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DCIM100GOPROEscolhemos visitar Huahini, uma das 9 ilhas habitadas do arquipélago da Sociedade, na Polinésia Francesa, por indicação de várias pessoas que conhecemos em Moorea e no Tahiti. Disseram-nos que era a mais selvagem, menos explorada turisticamente e por isso a mais genuína do arquipélago 😊

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IMG_3971Apelidada de “Hermosa” por James Cook, o primeiro europeu a visitar Huahini, a ilha, que no fundo são duas ilhas, Huahini Nui e Huahini Iti, interligadas por uma pequena ponte, mostra-se idílica, como quase todas as ilhas da Polinésia – montanhas verdes e frondosas encaixadas em recifes de coral azul turquesa. Diferencia-se pela pacatez, pelo menor volume de turistas, pelos passeios relvados e ajardinados, pelas casas modestas. Perante este cenário, com poucos carros e uma boa estrada, decidimos dar uma volta de bicicleta em família. E demos a volta a Huahini Iti! Cerca de 25 Km, e os nossos valentes estivam à medida do desafio!

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Pelo caminho visitamos um Marae, local arqueológico, de caracter religioso e cerimonial onde dizem que os sacrifícios aconteciam… E apanhamos papaias, limões, bananas, pomelos e fruta-pão na berma da estrada – fruta de ninguém ou fruta para todos?!

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E vimos algo de muito diferente, frequentemente as casas albergam campas no jardim!  Disseram-nos que a ilha não tem cemitério público. E que, mesmo noutras ilhas que o têm, muitas famílias enterram os seus mortos no quintal para evitar pagar uma taxa anual…

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Sem dúvida, uma ilha anti-stress, uma ilha de vida simples.  Com certeza com os seus problemas sociais e de saúde, como em todo o lado, mas visivelmente com qualidade de vida, para quem cá mora e para quem a visita!!

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Maururu Huahini! (Obrigada Huahini!)

 

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P1360421 A ilha é rodeada por uma barreira de coral que a abraça e protege, pontualmente interrompida pelos “passes” naturais, que nos permitem entrar e ficar também resguardados. Aqui, por vezes, o vento pára de soprar, como se fechassem uma porta, a montanha reflecte-se linda na água e dentro da lagoa de coral, sentimos-nos como se estivéssemos num aquário de água morna, com plantas que parecem animais e animais que se confundem com as plantas. E com majestosas e esvoaçantes raias… e depois há aqueles peixes, quase exibicionistas, coloridos, sem medo, indiscretos, que nos confirmam quão criativa e incrível a vida é!

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Moorea, chamam-lhe a “irmã mais nova do Tahiti” e a expressão encaixa-lhe bem, a ilha inspira feminilidade e protecção. Paisagens capa de revista, dentro ou fora de água, que nos fazem acreditar no Photoshop – aqueles azuis turquesa existem mesmo😊 e deliciam-nos…

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É uma pequena ilha com 17 mil habitantes, a 12 milhas do Tahiti, a 1 hora de ferryboat, 30 minutos de catamarã, 7 minutos de táxi aéreo, porque a distância é sempre relativa. Há pouco tempo conheci um galego, que enquanto está neste paraíso pede aos amigos que não lhe telefonem, para se sentir mais longe de casa, e nós, a sentirmos-nos demasiado longe… Ele está a umas semanas de casa, nós a um ano!… mas a paisagem consola, as pessoas aquecem-nos o coração, a Natureza inspira e a curiosidade motiva 😊

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Gerard a agarrar a cauda de um tubarão!

Por aqui velejamos com outra família portuguesa, vivem num catamarã Lagoon como nós, o El Caracol e também partilham a sua odisseia no www.entretantoabordo.com. São cinco queridos que muito nos fizeram sorrir, pensar, crescer. Gostávamos de continuar a viajar juntos, numa caravana aquática, numa partilha, na descoberta deste nosso incrível planeta. Com eles quisemos desacelerar, desfrutar mais, mudámos de planos vezes sem conta mas no fim, o velho objectivo da  circum-navegação resistiu. Eles ficam e nós seguiremos para oeste com eles na cabeça e no coração. Obrigada Catarina, Jorge, Gonçalo, Lia e Becas, encontramos-nos nos Açores!!

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Surpreendemos-nos com o Tahiti, a maior ilha da Polinésia Francesa e a sua capital. Tínhamos lido que Papeete, a capital da ilha capital, era apenas um ponto de chegada e de passagem para o paraíso, que é este conjunto de cinco arquipélagos. E sem grande expectativa, fomos às compras e encontramos uma cosmopolita cidade, luminosa, organizada, ajardinada, com uma agradável marginal, que apela ao desporto e ao qual a população corresponde. Com o típico mercado central, ainda frequentado por locais, e murais incríveis de arte urbana, espalhados por ali perto, graças ao ONO’U.

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Mas o Tahiti é muito mais! – são as grandes montanhas verdes com incríveis trilhos pedestres, as cascatas abundantes, as grutas com lagoas subterrâneas, os sítios arqueológicos, museus e jardins, são as praias de areia preta e aquelas duas de areia branca, os recifes com uma das melhores ondas do mundo, os points de windsurf e kitesurf de topo!

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E tanto que havia para explorar e para curtir nesta ilha e nós com o tempo contado… para voltar para aquele que é o nosso paraíso, e que em nada fica atrás deste, os Açores!!

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atol vista aereaE quando estiverem no mar rodeados de terra por todos os lados, estão num atol!

Tuamotu é um dos 5 arquipélagos da Polinésia Francesa, constituído por 78 atóis, antigos vulcões que “atolaram” com o tempo… submergiram, restando apenas o rebordo da cratera coberto de coral, areia branca, coqueiros e algumas casas. No interior forma-se uma lagoa navegável, com os mais ricos e diversos tons de azul. Mais paradisíaco não há!…

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As pessoas, na maioria, morenas, de sorriso aberto e flor atrás da orelha, parecem tranquilas e felizes. Quase sempre apanhamos boleia com o primeiro carro que passa e não é por viajarmos com crianças, porque o mesmo acontece quando eu ou Armindo vamos sozinhos. Ontem, foi demais! Quase sem gasolina no dinghy (pequeno barco semi-rígido que usamos para ir a terra), voluntariei-me para ir à vila, a 8 km, comprar alguma. Fui de jerrican numa mão e carteira na outra. Três minutos depois de começar a andar vi um carro, estiquei o polegar e o Jean parou. Expliquei-lhe no meu francês-meio-inventado que estava à procura de uma bomba de gasolina.  Ele respondeu que só havia uma na vila mas como era sexta-feira à tarde, devia estar fechada. Percebi que me arranjava gasolina de outra maneira e fui com ele. Cinco minutos depois paramos no portão de uma casa modesta. Ele pegou no jerrican e entrou, deixando a porta aberta. Preferi ficar cá fora. Passado algum tempo, volta o Jean, sorridente e de jerrican cheio! Agradeci e quis pagar-lhe o dobro do preço da gasolina. Não aceitou por diversas vezes e ainda me levou de volta ao porto, onde estava o nosso sequioso dinghy. O que pensar disto? Foi sorte? É cultural?! No dia anterior, quando estava sentada no porto, de computador aberto, fui abordada por Remy, perguntou-me se estava a apanhar sinal de internet. Perante a minha resposta negativa, ofereceu-me uma cadeira no seu jardim e a passaword da sua rede para eu me comunicar com o mundo. Assim, sem eu pedir, sem aceitar nada em troca. Karma? Talvez aqui, as pessoas, afastadas da luta pela sobrevivência ou pela angariação de riqueza, vivam mais felizes. E pessoas felizes, fazem o bem. Isto não acontece só aqui felizmente, somos de um país onde basta afastarmo-nos das grandes cidades para coletar histórias destas. E isso é precioso!! 😊

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Neste fabuloso arquipélago, apenas paramos em Manihi e Rangiroa, soube a… degustação! Excelentes para o surf, windsurf, kitesurf, vela, mergulho, mindfullness, estiramento do corpito ao sol, consolação de vistas 😊 e aprender a viver de forma mais simples, tranquila e feliz!

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Confesso, gosto! 😉

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Duas pérolas Marquisianas, duas pequenas ilhas onde se inspira tranquilidade e harmonia. Já tinha ouvido dizer que para estes lados as pessoas viviam felizes e realmente assim nos pareceu. Ilhas lindas de gente boa.

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Tahuata

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Ua Pou

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Ua Pou

Altamente civilizados, aqui não faz sentido fazer ações de L1180500preservação ambiental. Nestas ilhas, tínhamos nós muito para aprender! Não há lixo nas ruas, seguranças nos portões, casas degradadas, ruído, não se usam pesticidas. Existem muitas flores, sorrisos fáceis, frutas exóticas, montanhas misteriosas, cascatas energéticas, danças tribais, praias de várias cores, galinhas livres, atum com fartura, coqueiros, generosidade e cultura. Confesso, GOSTEI MUITO!

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E de repente, quando íamos partir para Nuku-Hiva, o Benyleo não obedeceu!

P1060377O Armindo não demorou muito a perceber que tínhamos perdido uma hélice. Lançamos novamente âncora ao mar. O vizinho do lado, Henrico, disse-nos que já tinha perdido duas naquele sítio e que nem mergulhadores de garrafas as tinham encontrado. O mar, que ali costuma ser acastanhado, devido ao ribeiro que desagua naquela baía, estava castanho escuro e cheio de madeira, pois no dia anterior tínhamos sido fustigados por chuvas torrenciais. Nem a tentamos procurar… No dia seguinte, aparece um Lagoon com duas hélices suplentes, vendeu-nos uma – SORTE! por não termos de esperar pela peça que teria de vir de longe.

Percebendo que haviam outras reparações a fazer, além da colocação da hélice, o capitão decidiu que o Benyleo iria a terra por 4 dias. Mas os barcos são filhos caprichosos, ficamos 11! P1060435Dias de muito trabalho, muito calor, com um mar cheio de tubarões e a terra apinhada de mosquitos!… A ilha, que na primeira semana se mostrou um sonho, nas três seguintes começou a revelar-se um martírio. O que nos ajudou a equilibrar esta balança foram os amigos, os de sempre, e os novos que se foram fazendo por aqui. No estaleiro, todos estão com problemas e a pagar bem para ali estar. No entanto, todos mostram ter tempo para os vizinhos, todos se querem conhecer e ajudar. E ver nascer novas amizades é ESPECIAL! 😊

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Os suecos de 20 anos que construíram um leme de raiz com a orientação do mestre Armindo!

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Kris e Sabrina. Ele é metade brasileiro, metade americano, ela é metade francesa e metade americana. Contam as suas histórias no www.greencoconutrun.com.

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Vania, o esloveno, sempre atento e rápido na ajuda, depois de 2 meses de reparações, partimos no mesmo dia!

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Da esq para a dta: Henrico, o italiano que está nesta baía em reparações há 6 meses, Armindo em reparações há 1 mês, Frank e Jonh, ambos ingleses. John está no estaleiro há meses à espera de peças.

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Conner e Dylan, os amigos australianos 🙂

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Danny, o americano que mora nesta baía há 3 anos. Pelas 16h gosta de uma bela conversa e partilhar uma cerveja.

Partimos em breve e vem-me à memória a partida de Portobello, onde também ficamos cerca de 1 mês a amizidificar, e quando zarpamos, os outros barcos despediram-se a apitar com fortes buzinas e acenar com sorrisos sinceros. Aquece-nos o coração!!!

Ainda há quem duvide que o melhor da vida são as pessoas?!

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Hiva-Oa, uma das 12 ilhas do arquipélago das Marquesas, um dos 5 arquipélagos que constituem a idílica Polinésia Francesa. Foi esta a ilha que elegemos para ancorar depois de cerca de 1 mês de muuuito mar. De origem vulcânica, areia preta, mil tons de verde e as 4 estações no mesmo dia, fez-nos lembrar S. Miguel, até no “capacete”!! Mas depois aproximamos-nos e as pessoas são diferentes, a cultura, as casas, as frutas, as flores, os cheiros, a comida…

 

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Um povo que os europeus não conseguiram escravizar, o berço dos tatuados guerreiros e das índias de flores na cabeça de Gauguin. Ali, a Natureza é realmente generosa, com facilidade se apanham carambolas, pomelos (umas laranjas gigantes), romãs, fruta-pão e até galinhas, que andam vadias por toda a ilha para quem as quiser apanhar. E as gentes estão em consonância nessa generosidade, basta esticar o polegar para apanhar uma boleia, o nosso meio de transporte de eleição!

O resto, as fotos contam…

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E mais virá!

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Tripulação: Armindo, Joana, Benita, Leonardo e Gaston Gimbernat.

IMG_1559Partimos de Las Perlas (Panamá) rumo às Galápagos mas o vento de frente fez-nos mudar de rota. Aproximámo-nos de costa, onde os ventos sopravam mais fracos, e navegámos em direção ao Ecuador, país. Íamos tranquila e lentamente, quando o capitão atento avistou um tronco de árvore enorme a flutuar, daqueles que à noite podem provocar tragédias, mas que de dia, são chamados de “achados” pelos pescadores. Estes troncos geram um impressionante miniecossistema, cheio de vida! As nossas linhas começaram a dar sinal, as 3 ao mesmo tempo, agitação total, as aves alimentavam-se, os golfinhos saltavam e até um espadim vimos à procura do jantar. Demos três voltas ao “achado”, o suficiente para nos abastecermos para os dias seguintes e jantarmos um delicioso home made sushi 😉

Passados 3 dias a motor, sem vento, seguiram-se 2 de relâmpagos e chuva fraca. Chegamos a Esmeraldas, no Ecuador, e por VHF informaram-nos que não tinham Marina. Não conseguimos entrar no porto dos pescadores pois devido à maré vaza a entrada não tinha a profundidade necessária para o nosso barco. O mar não dava condições para ancorar ao largo. Felizmente, ofereceram-nos guarida no porto dos navios, junto a um rebocador, com gente simples e amistosa. Deram-nos água e lavaram-nos a roupa.P1060137 Mostramos-lhes de onde vínhamos e ficaram encantados, como todos a quem mostramos um livro sobre os Açores. No dia seguinte, o Armindo voltou-se para os costumeiros problemas do barco e eu e o Gaston fomos resolver as habituais e enfadonhas burocracias para se entrar num país. A emigração cobrou-nos 50 dólares por cabeça, na capitania queriam mais outro tanto – queixamo-nos!! O raro capitão Romero ligou à emigração a pedir o decreto que informa ser necessário pagar tal valor – não existia!… Devolveram-nos o dinheiro!!

3 dias depois, onde num deles o Armindo esteve a trabalhar cerca de 7 horas no topo do mastro, com barcos de pesca a provocar ondulações ameaçadoras, reabastecemos de frescos, gasóleo, e finalmente seguimos caminho. Desistimos das tão ambicionadas Galápagos, por ser necessário efetuar um pedido de entrada duas semanas antes, além dos valores exorbitantes que pediam para lá estar – cerca de 250 dólares/dia.

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Continuámos junto à costa onde os ventos eram menos desfavoráveis. Aproximamo-nos de Salinas, cidade grande, e pedimos apenas para abastecer de gasóleo, de modo a evitar todos os pagamentos e burocracias de entrada e de saída. Pedido negado, continuamos viagem, a noite caiu, e apercebemo-nos que estávamos rodeados de redes de pesca, sinalizadas por flashes brancos. O Armindo ficou à proa a dar orientações e eu a executar ao leme. De repente, um barco com 3 homens aproximou-se a grande velocidade, o Armindo gritou “Chama o Gaston!!” Assalto? Piratas?!! Eram pescadores preocupados com as redes. Escoltaram-nos até ao fim da sua rede e despedimo-nos, gratos. Fui-me deitar e o Armindo ficou de turno. Estava a dormir e possivelmente devido a um som diferente, sonhei que estávamos presos nas redes. Foi tão real que acordei assustada e vim cá fora a correr e a berrar “Armindo, as redes! Estamos presos!”. Olhamos para o mar e já estávamos… “Chama o Gaston, Joana!” gritou outra vez, desesperado. Facas, lanternas, mergulhos, stress, sufoco e preces ouvidas. Rasgamos a rede dos pobres pescadores e livramo-nos. Aliviados, voltamos a içar a vela e de olhos abertos e lanternas apontadas para o mar, seguimos receosos. Passado algum tempo, outra vez!!! Presos nas redes! Oh, não!… desta vez o barco dos pescadores estava ao lado. Não se mexeram… os pescadores deviam estar a dormir. O Armindo voltou de faca à água, que tinha alforrecas ou qualquer outro tipo de bicho urticante e safou-nos de um filme de meter medo. Prosseguimos, de lanternas apontar para o mar e stress na barriga. De manhã estávamos KO e os meninos, felizmente OK para um novo dia 😉

Afastámo-nos da costa e finalmente estávamos no ângulo certo para aproveitar os famosos e tão esperados tradewinds, responsáveis pelo nome deste oceano. Começamos uma nova fase da travessia, estávamos a cerca de 3500 milhas náuticas das Marquesas. Velejamos 6500 Km sem ver terra, 23 dias onde tudo se fez numa dança com o mar, ora mais descompassado, ora mais suave e ritmado, com alguns dias de ócio e outros de muito trabalho – tudo, em total autonomia, graças ao nosso já mui fatigado Benyleo 2.

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E tanto que navegamos, e apenas atravessamos uma pequena parte deste enorme oceano, que cobre duas vezes a área do Atlântico e que se estende por uma área maior do que toda a terra firme do planeta – 165 milhões de km quadrados… E tanto que ainda nos espera!

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Ficamos 10 dias na cidade com nome de país e quase nem a vimos!… A preparação da maior travessia desta viagem (Panamá – Marquesas) roubou-nos o tempo que gostaríamos de ter passado a conhecer a grande cidade. Não é que sejamos muito de cidades, mas que ela nos chamou, chamou!

P1060003À noite, quando íamos para o exterior do barco refrescar um pouco antes de ir dormir, olhávamos as luzes milcolores da cidade, autêntica árvore de natal a prometer surpresas. De dia, quando lá íamos resolver problemas, e nos aproximávamos da crua realidade, dominava a deceção… trânsito, poluição, desorganização, formigas trabalhadoras, gordas, por ignorância.
A cidade com certeza terá os seus atributos, mas infelizmente não os vimos. Já a ressacar Natureza, fomos com as crianças a um museu de ciências naturais. Nos aquários encontramos os peixes que temos visto no mar, mais tristes, menos vivos, ainda assim aliciantes.

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O ponto alto desta curta estadia foi a visita do nosso compadre, Nuno Simas, skipper, a preparar a 3ª volta ao mundo. Apareceu de surpresa, trouxe-nos alegria e aliviou-nos um pouco as saudades.  Aproveitamos para variar de paredes e fomos dormir ao barco onde ele trabalha, do outro lado do canal.

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Fomos de camioneta até Colon, uma cidade grande e feia, e infelizmente chocamos com uma das maiores maleitas da América latina, a corrupção. Dois polícias, dizendo que a zona era perigosa ofereceram-se para nos escoltar, agradecemos. Caminhávamos há 1 minuto, faltavam-nos menos de 100 metros para o objetivo e começaram a dizer que aquela distância de táxi custava 20 dólares – mentira, pois pelo dobro pagamos 1 dólar, na mesma cidade. Percebemos a mensagem, queriam dinheiro e abusavam da nossa ingenuidade /vulnerabilidade… Recusamos a “ajuda” e pouco tempo depois o Nuno apareceu. Foi leve, mas revelador da enfermidade que ali se vive!…

No final, o saldo é positivo. Estivemos bem, vamos bem preparados, agora com mais um painel solar e telefone de satélite 😊 Seguimos para Las Perlas!

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(Gaston, o novo membro da tripulação do Benyleo 2)

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Há algo de místico no canal do Panamá, o canal que separa as Américas e que une os dois maiores oceanos do Planeta, o Atlântico e o Pacífico. É uma obra com 104 anos, iniciada pelos franceses, concluída pelos Americanos. Não foi uma obra fácil, muitos morreram na sua construção, mas conseguiram e funciona todos os dias. Disseram-nos que parou 12 horas em 2012, não mais.

Este, não é um canal qualquer, requer informação, que o barco seja medido e inspecionado, 15 dias de espera para o podermos atravessar, no nosso caso, e 5 adultos a bordo durante a travessia, o capitão e mais 4 para segurem nos cabos.IMG_1416

Agradecemos aos novos amigos que fizemos em Portobello, a preciosa colaboração nesta importante etapa da viagem e a riqueza com que nos brindaram. Angie, de 7 anos, trouxe a alegria, Madu, dos Camarões, a simpatia e a tranquilidade africanas, Herman, um sonhador austríaco de 78 anos, que está a planear a construção do 5º barco feito pelas suas mãos, regalou-nos com a sua experiência e encantamento pela vida e pelas viagens. E por fim, Gaston, viajante argentino de 26 anos, que nos vai acompanhar na próxima travessia oceânica para as Marquesas, trouxe a leveza, sonho e boas vibrações.

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O dia foi longo, começou às cinco da manhã com a chegada de Mac, o advisor, piloto do canal que orienta toda a travessia.P1050941 Juntamo-nos a dois monocascos, um de cada lado e passamos por 3 eclusas que nos permitiram subir até ao lago Gatún, um lago artificial, 26 metros acima do nível do mar e que abastece de água doce todo o Panamá. Dizem que demorou 2 anos a encher, a partir do rio Chagras. Agora, é uma estrada tranquila vestida de reserva natural. E nós, com tanta água doce acessível, fizemos a festa – tomamos banho, lavamos roupa, lavamos o barco, sempre a uma velocidade média de 6 nós, sem parar.  Em tempo record, chegamos às 16h ao outro lado, Panamá City.

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Quando atravessamos a ponte das Américas, estamos oficialmente no Oceano Pacífico 😊

– Somos uma família açoriana, vimos em paz!

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