felizes e realmente assim nos pareceu 😀 Espantoso!!!

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Tahuata

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Ua Pou

Altamente civilizados, aqui não faz sentido fazer ações de L1180500preservação ambiental. Nestas ilhas, tínhamos nós muito para aprender! Não há lixo nas ruas, seguranças nos portões, casas degradadas, ruído, não se usam pesticidas. Existem muitas flores, sorrisos fáceis, frutas exóticas, montanhas misteriosas, cascatas energéticas, danças tribais, praias de várias cores, galinhas livres, atum com fartura, coqueiros, generosidade e cultura. Confesso, GOSTEI MUITO!

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E de repente, quando íamos partir para Nuku-Hiva, o Benyleo não obedeceu!

P1060377O Armindo não demorou muito a perceber que tínhamos perdido uma hélice. Lançamos novamente âncora ao mar. O vizinho do lado, Henrico, disse-nos que já tinha perdido duas naquele sítio e que nem mergulhadores de garrafas as tinham encontrado. O mar, que ali costuma ser acastanhado, devido ao ribeiro que desagua naquela baía, estava castanho escuro e cheio de madeira, pois no dia anterior tínhamos sido fustigados por chuvas torrenciais. Nem a tentamos procurar… No dia seguinte, aparece um Lagoon com duas hélices suplentes, vendeu-nos uma – SORTE! por não termos de esperar pela peça que teria de vir de longe.

Percebendo que haviam outras reparações a fazer, além da colocação da hélice, o capitão decidiu que o Benyleo iria a terra por 4 dias. Mas os barcos são filhos caprichosos, ficamos 11! P1060435Dias de muito trabalho, muito calor, com um mar cheio de tubarões e a terra apinhada de mosquitos!… A ilha, que na primeira semana se mostrou um sonho, nas três seguintes começou a revelar-se um martírio. O que nos ajudou a equilibrar esta balança foram os amigos, os de sempre, e os novos que se foram fazendo por aqui. No estaleiro, todos estão com problemas e a pagar bem para ali estar. No entanto, todos mostram ter tempo para os vizinhos, todos se querem conhecer e ajudar. E ver nascer novas amizades é ESPECIAL! 😊

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Os suecos de 20 anos que construíram um leme de raiz com a orientação do mestre Armindo!

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Kris e Sabrina. Ele é metade brasileiro, metade americano, ela é metade francesa e metade americana. Contam as suas histórias no www.greencoconutrun.com.

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Vania, o esloveno, sempre atento e rápido na ajuda, depois de 2 meses de reparações, partimos no mesmo dia!

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Da esq para a dta: Henrico, o italiano que está nesta baía em reparações há 6 meses, Armindo em reparações há 1 mês, Frank e Jonh, ambos ingleses. John está no estaleiro há meses à espera de peças.

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Conner e Dylan, os amigos australianos 🙂

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Danny, o americano que mora nesta baía há 3 anos. Pelas 16h gosta de uma bela conversa e partilhar uma cerveja.

Partimos em breve e vem-me à memória a partida de Portobello, onde também ficamos cerca de 1 mês a amizidificar, e quando zarpamos, os outros barcos despediram-se a apitar com fortes buzinas e acenar com sorrisos sinceros. Aquece-nos o coração!!!

Ainda há quem duvide que o melhor da vida são as pessoas?!