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E de repente, quando íamos partir para Nuku-Hiva, o Benyleo não obedeceu!

P1060377O Armindo não demorou muito a perceber que tínhamos perdido uma hélice. Lançamos novamente âncora ao mar. O vizinho do lado, Henrico, disse-nos que já tinha perdido duas naquele sítio e que nem mergulhadores de garrafas as tinham encontrado. O mar, que ali costuma ser acastanhado, devido ao ribeiro que desagua naquela baía, estava castanho escuro e cheio de madeira, pois no dia anterior tínhamos sido fustigados por chuvas torrenciais. Nem a tentamos procurar… No dia seguinte, aparece um Lagoon com duas hélices suplentes, vendeu-nos uma – SORTE! por não termos de esperar pela peça que teria de vir de longe.

Percebendo que haviam outras reparações a fazer, além da colocação da hélice, o capitão decidiu que o Benyleo iria a terra por 4 dias. Mas os barcos são filhos caprichosos, ficamos 11! P1060435Dias de muito trabalho, muito calor, com um mar cheio de tubarões e a terra apinhada de mosquitos!… A ilha, que na primeira semana se mostrou um sonho, nas três seguintes começou a revelar-se um martírio. O que nos ajudou a equilibrar esta balança foram os amigos, os de sempre, e os novos que se foram fazendo por aqui. No estaleiro, todos estão com problemas e a pagar bem para ali estar. No entanto, todos mostram ter tempo para os vizinhos, todos se querem conhecer e ajudar. E ver nascer novas amizades é ESPECIAL! 😊

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Os suecos de 20 anos que construíram um leme de raiz com a orientação do mestre Armindo!

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Kris e Sabrina. Ele é metade brasileiro, metade americano, ela é metade francesa e metade americana. Contam as suas histórias no www.greencoconutrun.com.

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Vania, o esloveno, sempre atento e rápido na ajuda, depois de 2 meses de reparações, partimos no mesmo dia!

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Da esq para a dta: Henrico, o italiano que está nesta baía em reparações há 6 meses, Armindo em reparações há 1 mês, Frank e Jonh, ambos ingleses. John está no estaleiro há meses à espera de peças.

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Conner e Dylan, os amigos australianos 🙂

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Danny, o americano que mora nesta baía há 3 anos. Pelas 16h gosta de uma bela conversa e partilhar uma cerveja.

Partimos em breve e vem-me à memória a partida de Portobello, onde também ficamos cerca de 1 mês a amizidificar, e quando zarpamos, os outros barcos despediram-se a apitar com fortes buzinas e acenar com sorrisos sinceros. Aquece-nos o coração!!!

Ainda há quem duvide que o melhor da vida são as pessoas?!

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Hiva-Oa, uma das 12 ilhas do arquipélago das Marquesas, um dos 5 arquipélagos que constituem a idílica Polinésia Francesa. Foi esta a ilha que elegemos para ancorar depois de cerca de 1 mês de muuuito mar. De origem vulcânica, areia preta, mil tons de verde e as 4 estações no mesmo dia, fez-nos lembrar S. Miguel, até no “capacete”!! Mas depois aproximamos-nos e as pessoas são diferentes, a cultura, as casas, as frutas, as flores, os cheiros, a comida…

 

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Um povo que os europeus não conseguiram escravizar, o berço dos tatuados guerreiros mahori e das índias de flores na cabeça de Gauguin. Ali, a Natureza é realmente generosa, com facilidade se apanham carambolas, pomelos (umas laranjas gigantes), romãs, fruta-pão e até galinhas, que andam vadias por toda a ilha para quem as quiser apanhar. E as gentes estão em consonância nessa generosidade, basta esticar o polegar para apanhar uma boleia, o nosso meio de transporte de eleição!

O resto, as fotos contam…

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E mais virá!

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Tripulação: Armindo, Joana, Benita, Leonardo e Gaston Gimbernat.

IMG_1559Partimos de Las Perlas (Panamá) rumo às Galápagos mas o vento de frente fez-nos mudar de rota. Aproximámo-nos de costa, onde os ventos sopravam mais fracos, e navegámos em direção ao Ecuador, país. Íamos tranquila e lentamente, quando o capitão atento avistou um tronco de árvore enorme a flutuar, daqueles que à noite podem provocar tragédias, mas que de dia, são chamados de “achados” pelos pescadores. Estes troncos geram um impressionante miniecossistema, cheio de vida! As nossas linhas começaram a dar sinal, as 3 ao mesmo tempo, agitação total, as aves alimentavam-se, os golfinhos saltavam e até um espadim vimos à procura do jantar. Demos três voltas ao “achado”, o suficiente para nos abastecermos para os dias seguintes e jantarmos um delicioso home made sushi 😉

Passados 3 dias a motor, sem vento, seguiram-se 2 de relâmpagos e chuva fraca. Chegamos a Esmeraldas, no Ecuador, e por VHF informaram-nos que não tinham Marina. Não conseguimos entrar no porto dos pescadores pois devido à maré vaza a entrada não tinha a profundidade necessária para o nosso barco. O mar não dava condições para ancorar ao largo. Felizmente, ofereceram-nos guarida no porto dos navios, junto a um rebocador, com gente simples e amistosa. Deram-nos água e lavaram-nos a roupa.P1060137 Mostramos-lhes de onde vínhamos e ficaram encantados, como todos a quem mostramos um livro sobre os Açores. No dia seguinte, o Armindo voltou-se para os costumeiros problemas do barco e eu e o Gaston fomos resolver as habituais e enfadonhas burocracias para se entrar num país. A emigração cobrou-nos 50 dólares por cabeça, na capitania queriam mais outro tanto – queixamo-nos!! O raro capitão Romero ligou à emigração a pedir o decreto que informa ser necessário pagar tal valor – não existia!… Devolveram-nos o dinheiro!!

3 dias depois, onde num deles o Armindo esteve a trabalhar cerca de 7 horas no topo do mastro, com barcos de pesca a provocar ondulações ameaçadoras, reabastecemos de frescos, gasóleo, e finalmente seguimos caminho. Desistimos das tão ambicionadas Galápagos, por ser necessário efetuar um pedido de entrada duas semanas antes, além dos valores exorbitantes que pediam para lá estar – cerca de 250 dólares/dia.

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Continuámos junto à costa onde os ventos eram menos desfavoráveis. Aproximamo-nos de Salinas, cidade grande, e pedimos apenas para abastecer de gasóleo, de modo a evitar todos os pagamentos e burocracias de entrada e de saída. Pedido negado, continuamos viagem, a noite caiu, e apercebemo-nos que estávamos rodeados de redes de pesca, sinalizadas por flashes brancos. O Armindo ficou à proa a dar orientações e eu a executar ao leme. De repente, um barco com 3 homens aproximou-se a grande velocidade, o Armindo gritou “Chama o Gaston!!” Assalto? Piratas?!! Eram pescadores preocupados com as redes. Escoltaram-nos até ao fim da sua rede e despedimo-nos, gratos. Fui-me deitar e o Armindo ficou de turno. Estava a dormir e possivelmente devido a um som diferente, sonhei que estávamos presos nas redes. Foi tão real que acordei assustada e vim cá fora a correr e a berrar “Armindo, as redes! Estamos presos!”. Olhamos para o mar e já estávamos… “Chama o Gaston, Joana!” gritou outra vez, desesperado. Facas, lanternas, mergulhos, stress, sufoco e preces ouvidas. Rasgamos a rede dos pobres pescadores e livramo-nos. Aliviados, voltamos a içar a vela e de olhos abertos e lanternas apontadas para o mar, seguimos receosos. Passado algum tempo, outra vez!!! Presos nas redes! Oh, não!… desta vez o barco dos pescadores estava ao lado. Não se mexeram… os pescadores deviam estar a dormir. O Armindo voltou de faca à água, que tinha alforrecas ou qualquer outro tipo de bicho urticante e safou-nos de um filme de meter medo. Prosseguimos, de lanternas apontar para o mar e stress na barriga. De manhã estávamos KO e os meninos, felizmente OK para um novo dia 😉

Afastámo-nos da costa e finalmente estávamos no ângulo certo para aproveitar os famosos e tão esperados tradewinds, responsáveis pelo nome deste oceano. Começamos uma nova fase da travessia, estávamos a cerca de 3500 milhas náuticas das Marquesas. Velejamos 6500 Km sem ver terra, 23 dias onde tudo se fez numa dança com o mar, ora mais descompassado, ora mais suave e ritmado, com alguns dias de ócio e outros de muito trabalho – tudo, em total autonomia, graças ao nosso já mui fatigado Benyleo 2.

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E tanto que navegamos, e apenas atravessamos uma pequena parte deste enorme oceano, que cobre duas vezes a área do Atlântico e que se estende por uma área maior do que toda a terra firme do planeta – 165 milhões de km quadrados… E tanto que ainda nos espera!

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Ficamos 10 dias na cidade com nome de país e quase nem a vimos!… A preparação da maior travessia desta viagem (Panamá – Marquesas) roubou-nos o tempo que gostaríamos de ter passado a conhecer a grande cidade. Não é que sejamos muito de cidades, mas que ela nos chamou, chamou!

P1060003À noite, quando íamos para o exterior do barco refrescar um pouco antes de ir dormir, olhávamos as luzes milcolores da cidade, autêntica árvore de natal a prometer surpresas. De dia, quando lá íamos resolver problemas, e nos aproximávamos da crua realidade, dominava a deceção… trânsito, poluição, desorganização, formigas trabalhadoras, gordas, por ignorância.
A cidade com certeza terá os seus atributos, mas infelizmente não os vimos. Já a ressacar Natureza, fomos com as crianças a um museu de ciências naturais. Nos aquários encontramos os peixes que temos visto no mar, mais tristes, menos vivos, ainda assim aliciantes.

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O ponto alto desta curta estadia foi a visita do nosso compadre, Nuno Simas, skipper, a preparar a 3ª volta ao mundo. Apareceu de surpresa, trouxe-nos alegria e aliviou-nos um pouco as saudades.  Aproveitamos para variar de paredes e fomos dormir ao barco onde ele trabalha, do outro lado do canal.

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Fomos de camioneta até Colon, uma cidade grande e feia, e infelizmente chocamos com uma das maiores maleitas da América latina, a corrupção. Dois polícias, dizendo que a zona era perigosa ofereceram-se para nos escoltar, agradecemos. Caminhávamos há 1 minuto, faltavam-nos menos de 100 metros para o objetivo e começaram a dizer que aquela distância de táxi custava 20 dólares – mentira, pois pelo dobro pagamos 1 dólar, na mesma cidade. Percebemos a mensagem, queriam dinheiro e abusavam da nossa ingenuidade /vulnerabilidade… Recusamos a “ajuda” e pouco tempo depois o Nuno apareceu. Foi leve, mas revelador da enfermidade que ali se vive!…

No final, o saldo é positivo. Estivemos bem, vamos bem preparados, agora com mais um painel solar e telefone de satélite 😊 Seguimos para Las Perlas!

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(Gaston, o novo membro da tripulação do Benyleo 2)

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Há algo de místico no canal do Panamá, o canal que separa as Américas e que une os dois maiores oceanos do Planeta, o Atlântico e o Pacífico. É uma obra com 104 anos, iniciada pelos franceses, concluída pelos Americanos. Não foi uma obra fácil, muitos morreram na sua construção, mas conseguiram e funciona todos os dias. Disseram-nos que parou 12 horas em 2012, não mais.

Este, não é um canal qualquer, requer informação, que o barco seja medido e inspecionado, 15 dias de espera para o podermos atravessar, no nosso caso, e 5 adultos a bordo durante a travessia, o capitão e mais 4 para segurem nos cabos.IMG_1416

Agradecemos aos novos amigos que fizemos em Portobello, a preciosa colaboração nesta importante etapa da viagem e a riqueza com que nos brindaram. Angie, de 7 anos, trouxe a alegria, Madu, dos Camarões, a simpatia e a tranquilidade africanas, Herman, um sonhador austríaco de 78 anos, que está a planear a construção do 5º barco feito pelas suas mãos, regalou-nos com a sua experiência e encantamento pela vida e pelas viagens. E por fim, Gaston, viajante argentino de 26 anos, que nos vai acompanhar na próxima travessia oceânica para as Marquesas, trouxe a leveza, sonho e boas vibrações.

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O dia foi longo, começou às cinco da manhã com a chegada de Mac, o advisor, piloto do canal que orienta toda a travessia.P1050941 Juntamo-nos a dois monocascos, um de cada lado e passamos por 3 eclusas que nos permitiram subir até ao lago Gatún, um lago artificial, 26 metros acima do nível do mar e que abastece de água doce todo o Panamá. Dizem que demorou 2 anos a encher, a partir do rio Chagras. Agora, é uma estrada tranquila vestida de reserva natural. E nós, com tanta água doce acessível, fizemos a festa – tomamos banho, lavamos roupa, lavamos o barco, sempre a uma velocidade média de 6 nós, sem parar.  Em tempo record, chegamos às 16h ao outro lado, Panamá City.

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Quando atravessamos a ponte das Américas, estamos oficialmente no Oceano Pacífico 😊

– Somos uma família açoriana, vimos em paz!

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Quando nos deparamos com uma espera de um mês para atravessar o canal do Panamá, escolhemos Portobello, uma pequena vila de vegetação frondosa e uma baía abrigada, para aguardar. Ao primeiro olhar não se percebe, com o tempo é que começamos a apreciar o potencial da bela localidade –  tem mar, tem praia, selva, rio e tem as pessoas, que nos estimulam e nos fazem sorrir!

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Encontramos um português, o Rui Dinis, “casado” há 7 anos com a Escuelita del Ritmo, uma escola de música / projeto social que visa favorecer a perceção e expressão artística das crianças e adolescentes de Portobello, utilizando a música como ferramenta de inclusão e mudança social – me encanta!!:) Disponibilizam aulas gratuitas de piano, baixo, guitarra, saxofone, trombone, clarinete, flauta transversal, trompete, percussão, violino, canto, dança contemporânea, dança Congo, dança Zaracundé, teatro, fabrico de instrumentos musicais, artes circenses, sala de estudo e de informática – adoro!! Inscrevi a nossa Benita, que rapidamente começou a fazer novas amizades.

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Conhecemos o Francesco, um antropólogo italiano que há 5 anos viu o potencial do lugar e abriu a Panamore, uma empresa de ecoturismo. Com preocupações ambientais, quis colaborar connosco numa ação de sensibilização ambiental dos Sailors for the Sea – Portugal. Trouxemos novidade para as crianças e para os professores, que sabem que Portobello pede para ser mais belo 😉

 

Confraternizamos com um casal alemão, que aqui parou por problemas no seu barco há 5 anos e que, entretanto, também ficaram, abriram a Casa Vela, um simpático bar/restaurante/sail repair, onde os cães e a descontração total imperam.

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Nesta baía, canhão-guardada desde 1600, ex-entreposto comercial de escravos, ouro e prata, património mundial desde 1980, uma das 5 comunidades no mundo que se inspira num Cristo negro, sentimos que se houvesse tempo, também nós podíamos ficar e fazer mais, por um mundo melhor.

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No canal, anteciparam-nos 15 dias a travessia e no final, 15 dias em Portobello, soube a pouco!…

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San Blaz, o arquipélago do postal ilustrado, 365 ilhas de coqueiros, areia branca e águas azuis turquesa. 36 são habitadas pelos Kuna Yala, um povo indígena com dialecto e leis próprias. As expectativas eram altas e foram totalmente superadas! 🙂

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P1050418Começamos pelas Islas Puyadas, onde fizemos amizade com uma família de Kunas. Vivem naquela ilha sem electricidade ou água doce. Depois de 3 jantares, alguma convivência e pescarias em parceria, Eric pediu ajuda ao Armindo para ir buscar água e vender cocos à ilha vizinha, mais habitada. A motor demoraram meia hora, habitualmente Eric rema 3 horas para lá chegar. Não vivem sempre ali, é temporário, disseram. As conversas são curtas, mas há corações abertos de ambos os lados. As crianças arranjaram novos amigos para brincar e isso aproxima-nos mais. A curiosidade também. Os pequeninos nunca tinham andado de bicicleta, o de 10 anos aprendeu num dia 😊

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A ilha era linda! E mar ainda mais, com uma fauna e uma flora do mais colorido e diversificado que já vimos. Mergulhamos todos os dias que ali estivemos, ao todo 9, sorvendo a oportunidade de contemplar tanta beleza aquática e tão acessível, entre o meio metro e os 5 metros de profundidade, mesmo debaixo da nossa casa flutuante.

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IMG_1087Mas tivemos de prosseguir viagem. Fomos de ilha em ilha. A maioria, quase impenetrável dada a densidade da vegetação, silenciosas, idílicas, rodeadas de coral e mosquitos. Fomos também a uma das outras, com electricidade e muitas casas porque precisávamos de telefonar e abastecer de frescos. Era feia, com a excepção de algumas lindas cabanas nativas em cana de bambu e telhado de folha de palmeira, a maioria das habitações era miserável, feitas de chapa e bambu, a vila repleta de obras inacabadas, fios de electricidade desorganizados, um parque infantil destruído e muito lixo espalhado pelo chão e pelo mar. Preferimos usar repelente.

IMG_1102Ali perto, mas já no continente panamenho, subimos um pouco do rio Diablo, e entramos num outro mundo, de águas verdes, aves exóticas e canoas com Kunas a remar devagar. Disseram-nos que tinha crocodilos mas só vimos macacos curiosos, devoradores de mangas.

 

 

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Foram 3 semanas simples e lindas, mas a falta da internet, de comunicar com a família e amigos, já apertava bastante. Viemos para Portobello, no continente, quase sem mantimentos, começar a tratar do processo para atravessar o canal do Panamá. Dizem-nos que está a demorar um mês, há muitos barcos para passar e estão com falta de pilotos!… Estamos na melhor época para atravessar o Pacífico, aguardamos.

 

 

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Chegamos a Cartagena das Índias num domingo. Tinham-nos dito que a entrada na Colômbia é um pouco complicada – não podemos pôr o pé em terra sem visto, nem para o ir comprar. É necessário pedir para entrar por rádio e esperar que um oficial venha a bordo, talvez por ser domingo não apareceu. No dia seguinte também não. Fomos a terra, ao Clube Náutico de Cartagena. Deram-nos o contacto de David Romero (arroyod511@gmail.com), agente marítimo, o nome inspirou confiança. Numa hora trouxe-nos os passaportes carimbados, free transit!

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Pegamos nas bicicletas e fomos para o centro histórico, emuralhado, do tempo dos piratas e corsários, quando esta importante alfândega era defendida com canhões. Lá dentro, lindas casas coloniais, com buganvílias de todas as cores a saltarem varandas. Nas ruas estreitas, o bater dos cascos dos cavalos que passeiam turistas, museus e monumentos cheios de História, intercalados por sedutoras lojas e restaurantes. É uma cidade turística mas não incomoda, percebe-se porquê – a cada esquina dá vontade de espreitar um pouco mais.  À noite, o calor mantém-se e há música e bailarinos nas praças, encanta! Temos crianças pequenas, recolhemos contrariados…

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Conhecemos uns espanhóis, de viagem pela América latina, à procura de veleiro para irem para San Blaz, não têm muito tempo, nós sim. Encontraram facilmente outra boleia. Falaram-nos do Vulcão de Lama de Totumo, ficamos curiosos e lá fomos numa excursão turística, pela primeira vez nesta viagem. Vendem que a lama tem propriedades de rejuvenescimento, mas os locais estão gastos pelo tempo e pela pobreza. Impressionou-nos o pequeno espaço da piscina de lama (4mx4m) e a quantidade de gente “em transformação”. A sensação é realmente nova, não se tem pé mas fica-se sempre à tona, tal é a densidade da lama, quente. Comecei a pensar quão favorável deverá ser aquele ambiente à “micro-vida” e nas centenas de pessoas que ali se banham diariamente. Saí um minuto depois de entrar, a correr para um lago, igualmente duvidoso, tomar banho. Ser turista é ás vezes meter o pé na poça, neste caso, foi literal!…

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Ao longo da margem do Clube Náutico estende-se o Passeio del Mango, perfeito para um jogging de fim de tarde e as crianças podem escolher entre 4 parques infantis existentes ali perto. Escolhemos ficar uma semana a viver nesta cidade de gente afável e de conversa fácil, onde o regatear faz parte e vale a pena😉

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A cerca de duas horas de barco chegamos às Islas del Rosário, um arquipélago com mais de 30 ilhotas, com águas transparentes e muitos corais para ver. A tranquilidade de volta. Os pássaros são mais serenos aqui, e nós também!

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Chegamos a esta capital do windsurf com 25 nós de vento – Aruba a prometer!

Localizada no sul das Caraíbas, perto da Venezuela, esta ilha independente faz parte do famoso arquipélago conhecido pelas ABC Islands, juntamente com Bonaire e Coraçao.

Uma ilha altamente voltada para o turismo e que sabe receber. No mar, ancorados perto de costa, impressionou-nos o frenesim da “oferta aquática” do amanhecer ao pôr-do-sol. Surf, windsurf, kitesurf, parasaling, kneeboard, canoagem, motas de águas, lanchas que levam mergulhadores, catamarãs de todos os tamanhos e para todos os fins, não faltava nada!! Até um submarino, para quem não se quer molhar poder ver o fundo do mar!

Ali vivemos poucos dias mas deu para lhe tomar o gosto e apreciar😉

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Mayreau, mais uma pérola neste lindo colar que são as Grenadines. Pequena ilha de 5 Km2, com uma única estrada principal.  Ancoramos em Saltwhistle Bay, uma das mais lindas baías onde já estivemos e um dos melhores lugares para o kitesurf das Caraíbas.

Mesmo ao lado está o Tobago Cays Marine Park, uma organização de conservação de um idílico ecossistema composto por 5 ilhotas. Infelizmente não fomos lá. Por falta de tempo e por questões meteorológicas. Será que voltamos?… Vou desejar que sim 🙂

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