Depois de uma semana de mar agreste com nuvens negras, chuvas, ventos e correntes de frente, barcos de pescadores e muito lixo flutuante; depois de uma constante dança de põe vela e tira vela, caça cabos e muda de bordos, liga motores e desliga motores; depois de navegar um mar que mais se assemelhava a um terreno de guerra minado tal era a quantidade de bóias com cofres para evitar, necessitamos parar para abastecimentos. Escolhemos uma pequena baía em Kalimantan, ilha indonésia partilhada com Borneo, para sermos rápidos e de forma a evitar burocracias. Combinamos com os irmãos do Armindo no início de março na Tailândia e ainda temos muitas milhas até lá chegar. Tentamos ancorar, mas a ancora não pegou, o fundo lamacento não permitiu agarrar. Encostamos a um pequeno cais seguindo o convite e as sinalizações de dois curiosos locais que observavam as nossas manobras frustradas. A eles juntaram-se mais meia dúzia de alegres crianças vindas não sei de onde. E depois mais três senhoras que entre a vergonha e a curiosidade sacaram do telemóvel e começaram a tirar-nos fotos. Em pouco mais de cinco minutos o arraial estava montado e naquela enchente de gente o incrível denominador comum, era o telemóvel!!

 

Ninguém falava inglês, mas a comunicação foi fluida, mostramos os bidões de água vazios e pouco depois tínhamos 40 litros de água engarrafada a entrar no Benyleo, mostramos os jerricans de gasóleo cheios de ar e em breve ali estava uma senhora de carrinho de mão de madeira com o precioso líquido, negro e de qualidade suspeita, mas que perante a necessidade foi bem-recebido. Foram acolhedores, honestos nos preços e ainda nos ofereceram uma fruta, que nunca tínhamos visto, para experimentar. Agradecemos e cooperamos na incrível sessão fotográfica que se montou! Alguns mais arrojados subiram para o barco enquanto o Armindo foi procurar quem trocasse dólares por rupias. Ao quinto tive de impor o limite, com sorrisos, claro! Estávamos tão perplexos quanto eles com o que se estava a passar, a curiosidade e o espanto eram mútuos. O Armindo voltou com o dinheiro e fruta. Aproveitei para descer do barco, queria ir procurar vegetais e espreitar a localidade, mas não consegui passar a pequena multidão porque toda a gente queria fotos, “selfies” com a estranha, e deduzo que rara, loira que chegou de barco à vela. Foi até me doerem as bochechas de tanto sorrir! Voltei ao barco e insisti pouco depois, de câmara ao ombro e postura de quem-agora-vai-tirar-fotos-sou-eu, saí do Benyleo. E voltei a desistir!!… Por falta de assertividade e aceitação de que nós é que somos os estranhos, nós é que somos a novidade do dia, e a prioridade é deles!!

 

 

Que experiência!!! Surreal Kalimantan!! Ficarão para sempre no nosso coração <3

Indignada comentei com a Nini, portuguesa que vive há vários anos em Bali, que tinha de ir a Singapura só para renovar os nossos vistos, ela respondeu “Ah! vais fazer uma visatrip!”. Desconhecia o termo, muito familiar para quem quer prolongar a sua estadia em Bali. Quem entra de avião, vê o seu passaporte ser carimbado gratuitamente e fica contente. Concedem 30 dias de estadia, mas não informam que existe um outro tipo de visto, um visto que permite os mesmos 30 dias com o pequeno pormenor de ser extensível! Este segundo custa 35 dólares e é uma opção de quem entra –  ou de quem o sabe!! E raramente um estrangeiro o sabe!…. Enfim, fiquei furiosa mas seguindo as orientações dos serviços de imigração, no dia seguinte, meti-me num avião com as crianças e fui a Singapura. Mais uma vez retiramos o melhor da experiência e adorámos o pouco que vimos – Ficamos surpreendidos!! já que não somos fãs do turismo urbano. Pena foi a estadia ser tão curta! Sem dúvida que tentaremos lá voltar com o nosso Benyleo!! 😊

Gosto de perceber o nome dos sítios – Conta uma lenda malaia que um príncipe de Sumatra ao visitar esta ilha viu um animal que julgou ser um leão, dando-lhe por isso o nome de Singapura (Lion City). Mais tarde deram-lhe o nome de Temasek (Sea Town) e esta, devido á sua excelente localização rapidamente se tornou um importante posto comercial.

E da História – Em 1613 os portugueses chegaram e incendiaram totalmente a cidade! E enquanto ocuparam Malaca, Singapura não voltou a ter a importância de antes. Foi “gerida” por Holandeses, Ingleses, Chineses e Japoneses. Passou por conturbadas crises sociais e politicas e só em 1965 nasceu a Republica de Singapura como um estado autónomo. Passados apenas 10 anos era o 3º porto mais importante a nível mundial, a seguir a Roterdão e Nova York, e possuía a 3ª maior refinaria mundial. Em 2004 o aeroporto de Changi é consagrado o melhor aeroporto do mundo, ultrapassando os 30 milhões de passageiros regulares, o que revela muito acerca da importância deste pequeno país asiático!

Singapura, uma ilha em crescimento (literalmente, já que desde a independência conquistou ao mar 100Km2 e ainda planeia aumentar outros 100 no futuro!!…), é uma referência mundial, economicamente e tecnologicamente. Mas socialmente…. é só para os que podem trabalhar! Aqui não há direito à reforma – e sim, é desolador ver velhinhos curvados a recolher tabuleiros e a dar informações no metro… Educação? Dizem que têm das melhores do mundo, exigente e caríssima!!!

Mas a próspera Singapura pergunta-se o que é ser cingapuriano, tal é a miscelânea de culturas e religiões que a compõem. A cidade, que não é grande e tem uma China Town e uma Litle India, diz partilhar um conjunto de valores, os da subserviência à família e à autoridade, a disciplina, o trabalho árduo e o desejo de sucesso. E sim, este é um dos maiores choques Ocidente/Oriente. Quem decide quem é que está certo?!  Os Orientais acusam os ocidentais de disrupção e dificuldade em aceitar regras, os Ocidentais acusam os outros de falta de criatividade e pensamento lateral… Na minha humilde opinião, a Humanidade só tem a ganhar com estas diferenças 😉

 

Uma obra-prima do design urbano – Gardens by the Bay

Os maiores do Mundo –  têm a maior estufa do mundo, a maior cascata indoor do mundo, o maior aquário do mundo, a maior piscina do mundo, a maior roda gigante do mundo e a maior concentração de milionários do Mundo!!!! E eu que julgava que os portugueses tinham esta paranóia, até têm… mas aqui têm muito mais!!!

 

 

 

Até breve Singapura!!

 

Bali é uma ilha surpreendente e quanto mais a conhecemos, mais maravilhados ficamos!

Decidimos passar boa parte da temporada natalícia em Ubud, no interior da ilha. Embora também aqui seja inverno, o termómetro não baixa dos 26 graus e a diferença para o verão está na temperatura e na quantidade de chuva – chove quase diariamente, por pouco tempo. Aqui, somos nós os “nórdicos”, enquanto eles usam camisas de manga comprida e vestem casacos, nós queremos piscina!! Elas estranham e comentam que os meus filhos têm um sistema imunitário forte por ficarem tanto tempo na água com “aquele tempo”, mas para nós isto é verão e há que aproveitar a piscina 😉

Historicamente, está documentado em registos de folha de palmeira que a vila de Ubud, remonta ao séc. VIII, aquando da vinda de um homem Santo, indiano, Rsi Markandeya, que numa viagem espiritual chegou a Bali e nas redondezas desta vila encontrou águas e plantas especiais que o levaram a escolher este local para edificar templos e passar os ensinamentos do Hinduísmo.

Markandeya trouxe também o sistema de irrigação dos arrozais, ainda hoje usado e reconhecido como paisagem cultural e património mundial pela UNESCO. Um sistema de irrigação tradicional que é também uma manifestação da inspiradora filosofia Tri Hita Karana, uma das filosofias do Hinduísmo que se traduz em “Três maneiras de atingir o bem-estar físico e espiritual”. A essência desta doutrina passa por conseguir uma relação de harmonia em três vertentes: harmonia entre os seres humanos, dos seres humanos com o ambiente e destes com o Deus supremo.

Além da beleza, estes arrozais foram considerados património mundial por serem “um sistema democrático e igualitário de prática de cultivo criado pelos balineses a fim de tornar mais prolífico o cultivo de arroz no arquipélago desafiando a grande densidade populacional da região”, salientando-se a importância da preservação de uma técnica ecologicamente sustentável.

Séculos mais tarde, com a desintegração do grande reinado de Majapahit, assistiu-se ao êxodo massivo de nobres de Java para Bali, que aqui se estabeleceram e ergueram grandes palácios. Consigo trouxeram um legado artístico riquíssimo, sob a forma de dança, música, teatro, pintura, literatura, escultura, etc. É curioso que em balinês não existe uma palavra específica para arte ou artista, tal maneira esta forma de expressão está enraizada na cultura local, que preserva e sabe valorizar o seu património material e imaterial.

Em Ubud os espetáculos de dança e teatro são diários e a preços acessíveis (cerca de 7€/adulto e as crianças não pagam). Consolam-nos os olhos, os ouvidos e alma!! Nunca vi os nossos filhos tão atentos e tão interessados em repetir uma peça de teatro – nós adoramos especialmente a Legong Dance!!

 

  

Também gostamos muito do Sacred Monkey Forest Sanctuary, uma área florestal no coração de Ubud, igualmente conservada segundo o conceito Tri Hita Karana, e que proporciona a proteção de uma grande área verde, a preservação de três templos e o albergue de cerca de 600 macacos adaptados ao convívio com o Homem.

É uma sociedade fervorosamente hindu, com templos em todas as vilas, altares em cada esquina e oferendas aos Deuses em todas as portas!!  Templos, que são cuidadas obras de arte, abrem-se aos curiosos turistas e aos dedicados praticantes… 

Foi também em Ubud que começou o movimento artístico moderno de Bali, com a formação de cooperativas artísticas e a reunião de grandes coleções, expostas nos vários museus da vila. Uma vila invulgarmente recheada de artesãos que trabalham nas mais diversas áreas e temas e por isso este é o Local para quem aprecia Arte e Cultura. E é também o local onde dá vontade de perder a cabeça a abrir os cordões à bolsa! Além dos restaurantes, spas e resorts de bom gosto, as lojas, os mercados e as oficinas atraem e despertam a vontade de comprar!! Já há muito que contrariamos essa vontade por ideologia, mas em Ubud, com aqueles preços, custou-me, confesso!… Limitámo-nos a apreciar tais expressões humanas e só compramos dois gamelões, instrumentos musicais que nos fascinaram…

Focamo-nos em experienciar, fizemos um workshop de culinária balinesa, tomamos banho nas águas sagradas, visitámos templos e santuários com fartura. Os adultos escolheram a massagem balinesa e as crianças foram a um borboletário com mais de 200 espécies de borboletas vivas!!

 

  

A vista do bungalow que alugamos

O atencioso e muito sorridente staff do Dewangga Bungalow, onde ficamos!

Optámos por não comprar mais objetos, queremos reduzir o nosso consumo e sabemos que o planeta agradece 😉

Depois de um belo mês em terras lusitanas, onde além de saciarmos saudades crescemos mais um pouco, no dia 10 de dezembro voltamos ao aeroporto Francisco Sá Carneiro. O Ana já dava ares da sua graça, mas foi um atípico nevão em Amesterdão que fez atrasar cinco horas o nosso voo. Por causa disto, quando chegamos á terra das tulipas, o voo para Singapura já tinha partido… O aeroporto estava um caos e o manto branco fez a KLM cancelar todos os voos. O cenário era caótico, uma fila de 200 pessoas para obter qualquer informação da KLM, outra de 300 para reservar hotéis. Passageiros stressados e funcionários sem respostas… E porque felizmente as crianças nos “pedem” autocontrolo sentei-me em frente a um parque infantil vazio, para eles brincarem enquanto eu procurava a solução no google! Minutos depois, o funcionário de um hotel do aeroporto, que antes me tinha dito ter tudo lotado, veio ter comigo. Quis ajudar-me, esperava o cancelamento de uma reserva em breve e disse-me que esperasse ali mais um pouco. 15 minutos depois fui ter com ele, as ditas reservas não foram canceladas, mas ele fez-me uma reserva num hotel no centro de Amesterdão. Aliviada, já que corria entre os passageiros que Amesterdão estava “cheia”, agradeci-lhe pela sensibilidade e ajuda e ele ainda nos ofereceu duas garrafas de água, que custavam 3,50€ cada uma!

Decidi – Vamos dormir e amanhã tudo se resolve! Sem bagagem, dirigimo-nos para a saída, quando de repente entramos num salão com cerca de 400 pessoas para mostrarem a identificação e saírem do aeroporto… já passava da uma da manhã e eu tive um ataque de riso, incompreendido pelos meus filhos! À boa moda portuguesa fui conversando com os meus vizinhos de espera, com histórias parecidas á minha, sem a agravante das duas crianças… Um amável holandês ofereceu-se para procurar no seu telemóvel informação sobre a remarcação do meu voo, já que a net que eu tentava usar, a do aeroporto, não funcionava. O meu receio era que o nosso voo fosse de manhã cedo e nós o perdêssemos por falta de informação, e à possibilidade de o remarcar também!… Não descobriu, mas mais uma vez apreciei a gentileza e a pura vontade de ajudar. Depois da interminável fila, quase à saída do aeroporto vi três senhoras da KLM e fui tentar a minha sorte. E desta vez, ganhei!! Uma delas levou-nos para um dos balcões já encerrados da KLM e remarcou-me o voo para as 20:50 do dia seguinte 😊.

 

Contentes, com o problema resolvido e a possibilidade de desfrutar do nevão e da aliciante Amesterdão, fomos procurar um táxi. A senhora da KLM também nos informou que a companhia aérea se iria responsabilizar pelo transtorno pagando hotéis, transportes e refeições. E como todos procurávamos o mesmo, a fila para os táxis não era diferente das outras… E porque até num país civilizado como a Holanda há aproveitadores, haviam homens a oferecer serviço de transporte pelo triplo do preço… A mim pediram-me 80€ e com vontade de o insultar, disse simplesmente que NÃO!

O chão estava cheio de gelo e nós calçados e vestidos para ir para Bali!!… Não podíamos ficar uma hora ao frio… fui procurar um autocarro e bingo outra vez! 5 minutos depois estávamos num autocarro vazio e climatizado que por 7€ nos deixou aos três a dois minutos do hotel! Demos entrada e já só faltava jantar. A cozinha estava fechada, apontaram-nos o bar quase a encerrar. Pedi 3 copos de leite, já que não tinham nada para comer…  Copos que a simpática holandesa também nos ofereceu porque esta bebida não constava do cardápio!! 😉 Agradecemos e fomos dormir.

O hotel, de excelente aparência, era afinal um hostel, sem toalhas e com camas por fazer! Um mal menor. Era limpo, quentinho e basta! Ao lado tínhamos o Vondelpark todo branquinho! E apesar da nossa roupa e calçado não serem os adequados, no dia seguinte compramos barretes e fomos curtir a neve. A alegria de ver nevar a sério!! Fizemos um boneco de neve e divertimo-nos atirar bolas de neve para um lago quase gelado 😊. Voltamos para o hostel para secar as únicas roupas que tínhamos e o funcionário do hostel ofereceu lápis de cor e livros de atividades infantis á Benita e ao Leonardo, que ainda não os largaram!!

 

Ao fim do dia voltamos para o aeroporto coberto do dito branco fofo. Será que há voo hoje? Atrasou duas horas, mas houve 😊 e cerca de 13 horas depois aterramos em Bali, onde já era noite outra vez. Foram mais de 48 horas em viagem que nos mostraram, mais uma vez, como o mundo está cheio de gente boa! E que do cenário mais assustador se pode tirar tanto de bom😉

 

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Bali é um destino turístico e isso fez-nos recear a desilusão. Não gostamos de filas ao sol, do trânsito, do reggaeton na praia, do desprovimento cultural e da desindividualização do turismo de massas. A Indonésia apregoa-a como a ilha que melhor sabe receber visitantes – Suspeito!… Até agora os que melhor nos receberam foram os que raramente viram turistas!…

Chegamos num feriado religioso, as oferendas aos Deuses estavam por todo lado, nos altares para os Deuses bons, no chão para apaziguar os maus. Oferecem alimentos, água, incenso, dinheiro, flores, frutas, sumos e até pastilhas elásticas!!! Ao contrário do resto da Indonésia muçulmana, em Bali praticam o Hinduísmo, mas diferente do da Índia, o Hinduismo Balinês, e também têm um sistema de castas, mas sem os “intocáveis” e com a grande maioria da população pertencente à mesma casta.

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A nossa estadia foi curta, mas devido aos simpáticos preços dos voos, ali esperamos voltar 😊 Sim, recebem muito bem, tem praias  lindas, sugestivas montanhas que chegam aos 3000 metros, pores do sol fantásticos e uma biodiversidade marinha incrível. O Hinduísmo traz exotismo e o riquíssimo e tão interessante património cultural parece ser cuidadosamente preservado. Têm desportos de aventura e super-spas, locais de meditação e hostels baratos, Bali dá para todos! É pequena, pode dar-se a volta à ilha de carro num dia, mas é cheia, tem muito que ver, explorar, aprender, sentir!

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Gostamos muito e agradecemos a oportunidade de conhecer mais um lindo lugar 😊

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Saímos da Polinésia Francesa à pressa. Alterámos os planos de passar a época dos furacões na Austrália e propusemo-nos a navegar cerca de 5500 milhas náuticas em 40 dias. A época dos furacões começa em novembro e só acima da latitude 4 é que poderemos velejar seguros. Também decidimos que eu iria fazer uma pausa nestas saudades que me corroem e celebrar o 70º aniversário da minha mãe com ela, no Porto. Tivemos de deixar para trás muitas ilhas e paraísos por visitar, mas isso é algo com que lidamos desde o início desta viagem. Para nós, mais uma prova de fogo, tantas milhas de mar, tanto tempo sozinhos, os quatro entre o imenso azul de baixo e o imenso azul de cima…

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Foram cerca de 1200 milhas para a American Samoa, onde parámos 3 dias, abastecemos, descansámos, turismámos um pouco e seguimos para as Solomon Islands.  1600 milhas depois chegamos a San Cristobal Island, a um lugar perdido no tempo, uma calorosa aldeia indígena que para sempre nos fará sorrir ao recordá-la… Makira Harbour!  A seguir, 900 milhas de correntes cruzadas, nuvens negras, relâmpagos, chuva diária e ventos fortes e fracos levaram-nos à Papua Nova Guiné, à terra dos canibais! Parámos na capital, Port Moresby, 5 dias porque chegamos sábado e tivemos de aguardar que a embaixada da Indonésia abrisse na segunda-feira para pedirmos o visto de entrada na Indonésia, que só fica pronto no dia seguinte. Abastecemos, descansámos, comunicámos com o mundo, mas não nos esticámos na exploração do lugar. A cidade mostrou-se desorganizada, abrasadora, suja e indesejável… Com os extremos sociais lado a lado, uns a lutar pela segurança, os outros pela sobrevivência…  Desta vez, sem pena de partir, seguimos para a etapa seguinte, 1320 milhas até Dili, em Timor Leste. Esta travessia incluiu a passagem pelo temido Torres Strait, um estreito com pouca profundidade entre a Papua e a Austrália, com muitas ilhas, recifes, corais em pináculo e bancos de areia. Sem uma carta fiável, seria uma loucura! Não foi fácil, cruzámo-nos com muitos navios e apanhámos ventos fortes. O  Benyleo surpreendeu-nos com 13 nós de velocidade várias vezes. No fim, só se guarda o sabor do sucesso e o objetivo alcançado dá-nos ânimo. Depois do estreito mudamos de Oceano – e finalmente entramos no Índico! A cor do mar mudou, a meteorologia também, entramos em calmaria… 10 dias sem vento, mais de 3 centenas de litros de gasóleo e muito abuso dos frágeis motores para chegamos ao destino há muito sonhado – Timor! Infelizmente para uma curtíssima visita… agora faltam mais 600 milhas para chegarmos a Bali, mais uma ilha paraíso, onde os voos ficam por metade do preço e eu tenho de chegar antes do 14 de novembro 😊

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Festim de atuns!

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Vem aí chuva!!

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As nossas visitas mais frequentes e que nos enchem sempre de alegria!

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Até à próxima!!

Fugimos ao roteiro e parámos em San Cristobal, nas Solomon Islands. Não sabíamos nada sobre a ilha e muito pouco sobre o arquipélago que dá nome a um mar – Solomon Sea. Fomos à procura de Internet, precisávamos comunicar que estamos bem depois de uma travessia de 10 dias. Parámos na Star Harbour, as cartas indicavam ser o porto com melhores condições. Bem sinalizado, abrigado e sarapintado por casitas de madeira com telhado de folhas e alguns olhinhos tímidos e curiosos à espreita. Não havia internet e a estrada para a capital, Kira Kira, tinha sido engolida pela vegetação exuberante…

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O vento de frente para Kira Kira levou-nos a procurar outra opção. Perguntámos a uns pescadores onde poderíamos encontrar internet. Makira Harbour, responderam hesitantes.  Avante é que é caminho e a esperança mora connosco! Paramos para descansar, uma noite de sono seguido, numa baía abrigada, tranquila, com tudo tão estranhamente estático que quase parecia termos parado no tempo. Uma noite de luar, onde não se via qualquer vestígio humano mas ouvia-se, risos de crianças, tantos e tão mágicos que não pareciam deste mundo… Ao amanhecer, no silêncio absoluto, zarpamos e umas horas depois chegamos ao lugar que ainda estamos a processar!

IMG_4864Foi incrível, nunca tivemos uma recepção assim e nunca mais voltaremos a ter!! Dezenas de crianças vieram de piroga ter connosco, algumas nuas e acanhadas deixaram a curiosidade falar mais alto. Encostaram-se ao Benyleo à espreita. Começou a chover torrencialmente e eles não abandonaram o posto. Riam, falavam entre eles e respondiam ao nosso “Hello!” com coragem. Vieram os adultos saber quem éramos, de onde éramos. Os veleiros aqui são raros, foi há um ano que parou o último e não era catamarã. Somos bem-vindos e outras dezenas de crianças e adultos esperam por nós, em pé, na margem, também querem ver e saber quem somos! Receberam-nos com colares de flores e uma simpatia genuína, do mais puro que há1

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IMG_4943Têm uma loja com quase nada. Vivem em palhotas com pequenos painéis solares, vão à escola, pescam e cultivam alguns legumes. Trocamos roupa, champôs, pulseiras, café, cadernos e lápis por feijão verde, beringelas, papaias, laranjas, bananas, batata doce e pomelos. Não havia internet, mas havia boa vontade e emprestaram-nos um telemóvel para ligarmos aos meus pais. Subimos a uma montanha para apanhar rede.

– Mãe, Pai! Estamos bem, desculpem acordar-vos, aqui não há internet, emprestaram-me um telefone. Avisem a família do Armindo! Volto a ligar quando chegarmos à Papua Nova Guiné. Adoro-vos!! Desculpem… Em breve estou aí!

É… a fatura é alta, desta vez nem deu para saber como estavam… Mas a experiência foi única, forte, quase surreal!! A Benita e Leonardo estiveram três horas naquele mar morno a brincar, a andar de piroga e a fazer amigos. As pessoas juntavam-se às dezenas para nos ver passar e quando parávamos, eles também paravam, queriam saber algo sobre nós ou simplesmente olhar. À noite, fomos ouvir Gospel, só os homens é que cantavam e muito mal. E os caminhos de terra, sem iluminação, continuavam cheios de crianças que nos levavam os filhos pela mão e ao colo. Afinal, já eram amigos!!

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Adeus,  incrível Makira Harbour!!

fecho

IMG_4539A arqueologia revela que a Samoa é povoada há mais de 3000 anos, porém, aquando da guerra civil de 1880, os EUA, a Grã-Bretanha e a Alemanha competiram qual seria o poder internacional que ficaria a governar estas ilhas. Segundo reza a História, por decisão de chefes locais, as ilhas a Oeste ficaram sobre alçada da Alemanha, hoje conhecidas como Western Samoa e as ilhas mais Este passaram a chamar-se American Samoa, adivinhando-se facilmente quem ganhou a disputa.

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Foi nesta última que paramos uns dias, mais propriamente na ilha Tutuila, e foi revelador ver como a influência internacional, neste povo polinésio, se mostra ao primeiro olhar comparativo com a Polinésia Francesa. A raiz é a mesma, a terra é igual, mas têm sido “regadas” de maneiras tão diferentes, que o resultado é surpreendente… Uma população maioritariamente obesa, com carros enormes, supermercados com produtos XL, casas pré-fabricadas e o “à vontade” e simpatia americano contrastam com a limpeza, a estética e a organização da vizinha Polinésia Francesa. Mas que não se pense que aqui é a América, porque não é! A cultura polinésia consegue vingar – no uniforme do senhor da emigração, de saia e colar, nas senhoras de flor atrás da orelha, nos adolescentes que usam compridos “panôs” à volta das calças, tanto as raparigas como os rapazes, no mercado com cestos de folha de palmeira cheios de cocos e fruta-pão, no desporto, que também aqui, dá o primeiríssimo lugar das preferências à canoagem.

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“Graduation day!” Os finalistas são premiados com vários colares de chocolates, gomas e rebuçados!!

E só aqui vimos canoas tão grandes!! As várias vilas da ilha competem anualmente em canoas que levam 50 homens cada, imaginem, cerca de 20 canoas, remadas por enormes homens tatuados, milimetricamente regulados por gritos cheios de testosterona. Também não vimos esta competição, mas experimentamos um passeio numa destas canoas e conto-vos, andam a uma velocidade incrível e a energia que ali se sente, faz-nos ter coragem de ir para “guerra” naquilo!!

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Amontoada à volta da baía de Pago Pago, onde ancoramos, fica a Rainmaker Mountein, que faz desta bela localidade a baía mais chuvosa do mundo! E do seu sopé, uma enorme reserva natural, tal é a riqueza da sua flora e fauna – belos trilhos pedestres esperam quem tem tempo para explorar os  cerca de 1000 hectares do National Park of American Samoa. Mas como as nossas crianças são mais de praia, optamos por palmilhar a Alega Beach, umas das muitas praias de areia branca e mar azul turquesa, pejado de corais e peixinhos de encantar.

Muitas maravilhas ficaram por explorar, neste tão aliciante pedaço do mundo, mas aquela que mais me vai ficar no pensamento é o Fagatele Bay National Marine Sanctuary, saído da cratera de um vulcão, alberga mais de 200 espécies de coral e é o porto de abrigo de tartarugas, baleias de bossa e outros fantásticos. Quem sabe, noutro dia, vamos lá 😊

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Os autocarros locais são adaptações “caseiras” de carrinhas e pick-ups!

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Também aqui as danças polinésias estão presentes em todas as festividades e reuniões!

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DCIM100GOPROEscolhemos visitar Huahini, uma das 9 ilhas habitadas do arquipélago da Sociedade, na Polinésia Francesa, por indicação de várias pessoas que conhecemos em Moorea e no Tahiti. Disseram-nos que era a mais selvagem, menos explorada turisticamente e por isso a mais genuína do arquipélago – gostamos disto 😉

 

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IMG_3971Apelidada de “Hermosa” por James Cook, o primeiro europeu a visitar Huahini, a ilha, que no fundo são duas ilhas, Huahini Nui e Huahini Iti, interligadas por uma pequena ponte, mostra-se idílica, como quase todas as ilhas da Polinésia – montanhas verdes e frondosas encaixadas em recifes de coral azul turquesa. Diferencia-se pela pacatez, pelo menor volume de turistas, pelos passeios relvados e ajardinados, pelas casas modestas. Perante este cenário, com poucos carros e uma boa estrada, decidimos dar uma volta de bicicleta em família. E demos a volta a Huahini Iti! Cerca de 25 Km, e os nossos valentes estivam à medida do desafio!

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Pelo caminho visitamos um  dos vários Maraes da ilha, locais arqueológicos, de carácter religioso e cerimonial onde dizem que os sacrifícios aconteciam… E apanhamos papaias, limões, bananas, pomelos e fruta-pão na berma da estrada – fruta de ninguém ou fruta para todos?!

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E vimos algo de muito diferente, frequentemente as casas albergam campas no jardim!  Disseram-nos que a ilha não tem cemitério público. E que, mesmo noutras ilhas que o têm, muitas famílias enterram os seus mortos no quintal para evitar pagar uma taxa anual!!

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Sem dúvida, uma ilha anti-stress, uma ilha de vida simples.  Com certeza com os seus problemas sociais e de saúde, como em todo o lado, mas visivelmente com qualidade de vida – para quem cá mora e para quem a visita!! 🙂

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Maururu Huahini! (Obrigada Huahini!)

 

P1360421 A ilha é rodeada por uma barreira de coral que a abraça e protege, pontualmente interrompida pelos “passes” naturais, que nos permitem entrar e ficar também resguardados. Aqui, por vezes, o vento pára de soprar, como se fechassem uma porta, a montanha reflecte-se linda na água e dentro da lagoa de coral, sentimos-nos como se estivéssemos num aquário de água morna, com plantas que parecem animais e animais que se confundem com as plantas. E com majestosas e esvoaçantes raias… e depois há aqueles peixes, quase exibicionistas, coloridos, sem medo, indiscretos, que nos confirmam quão criativa e incrível a vida é!

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Moorea, chamam-lhe a “irmã mais nova do Tahiti” e a expressão encaixa-lhe bem, a ilha inspira feminilidade e protecção. Paisagens capa de revista, dentro ou fora de água, que nos fazem acreditar no Photoshop – aqueles azuis turquesa existem mesmo😊 e deliciam-nos…

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É uma pequena ilha com 17 mil habitantes, a 12 milhas do Tahiti, a 1 hora de ferryboat, 30 minutos de catamarã, 7 minutos de táxi aéreo, porque a distância é sempre relativa. Há pouco tempo conheci um galego, que enquanto está neste paraíso pede aos amigos que não lhe telefonem, para se sentir mais longe de casa, e nós, a sentirmos-nos demasiado longe… Ele está a umas semanas de casa, nós a um ano!… mas a paisagem consola, as pessoas aquecem-nos o coração, a Natureza inspira e a curiosidade motiva 😊

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Gerard a agarrar a cauda de um tubarão!

Por aqui velejamos com outra família portuguesa, vivem num catamarã Lagoon como nós, o El Caracol e também partilham a sua odisseia no www.entretantoabordo.com. São cinco queridos que muito nos fizeram sorrir, pensar, crescer. Gostávamos de continuar a viajar juntos, numa caravana aquática, numa partilha, na descoberta deste nosso incrível planeta. Com eles quisemos desacelerar, desfrutar mais, mudámos de planos vezes sem conta mas no fim, o velho objectivo da  circum-navegação resistiu. Eles ficam e nós seguiremos para oeste com eles na cabeça e no coração. Obrigada Catarina, Jorge, Gonçalo, Lia e Becas, encontramos-nos nos Açores!!

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