Identificamos-nos com o ritmo tranquilo e pouco ambicioso, o cheiro a alecrim e a pinhal, o som das cigarras e a frescura do mar. Deslumbramos-nos com as paisagens e as belas ancoragens. Deliciamos-nos com os sabores mediterrânicos do azeite verde dourado, do tzatziki, do abuso do tomate, da beringela e do feta. Adoramos a Grécia!

Energia azul turquesa em Avelemonas, ilha de Kythera!

Chalki, kos, Tilos, Astipalia, Amorgos, Santorini, kythera, Zakynthos e Kefalonia tornaram-se nomes familiares e proporcionaram-nos umas férias recheadas de mergulhos refrescantes, passeios campestres, visitas de estudo geológicas e arqueológicas. Foram apenas 9 das 227 ilhas habitadas que a Grécia tem e que nos aguçaram o apetite para voltar. Agora, compreendemos a Sónia e o António, brasileira e italiano que conhecemos em Chalki, que há 6 anos que passam 6 meses por ano a velejar pelas ilhas gregas e que ficaram de nos ir visitar aos Açores no inverno porque não prescindem de um mês que seja neste paraíso helénico.

Sónia e António

E também levamos no coração duas famílias de navegantes, os ingleses do Laurin e os franceses do Soledad com quem convivemos em Kefalonia e que também partilham as suas experiências em blogs muito interessantes!

As 3 famílias que vivem a bordo do Laurin, do Soledad e do Benyleo!

Visita à Melissani Cave em Kefalonia

seguido de mergulho e picnic marinho 😉

A Grécia é um belo país para se conhecer de qualquer maneira, de carro, autocaravana ou mochila mas fico com a ideia que a melhor será de barco à vela. Ou pelo menos este é um dos melhores países que conhecemos para se desfrutar de veleiro, travessias curtas, ancoragens gratuitas, bom clima, preços razoáveis e ainda sem vestígios da sobre-exploração turística.

Mais? As fotos falam por si 😉

A pituresca e encantadora Chalki

tem uma praia escondida…

Tilos radical!

Aula de françês em Kos

e de História!

A misteriosa Astipalia…

…permite-nos mergulhar noutra Era…

… Astipalia

jantamos aqui?!

A silenciosa Amorgos…

amigos franceses  que conhecemos em Amorgos e que viajam há 4 meses de jipe!

Romântica Santorini <3

 

um trilho entre Oliveiras em Zakynthos

igreja ortodoxa em Zakynthos

Kefalonia

Que seja até breve Grécia! 😉

Por ter boas referências e por não a conhecer escolheu-a como nosso ponto de encontro, Citera ou Kythera em grego, uma montanhosa e pacata ilha no Sul do Mar Egeu. Uma ilha grega como as outras e com todo o encanto que lhes pertence. Ilhas com o que mais apreciamos, beleza natural, gentes generosas e autênticas que sabem preservar a sua cultura e património, com belas ancoragens, boas padarias, ricas mercearias e tavernas cheias de iguarias! 😉

Mas cada uma tem a sua diferença e surpreende com subtileza e recantos por explorar. Citera tem lindas praias quase desertas, umas de areia, outras de seixos polidos e confortáveis, tem grutas e cascatas naturais para os mais aventureiros e tem uma Khora preservada e cheia de História para os mais curiosos. E também tem trilhos pedestres que se fazem ao cair do dia e do calor sob o tilintar das cabras e da brisa que desce a montanha. Lugares perfeitos para celebrar o amor e a amizade! 🙂

Foi o lugar ideal para nos encontrarmos com o Nuno, padrinho da Benita, que é skipper (capitão de barcos), profissão que o obriga a estar longe mas que quando está presente nos enche o coração! E foi ali que conhecemos também o Afonso, açoriano e companheiro de profissão do Nuno no NDS Evolution e reencontramos o Alejandro e a Maria José, argentinos que se preparam para a segunda volta ao mundo, que desta vez vai incluir o Polo Norte e o Polo Sul!! Também eles descobriram os prazeres desta vida marinha que nos mostra diariamente a beleza do planeta azul e das suas tão criativas gentes! 😀

Armindo a consolar-se com uma bela windsurfada!

Da esq. para a dta: Alejandro, Maria José, Benita, Nuno, Leonardo, Joana, Armindo e Afonso

Até breve ilhas gregas, esperamos não demorarmos muito a cá voltar!!

 

Preferimos as ilhas pacatas, mais genuínas, mas por conselho do Nuno Simas, padrinho da Benita, não quisemos perder a famosa Santorini – A ilha é turística porque É incrível!!

Thera é um enorme vulcão activo há mais de 3000 anos cuja cratera está submersa. De fora fica um pequeno grupo de ilhas onde só duas são habitadas, Santorini e Therasia, locais onde a Humanidade caprichou! E não satisfeitos em ser o expoente máximo da arquitectura tradicional grega ainda reclamam para si a lenda da Atlântida!! Contam que em tempos a ilha era circular e conhecida por Strongili, a redonda, mas depois uma colossal erupção vulcânica e respectivo tsunami mudaram-lhe a morfologia, deram início à queda da civilização minoica e “afundaram” a misteriosa Atlântida. Pessoalmente vou mais na teoria da Atlântida açoriana já que somos nós que estamos no meio do Atlântico, mas é só um palpite 😉

Santorini está a cerca de 200 km de Atenas no Sul do Mar Egeu, tem 73 km2 e cerca de 15 mil habitantes que duplicam em Julho e Agosto. O mundo descobriu o que tem encantado pintores, fotógrafos e poetas, são as impressionantes cascatas de casas e  hotéis caiados de branco com varandas e piscinas viradas para o Egeu fresco e cristalino, são as cúpulas azul-cobalto das igrejas ortodoxas a condizer com o mar e a contrastar lindamente com o branco puro das construções e é a iluminação certa, romântica e cuidada, quando o sol se põe sob os aplausos e homenagens dos turistas!

E mais uma vez a sorte bateu-nos à porta, a Karina Sandri, uma amiga grega que conhecemos enquanto pedíamos boleia em Hiva-Oa, na Polinésia Francesa, viu o post sobre Chalki e entrou em contacto connosco para nos dar a boas vindas ao seu amado país. E nós, que queríamos ir a Santorini mas que por ser difícil arranjar lugar para o barco planeávamos deixar o Benyleo noutra ilha e ir de ferrieboat, ouvimo-la dizer que nos arranjava um lugar em Santorini!!! Alegria total! Indicou-nos o Dimitri e a Joe, donos da taverna mais pitoresca de Ammoudi, na zona mais linda da ilha, Oia!

A vila Oia em cima com Ammoudi no sopé da montanha

Ammoudi dista de Oia  250 degraus que se fazem a pé ou de burro – 4€ e imagino que uma dor nas costas, a experiência – nós preferimos as nossas ricas pernas mas os animais dão um toque tradicional e engraçado àquela imperfeita e mui turística perfeição de lugar 🙂 

Ammoudi tem 4 ou 5 restaurantes em cima da água com vista para o célebre pôr-do-sol e mais à frente uma esplêndida zona de banhos e mergulhos rejuvenescedores 🙂 A ilha também tem praias, noutras zonas, e com areais para todos os gostos, pretos, dourados e vermelhos!!

Como a Karina disse, o hospitaleiro Dimitri arranjou-nos uma bóia para amarrarmos o barco gratuitamente ali perto e no dia seguinte ainda pediu a um amigo que nos levasse a Thira, a capital da ilha, para que conhecêssemos outra zona incrivelmente bela e também com um pitoresco casario em cascata sobre o mar. Pelo caminho gostamos de ver as vinhas e como respeitam a arquitectura tradicional fora das zonas turísticas. Gostamos de ver os transportes públicos a funcionar bem, os moinhos de vento e acima de tudo a simpatia e autenticidade das gentes gregas. Adoramos a gastronomia, próxima da nossa mas com as devidas, excelentes e tão saborosas particularidades!

Com Dimitri e Joe na maravilhosa taverna Dimitris em Ammoudi!

Benyleo 2 num lugar de luxo!!

Grécia, Grécia, companheira de desventuras económicas, podemos ser os irmãos pobres deste velho continente mas quando eles têm férias, para onde é que querem ir?! 😉

Chalki é uma pequena ilha grega ao lado de Rodes. Ao longe parece vazia de civilização mas à medida que nos aproximamos do porto vê-se o casario colorido a trepar a colina e a envolver a pequena baía de águas azuis turquesa. Sobressaem as buganvileas rosa forte e sente-se o odor das figueiras a sobrepor-se às casas. Ouvem-se as cigarras cheias de calor. E sorri-se perante mais um presente que a vida nos oferece.

Chalki é cuidada, organizada, restaurada, com lindas casinhas que têm escadas que vão dar ao mar fresco e transparente. E para quem prefere areia tem uma pequena praia à distância de um passeio. À noite, três moinhos iluminados velam a aldeia enquanto as esplanadas de meia dúzia de restaurantes se enchem de alegria e confraternização.

 

 

Chalki é romântica e tem bom gosto. Nós ADORAMOS Chalki!

As saudades fazem-nos gritar de braços abertos e sorriso estampado na cara: – Bendito canal de Suez!!!

Em três dias deixamos o calor dos países árabes e regressamos à fresca Europa. O corpo estranha mas estamos felizes porque já nos sentimos quase em casa 🙂 Em dois dias atravessamos o egípcio canal de Suez, um canal artificial, sem eclusas, que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo. 195 km, cerca de 82 milhas, que só podemos navegar durante o dia com a colaboração de um piloto do canal a bordo. De noite mandam-nos parar no Grande Lago Amargo que nos surpreendeu com uma grande cidade. Já não a pudemos visitar porque o procedimento para atravessar o canal implica dar saída do país. Tivemos sorte na meteorologia, o vento soprou fraco e atravessamos tranquilamente. Uns dias antes outro catamarã teve de voltar para trás porque o vento forte de frente o impediu de atingir a velocidade mínima para transitar no canal, 5 nós.

Uma curiosidade do canal, a  famosa estátua da Liberdade foi originalmente pensada para iluminar este canal. Barthold inspirado no Colosso de Rodes projectou a estátua de uma mulher de vestes egípcias, com a mesma altura, cerca de 33 metros, a segurar uma tocha que serviria de farol. A escultura teria o nome de “Egypt bringing light to Asia” mas em vez disso tornou-se um presente dos franceses aos EUA com o nome”Liberty enlightening the World” e o ex libris de Nova York.

E nós, felizes por regressar à Europa!!

O Egipto foi uma civilização ímpar no Mundo Antigo e durante muitos anos um destino turístico de sonho, foi tanto e o tanto que foi, já era!…

A nossa estadia de 10 dias no país dá-nos uma visão um pouco mais do que superficial saliento, mas a sensação que este incrível país nos deu foi de decadência e de involução, lamento!…

É inegável o valor e o interesse de tanta História e Arqueologia a céu aberto, a simpatia do povo e a sua riqueza cultural, o mar saudável, cheio de peixe, que saúda belas praias de areia dourada mas é também um país sobrepopulado, sobreedificado, sobrempoeirado, lamento!…

Passamos pelo Cairo, pela Alexandria e por Suez, onde atravessamos o famoso canal que nos levou ao Mar Mediterrâneo. Cidades de tamanhos bem diferentes, a primeira com 24 milhões, a segunda com 5 milhões e a terceira com cerca de meio milhão de habitantes. As três envelhecidas, barulhentas e fedorentas, lamento!…

Gostamos de visitar as famosas pirâmides de Gizé quase sozinhos, partilhar o Museu do Egipto com quase ninguém e a nova biblioteca da Alexandria com meia dúzia de turistas. Gostamos dos preços simpáticos da hotelaria, da restauração e dos transportes, e sentimos-nos seguros, já que por todo o lado fomos revistados e bem guardados. Adoramos os tradicionais e tão genuínos mercados nocturnos que fogem do ardente calor diurno, gostamos dos cardápios diferentes e baratos, da alegria e da descontracção egípcia. Surpreendemos-nos com a dificuldade em encontrar gente que falasse inglês, mesmo tendo sido este país uma colónia de Sua Majestade e noutros tempos tão cheio de turismo. Surpreendemos-nos com o envelhecimento de quase tudo. São os restos da sobreexploração turística, que invariavelmente usa, deita fora e não melhora, e é a instabilidade política e económica que por ali se vive há tanto tempo. Há 8 anos iniciaram um processo de revolução, lutavam pela liberdade, pelo emprego, por melhores condições de vida. Um jovem egípcio desabafou que agora estão tão mal ou pior. O desemprego aumentou, a ditadura continua, o povo sente-se igualmente oprimido. O Presidente alugou as pirâmides de Gizé por 20 anos aos Emirados Árabes Unidos, “Já não são nossas! O maior símbolo do Egipto, a nossa identidade agora pertence aos Emirados por 20 anos!” disse-nos indignado o informático que vende souvenires caducos numa das muitas lojas iguais que inexplicavelmente ainda se mantêm abertas.

Não foi isto que os meus pais virão e sentiram há 30 anos quando aqui vieram… Não era bem isto que esperávamos de ti, ó Grande Egipto!… Lamento!

Necrópole de Gize

 

Museu do Egito

Vista da Alexandria da torre da citadel de quaitbay

nova biblioteca da Alexandria

 

(Also writen in english above the portuguese text)

Nunca me passou pela cabeça visitar o Sudão, não lhe conhecia atractivos e a ideia que tinha era a de um país muçulmano árido onde as mulheres são obrigadas a esconder cada cm de pele mesmo sob um sol ardente. Não me enganei neste último ponto, mas estava bem enganada quanto aos atractivos. Os cinco dias que estivemos em Port Sudan deu para destruir preconceitos e fazer descobertas bem interessantes 😊

O Sudão é um país que tem fronteira com nove países, é o maior país de África e tem mais de 500 tribos e 100 dialectos diferentes. Cada tribo tem uma cultura própria que se manifesta nos rituais, na maneira de vestir, na gastronomia, no formato das casas, na forma de viver. O Norte é muito diferente do Sul. O Norte é desértico pontuado de oásis, o Sul partilha florestas tropicais com o Uganda e o Congo. No Norte cria-se gado, no Sul há hipopótamos, crocodilos, elefantes, girafas, leões e leopardos. No Norte são árabes e andam de corpo tapado, no Sul andam quase nus e vivem em tribos, muitas delas nómadas. No Norte as mulheres tatuam o lábio inferior, no Sul fazem cicatrizes na cara com diferentes significados, mas que geralmente representam coragem nos homens e beleza nas mulheres. E há ainda tribos onde as cicatrizes se alongam ao resto do corpo revelando o estado conjugal e o número de filhos.

 

O Sudão é um dos melhores locais do mundo para mergulhar, cheio de recifes saudáveis, barcos afundados transformados em ecossistemas fantásticos e um mar à temperatura de que o corpo gosta. E é também um paraíso da fotografia com imagens nunca vistas a cada esquina, mulheres enroladas em cor ou no preto total, homens vestidos de branco a rezar de joelhos e testa no chão, virados para Meca, mercados ricos que vendem tudo a granel, o café tradicional servido a 20 cm do chão em mesinhas toscas de madeira, um outro modo de viver!

 

Claro que enquanto país que não está habituado a receber turistas por vezes sente-se alguma resistência. Alguns rejeitam a fotografia e outros impedem-me de fotografar as mulheres mesmo após o consentimento delas. Usei sempre vestidos abaixo do joelho e mesmo assim senti a surpresa das mulheres e o escândalo que era para alguns homens, que me viraram a cara ferozmente. Senti que não devia andar sozinha por causa de uma minoria, pois a maioria mostrou-se afável e interessada em nos conhecer. Facilmente se enceta uma conversa e se é convidado para beber um chá ou um café. Conhecemos uma família que nos convidou para um picnic numa praia privada e que depois aceitou vir jantar ao Benyleo. E conhecemos o Jules, um inglês nascido na Eritreia, que fala árabe e que fascinado com o Sudão ponderava estabelecer-se ali. Sentimos-nos adoptados por aquele gentleman de 71 anos e combinamos um encontro em Itália, para breve 🙂

Outra descoberta interessante foi a forma de comer dos sudaneses, comem no chão, todos do mesmo prato e com as mãos. Quando se vê parece exótico, diferente, longínquo, mas quando nos vimos a partilhar uma refeição com locais, o tal picnic na praia privada com a família de Remi, e quando começo a servir os meus filhos para um prato e me dizem que não faça assim, para comermos juntos da travessa com as mãos, sorrimos e aceitamos os costumes locais. E depois sentimos o quão diferente, íntima e especial se tornou a refeição. Um almoço onde o partilhar do prato nos fez sentir tão próximos e parecidos. Sim, recomendo uma refeição assim e uma grande visita ao Sudão!

It never occurred to me to visit the Sudan, I did not know the attractions and the idea that i had was of an arid Muslim country where women are forced to hide every inch of skin even under the a hotest sun. I was not mistaken on this last point, but I was quite mistaken about the attractions. The five days we were in Port Sudan were enough to destroy wrong ideas and to make very interesting discoveries!

Sudan is a country bordering nine countries, it is the largest country in Africa and has more than 500 tribes and 100 different dialects. Each tribe has its own culture that manifests itself in the rituals, the way of dressing, the gastronomy, the shape of the houses, the way of living. The North is very different from the South. The North is desert dotted with oasis, the South shares tropical forests with Uganda and Congo. In the North cattle are raised, in the South there are hippos, crocodiles, elephants, giraffes, lions and leopards. In the North they are Arabs and they walk of covered body, in the South they walk almost naked and live in tribes, many of them nomads. In the North women tattoo the lower lip, in the South they make scars on the face with different meanings, that generally represent courage in men and beauty in women. And there are still tribes where the scars extend to the rest of the body revealing the marital status and the number of children.

Sudan is one of the best places in the world to dive, full of healthy reefs, sunken boats transformed into fantastic ecosystems and a sea at the temperature that the body likes. And it is also a photographic paradise with images never seen at every corner, women wrapped in colour or in total black, men dressed in white, praying on their knees and brows on the ground, facing Mecca, rich markets that sell everything in bulk, the traditional coffee served 20 cm from the floor in rough wooden tables, it is another way of living!

 Of course, as a country that is not used to receiving tourists sometimes we felt some resistance. Some reject photography and others prevent me from photographing women even after the women consent. I always wore dresses below my knee, and yet I felt the surprise of women and the scandal that was to some men, who turned their faces to me fiercely. I felt that I should not be alone because of a minority, but most of them were affable and interested in knowing us. A conversation is easily made as the invitation to drink a tea or a coffee. We met a family who invited us to a picnic on a private beach and then agreed to come to Benyleo for dinner. And we met Jules, an Englishman born in Eritrea, who speaks Arabic and who was fascinated with Sudan and even thinking to settle there. We feel adopted by that 71-year-old gentleman and we arranged a meeting in Italy, soon.

Another interesting discovery was the Sudanese way of eating, eating on the floor, all on the same plate and with their hands. When you see it seems exotic, different, far away, but when we come to share a meal with locals, like the picnic we share on with Remi’s family, and when I start serving my children for a dish and they tell me not to do so, that we could eat with our hands together, we smiled and accept local customs. And then we felt how different, intimate and special the meal became. A lunch where the sharing of the dish made us feel so close and alike. Yes, I recommend a meal like that and a great visit to Sudan!

(You can read it in english and italian after the portuguese text, kindness of Julles Azzopardi)

Depois de 22 dias de mar chegamos a Massawa, na Eritreia, um lugar perdido no tempo, uma vila de imponentes edifícios destruídos por 35 anos de guerra e abandonados pela pobreza extrema.  Durante o dia a vila fica deserta, estão 40 graus, os serviços só funcionam das 7h às 11h e as lojas, cafés e mercado reabrem depois das 17h. Mesmo assim, ao fim do dia não se vê muita gente, raramente passa um carro ou um autocarro, e nós perguntamos pelas pessoas. Um mais destemido responde que estão presos – Porquê? Não há liberdade de expressão, têm medo de falar…. Também não há trabalho, dizem que não há cimento, sobrevive-se lentamente…

Mas há algo de poético em tanta destruição combinada com a passividade e os sorrisos fáceis da população. É uma normalidade cruel, surreal… facilmente nos convidam para beber um café tradicional aquecido num pequeno fogareiro colocado à porta de casa, dizem-nos para sentarmos nos banquinhos que rodeiam o fogareiro e fazem-nos as perguntas habituais. Sentimos-nos bem e ficamos a ver as mulheres a cozinhar no exterior. Também têm camas cá fora onde alguns dormem e outros esperam. Esperam por trabalho cerca de 30 camiões num descampado árido, como todo o resto. Esperam que os maridos voltem e reconstruam as casas totalmente decadentes onde moram?

As ruínas estão em paz como todo o resto. E nessa paz vejo a beleza dos edifícios antigos, a beleza das mulheres descontraídas nas suas lides, as crianças independentes a brincar na rua. Há esplanadas quase vazias e cinema ao ar livre à noite, projetado numa parede pintada de branco de um dos edifícios mastigado pelo tempo e cuspido pela guerra. Aqui vive-se entre escombros e sem água canalizada.

Vê-se que Massawa já foi um grande porto, uma cidade com vários hotéis, bancos, transitários, comércio, espaço. Vê-se que houve riqueza, o que lhe aconteceu? Não há dúvida que está a morrer e que se vão esquecer séculos de História. Dentro do porto de Massawa visitamos os restos da primeira mesquita do mundo, com mais de 1500 anos! E cá fora vimos outra do séc. XI e outra do séc. XVI a perderem-se nos ventos quentes e nas areias finas.

A internet 2G está ainda pior do que é costume desde que um raio atingiu a antena. Fomos a outra vila para tentar comunicar com o nosso mundo, mas não tivemos melhor sorte. Depois de tantos dias de mar, cheios de vontade de falar com a nossa família e amigos, tivemos de nos contentar com umas poucas trocas de mensagens, algumas desoladoras e nós sem possibilidade de responder… Haverá tempo. Agora seguimos caminho, temos um mar bíblico para subir rumo à Europa, rumo a casa e levamos connosco mais uma realidade deste incrível planeta azul!

After 22 days of sea we arrived in Massawa, in Eritrea, a place lost in time, a village of imposing buildings destroyed by 35 years of war and abandoned by extreme poverty. During the day the village is deserted, it is 40 degrees, the services only work from 7am to 11am and the shops, cafes and market reopen after 5pm. Even so, at the end of the day you do not see a lot of people, there is rarely a car or a bus, and we ask about people. A more fearless responds that they are trapped – Why? There is no freedom of expression, they are afraid to speak …. There is also no work, they say there is no cement, they survive slowly …

But there is something residually poetic about so much destruction combined with the passivity and easy smiles of the population. It is a cruel, surreal normality … gentle and kindly people readily inviting us to drink a traditional hot coffee in a small stove located at the door of the house, we are told to sit on the stools that surround the stove and ask us the usual questions. We felt good and we were watching the women cooking outside. They also have beds outside where some sleep and others wait. About 30 trucks are waiting for work in a barren wasteland, like everything else. Do you expect the husbands to come back and rebuild the totally decaying houses they live in?

The ruins are in peace like everything else. And in this peace I see the beauty of the old buildings, the beauty of the women relaxed in their lids, the independent children playing in the street. There are almost empty esplanades and open-air cinema at night, projected on a white-painted wall of one of the buildings chewed by time and spit on by war. Here one lives among debris and without channeled water.

It is evident that Massawa was once a busy port, a bygone city with several hotels, banks, freight forwarders, commerce, space. You see that there was wealth, what happened to you? There is no doubt that it is dying and that it will forget centuries of history. Inside the port of Massawa we visit the remains of the first mosque in the world, aged more than 1500 years! And outside we saw another of the XI century and another of the XVI century desolate in the hot winds and the fine sands.

The 2G internet is even worse than usual since lightning strikes the antenna. We went to another village to try to communicate with our world, but we did not have better luck. After so many days at sea, full of desire to talk to our family and friends, we had to settle for a few exchanges of messages, some heart-breaking and us with no possibility to respond … There will be time. Now we are on our way, we have a biblical sea to ascend towards Europe, home and we take with us another reality of this incredible blue planet!


Dopo 22 giorni di mare siamo arrivati ​​a Massaua, in Eritrea, un posto perso nel tempo, un villaggio di imponenti edifici distrutti da 35 anni di guerra e abbandonati dall’estrema povertà. Durante il giorno il villaggio è deserto, è di 40 gradi, i servizi funzionano solo dalle 7:00 alle 11:00 e i negozi, i caffè e il mercato riaprono dopo le 17:00. Anche così, alla fine della giornata non si vede molta gente, raramente c’è una macchina o un autobus, e noi chiediamo informazioni sulle persone. Un più impavido risponde che sono intrappolati – Perché? Non c’è libertà di espressione, hanno paura di parlare … Non c’è lavoro, dicono che non c’è cemento, sopravvivono lentamente …

Ma c’è qualcosa di residualmente poetico su così tanta distruzione combinato con la passività e il sorriso facile della popolazione. È una normalità crudele e surreale … le persone gentili e generosa che ci invitano prontamente a prendere un caffè caldo tradizionale in una piccola stufa situata sulla porta di casa, ci viene detto di sederci sugli sgabelli che circondano la stufa e chiederci le solite domande. Ci siamo sentiti bene e stavamo guardando le donne cucinare fuori. Hanno anche letti fuori dove alcuni dormono e altri aspettano. Circa 30 camion sono in attesa di lavoro in un deserto arido, come tutto il resto. Ti aspetti che i mariti tornino e ricostruiscano le case in rovina in cui vivono?

Le rovine sono in pace come tutto il resto. E in questa pace vedo la bellezza dei vecchi edifici, la bellezza delle donne rilassate nei loro coperchi, i bambini indipendenti che giocano per strada. Ci sono spianate quasi vuote e cinema all’aperto di notte, proiettati su un muro dipinto di bianco di uno degli edifici masticati dal tempo e sputati dalla guerra. Qui si vive tra i detriti e senza acqua incanalata.

È evidente che Massawa era una volta un porto occupato, una città passata con diversi alberghi, banche, spedizionieri, commercio, spazio. Vedi che c’era ricchezza, cosa ti è successo? Non c’è dubbio che sta morendo e che dimenticherà secoli di storia. All’interno del porto di Massawa visitiamo i resti della prima moschea del mondo, invecchiata più di 1500 anni! E fuori abbiamo visto un altro dell’XI secolo e un altro del XVI secolo desolato dai venti caldi e dalle sabbie fini.

L’Internet 2G è anche peggiore del solito da quando il fulmine colpisce l’antenna. Siamo andati in un altro villaggio per cercare di comunicare con il nostro mondo, ma non abbiamo avuto fortuna migliore. Dopo tanti giorni in mare, pieni di voglia di parlare con la nostra famiglia e gli amici, abbiamo dovuto accontentarci di qualche scambio di messaggi, di qualche spaccone e noi senza possibilità di rispondere … Ci sarà tempo. Ora siamo sulla buona strada, abbiamo un mare biblico per ascendere verso l’Europa, a casa e portiamo con noi un’altra realtà di questo incredibile pianeta blu!

Para os locais, esta incrível ilha a sul da Índia sempre teve o nome de Lanka, mas os Romanos chamaram-lhe de Trapobana, os comerciantes muçulmanos de Serendib (Ilha das joias em Árabe) e os Portugueses, os primeiros europeus a lá chegar, distorceram Sinhala-dvipa (Ilha dos Sinhaleses) para Ceilão. 150 anos depois foram colonizados pelos Holandeses que traduziram o nome para Ceylan e outra centena e meia de anos depois foi a vez dos Ingleses invadirem a ilha e remodelarem o nome para Ceylon. Só nos anos 70, com a criação de uma nova constituição, é que o país decidiu recuperar o nome original Lanka acrescentando-lhe o Sri, um título de respeito.

A história dos nomes da ilha conta-nos um pouco da sua História recente mas o que realmente nos entusiasmou foi a sua História mais antiga – acredita-se que ali tenha existido há 32 mil anos, uma civilização com tecnologia e dimensão superior à dos Egípcios! E que destes ainda existem descendentes, embora num reduzidíssimo número, os Veddahs (Pessoas da floresta ou Espíritos da Natureza), caçadores-coletores que vivem em total harmonia com a natureza, deslumbrante, rica em florestas tropicais e reservas naturais, com uma biodiversidade endémica que muito poucos países conseguirão destronar.

 

E é também aqui que mora um dos seres vivos mais antigos do planeta! Há cerca de 2000 anos os Indianos trouxeram o Budismo e um ramo da Bodhi Tree, aquela que protegeu Budda no momento da Iluminação. Plantaram-na num sítio especial e hoje ela é a Sri Maha Bodhi, um tesouro nacional, uma árvore com mais de 2000 anos, rodeada de templos-relíquias da mesma época! Não, não tivemos tempo de ir sentir este magnifico ser. Ficava a 6 horas de comboio e nós já tão atrasados na época ideal para subir o Mar Vermelho. Contentamo-nos em visitar outros locais interessantes mais perto de onde estávamos atracados, no Porto de Galle, na Região Sul.

 

 

Contam que Galle deve o nome a um galo que cantou aquando da chegada dos Portugueses a esta baía. Que construíram um Forte, que mais tarde foi destruído e reconstruído pelos Holandeses. Hoje, o Galle Fort é um dos oito locais da ilha reconhecidos como património mundial da Humanidade pela UNESCO. Oito! Numa ilha com o tamanho da Irlanda mas com o quádruplo da população 😉

O Forte de Galle é uma charmosa cidadela colonial com pitorescas ruelas, restaurantes, lojas, casas e igrejas antigas recuperadas, onde ao fim da tarde os namorados vão ver o pôr-do-sol, os turistas passeiam pelas muralhas, uns locais jogam cricket – o desporto nacional – e outros dão mergulhos espetaculares para o mar em troca de moedas. É a zona turística da cidade, mas não está sobrelotada, está cuidada e convidativa. Gostamos muito!

Também fomos ao Udawalawe National Park, uma reserva com cerca de 500 elefantes, búfalos de água, crocodilos e muitos outros animais selvagens no sítio onde devem estar, no seu habitat natural. Quisemos ir de autocarro público, pois para além de ser mais barato seria uma experiência sociológica e cultural! Tinha a informação de que às sete da manhã havia um autocarro direto que demorava cerca de duas horas a chegar à vila mais próxima do parque. Quando chegámos o dito autocarro tinha partido às 6:30 e sugeriram-nos apanhar um outro que ficava a meio do caminho mas que a partir de lá seria fácil arranjar ligação. Resultado – tivemos de apanhar quatro autocarros repletos de gente, música e côr e cinco horas depois lá chegamos! Do ponto de vista social foi muito interessante, do ponto de vista das costas e das crianças, foi uma experiência a evitar!… Para ajudar ao bom humor da descendência, quando chegamos chovia torrencialmente e nos snack-bares locais só vendiam comida local e picante!! O que nos fez recuperar os sorrisos foram mesmo os enormes jipes para fazermos um safari pelo Udawalawe National Park – E foi espectacular!!!

Outro acontecimento interessante foi termos apanhado o Ano Novo dos Sinhaleses, etnia predominante no Sri Lanka. Este ano, o ano começou a 14 de abril, o que nem sempre acontece já que se gerem por um calendário astrológico que tem pequenas variações de ano para ano. E tal como na nossa tradição, nos últimos dias do ano, tudo é agitação, compras, trânsito e no 1º dia do ano não se vê vivalma na rua – o que foi excelente para passear de bicicleta! O comércio e os serviços fecham e todos recolhem ao ambiente familiar. E não compreendemos bem se seria tradição da época convidar alguém de fora nestes dias, ou se este povo é realmente de uma hospitalidade incrível, a verdade é que fomos convidados para jantar pelas 3 únicas pessoas que conhecíamos, Ekka, o condutor de tuk-tuk, Mr. Chatura, o agente que contratamos para nos tratar das formalidades de entrada no país (Tango Shipping Agency) e Herath, segurança do porto onde estávamos atracados! Em dias diferentes, levamos sobremesas portuguesas e confraternizamos com as suas queridas famílias, que fizeram questão que trouxéssemos para o barco as suas sobremesas tradicionais. E para quem está há tanto tempo longe do aconchego do lar, nem imaginam o bem que isto sabe!

Ekka

Equipa da Tango Shipping Agency

Famílias acolhedoras e culturalmente tão diferentes de nós. Das três famílias que nos convidaram, só numa é que um dos elementos da família se sentou à mesa connosco, Mr. Chatura. A restante família comeu na cozinha e só depois da refeição é que nos juntamos todos numa outra sala para o convívio. Com as outras duas famílias, apesar de insistirmos para que nos sentássemos todos juntos, não conseguimos que tal acontecesse. Basicamente serviram-nos satisfeitos e nós aceitamos ser servidos de modo a respeitar o que parecia ser a tradição local. Uma tradição estranha, uma tradição do outro lado do mundo, onde o sim se manifesta meneando lateralmente a cabeça e o não, com um outro abanar de cabeça difícil de imitar!

 

E viajar é isto tudo, partilhar tradições, descobrir outras formas de estar, ver passeios estragados pelo mau tempo, andar à procura de pássaros que assobiam como pessoas, comprar o que há e não o que se quer, desesperar e aceitar regras que não se compreendem, ficar com vontade de ver mais, sonhar com o regresso a casa e  no fim, agradecer a oportunidade e pedir a todos os Deuses que esta viagem continue a correr bem!

“In the sea we are all brothers!” foi o que nos disse o Capitão do navio da Marinha Paquistanesa quando os quatro de mãos juntas agradecíamos a ajuda que nos prestaram. Depois de 16 dias de calmarias alternadas com ventos e correntes de frente tínhamos gasto quase toda a tonelada de gasóleo com que carregamos o Benyleo para fazermos a delicada travessia do Sri Lanka para Eritreia. E a dois terços do percurso, justamente entre a Somália e o Iémen, estávamos a ficar sem combustível…  Impossibilitados de ir a terra, contactamos via VHF um navio que teve a iniciativa de comunicar a nossa situação à Marinha Francesa e através do telefone por satélite informamos o UKMTO (entidade inglesa que monitoriza a zona) da nossa necessidade. Foi organizado um encontro no dia seguinte e pelas 15 horas um navio de guerra aproximou-se lentamente. Era o ALAMGIR que generosamente nos passou a mangueira de abastecimento de gasóleo. Ainda perguntaram se precisávamos de mais alguma coisa, ao que o Armindo respondeu “farinha” e eu “água” quase ao mesmo tempo. Não que estivéssemos com poucos víveres, mas a farinha já era pouca e numa casa portuguesa, mesmo que flutuante, não pode faltar o pão! Assim, além dos 500 litros de gasóleo, enviaram-nos 20 kg de farinha, 30 litros de água engarrafada e 4 saquinhos com ofertas que nos arrebataram de vez o coração! 😊 Ainda cheios de cortisol a correr nas veias devido ao stress da operação, estávamos de repente a abrir embrulhos, qual Natal em pleno mês de maio!! Ofereceram-nos bonés, canecas, pins, chocolates, sumos e bolachas. Quanta gentileza e sensibilidade revelaram estes senhores do mar. Vimos por detrás das metralhadoras e dos canhões homens organizados, sorridentes e com orgulho do que estavam a fazer. E para nós, mais um episódio que jamais esqueceremos. Sim, Capitão, que ao menos no mar sejamos todos irmãos!!

A travessia do Golfo de Áden foi sem dúvida a travessia mais pensada, estudada e preparada de toda esta viagem de circum-navegação por vários motivos:

– Por ser uma longa travessia, cerca de 2500 milhas, que para um veleiro com uma velocidade média de 4 nós implica vinte e tal dias de mar;

-Por ser uma zona geográfica onde os ventos e as correntes poderão ser desfavoráveis;

-Por toda a zona do Golfo de Áden, na entrada sul do Mar Vermelho, ser considerada uma zona de risco de pirataria;

-E por sabermos que de fevereiro a abril (época de subir o Mar Vermelho) de 2018 tinha sido reportado um barco desaparecido, um veleiro seguido durante quatro horas por barcos suspeitos que se retiraram quando apareceram os navios de guerra que patrulhavam a zona, e 30 veleiros tinham passado sem quaisquer complicações.

Perante este cenário ponderamos muito sobre o caminho a seguir. As outras opções eram igualmente difíceis:

-Pôr o nosso Benyleo num navio que o levasse para o Mediterrâneo. Esta opção além de muito cara (cerca de 30 mil euros) poderia demorar vários meses a concretizar-se;

-Pagar a um skipper que levasse o barco para o Mediterrâneo. Além de também ser caro, o Armindo sentia dificuldade em confiar a nossa atual casa, com os problemas que tem, a outra pessoa. Também pensamos na possibilidade do Armindo ir com o skipper e eu e as crianças de avião, mas será que arranjaríamos quem aceitasse tal serviço no final da época favorável? E para quando?

-Ir por África do Sul fora da época favorável. Arriscar-nos-íamos a condições meteorológicas adversas e inviabilizaríamos o finalizar desta viagem juntos, já que a minha licença sem vencimento termina em setembro de 2018 e dentro desse período nunca conseguiríamos chegar no Benyleo aos Açores;

-Levar o barco para os Emirados, vende-lo e voltar de avião para casa.

Com certeza que poderiam ser imaginadas mais opções, mas estas foram as que ponderamos. Ouvimos também opiniões de velejadores confiantes e de outros que nos aconselharam a não o fazer. Ouvimos histórias de pirataria moderna e relatos favoráveis num grupo secreto do Facebook sobre o tema. Recebemos discursos de encorajamento de familiares e amigos e escolhemos continuar. Tivemos o apoio informativo da Marinha Portuguesa, que nos contactou de iniciativa própria e nos orientou para nos registrarmos no UKMTO e no MSCHOA, organizações que monitorizam a área e ás quais fomos sempre reportando o evoluir da travessia.

E depois de 21 dias de muito mar cintilante chegamos a Eritreia, aliviados e cheios de vontades terrenas!!!


“In the sea we are all brothers!” was what the Captain of the Pakistani Navy ship told us when the four of us, together, thanked for their help. After 16 days of calms and winds and currents in the nose we had spent almost all the ton of diesel with which we loaded the Benyleo to make the delicate crossing of Sri Lanka to Eritrea. And on two-thirds of the way, just between Somalia and Yemen, we were running out of fuel … Impossible to go ashore, we contacted via VHF a ship that had the initiative to communicate our situation to the French Navy and through the telephone by satellite we also inform the UKMTO (English entity that monitors the zone) of our need. A meeting was organized on the following day, and by 3 o’clock a warship approached slowly. It was ALAMGIR who generously handed us the gas supply hose. They even asked if we needed anything else, to which Armindo replied “flour” and I “water” almost at the same time. Not that we had few supplies, but the flour was too few, and in a Portuguese house, even in a floating one, bread can not be lacking! So, in addition to the 500 liters of diesel, they sent us 20 kg of flour, 30 liters of bottled water and 4 sachets with offers that took our heart for good! 😊 Still full of cortisol running in the veins due to the stress of the operation, we were suddenly opening packages, like Christmas in the middle of May !! They offered us caps, mugs, pins, chocolates, juices and wafers. How much gentleness and sensitivity have these sea lords revealed. We saw behind the machine guns and cannons organized men, smiling and proud of what they were doing. And for us, one more episode we will never forget. Yes, Captain, at least at sea we are all brothers !!

The crossing of the Gulf of Aden was undoubtedly the most thoughtful, studied and prepared crossing of this whole voyage of circum-navigation for several reasons:
– Because it is a long crossing, about 2500 miles, for a sailboat with an average speed of 4 knots implies twenty days of sea;
-By being a geographical area where winds and currents could be unfavorable;
– Because the Gulf of Aden area, at the southern entrance to the Red Sea, it is considered an area of high ​​risk of piracy;
-Also from February to April (best time to sail up  the Red Sea) of 2018 a missing boat had been reported, a sailboat followed for four hours by suspicious boats that withdrew when the warships appeared, and 30 sailboats had passed without any complications.

Given this scenario we ponder a lot on the way forward. The other options were equally difficult:
-Put our Benyleo on a ship that would take him to the Mediterranean. This option, besides being very expensive (about 30 thousand euros), could take several months to materialize;
-Pay a skipper to take the boat to the Mediterranean. As well as being expensive, Armindo found it difficult to trust our home, with the problems that she has, to other person. We also thought about the possibility of  Armindo going with the skipper and I and the children by plane, but would we arrange who would accept such service at the end of the favorable season? And when?
-Going through South Africa outside the favorable season. We would risk adverse weather conditions and would make it impossible to end this trip all together, since i have to go back to work in September 2018 and within this period we could never reach with Benyleo to the Azores;
-Take the boat to the Emirates, sell it, and fly home.
Surely more options could be imagined, but these were the ones we pondered. We also hear opinions from confident sailors and others who have advised us not to do so. We have heard stories of modern piracy and favorable reports from a secret Facebook group on the subject. We received speeches of encouragement from family and friends and chose to continue. We had the informative support of the Portuguese Navy, who contacted us on their own initiative and guided us to register at UKMTO and MSCHOA, organizations that monitor the area and to which we have always been reporting the evolution of the crossing.
And after 21 days of very shimmering sea we arrived in Eritrea, relieved and full of earthly wills !!!