Surpreendente Sudão!

(Also writen in english above the portuguese text)

Nunca me passou pela cabeça visitar o Sudão, não lhe conhecia atractivos e a ideia que tinha era a de um país muçulmano árido onde as mulheres são obrigadas a esconder cada cm de pele mesmo sob um sol ardente. Não me enganei neste último ponto, mas estava bem enganada quanto aos atractivos. Os cinco dias que estivemos em Port Sudan deu para destruir preconceitos e fazer descobertas bem interessantes 😊

O Sudão é um país que tem fronteira com nove países, é o maior país de África e tem mais de 500 tribos e 100 dialectos diferentes. Cada tribo tem uma cultura própria que se manifesta nos rituais, na maneira de vestir, na gastronomia, no formato das casas, na forma de viver. O Norte é muito diferente do Sul. O Norte é desértico pontuado de oásis, o Sul partilha florestas tropicais com o Uganda e o Congo. No Norte cria-se gado, no Sul há hipopótamos, crocodilos, elefantes, girafas, leões e leopardos. No Norte são árabes e andam de corpo tapado, no Sul andam quase nus e vivem em tribos, muitas delas nómadas. No Norte as mulheres tatuam o lábio inferior, no Sul fazem cicatrizes na cara com diferentes significados, mas que geralmente representam coragem nos homens e beleza nas mulheres. E há ainda tribos onde as cicatrizes se alongam ao resto do corpo revelando o estado conjugal e o número de filhos.

 

O Sudão é um dos melhores locais do mundo para mergulhar, cheio de recifes saudáveis, barcos afundados transformados em ecossistemas fantásticos e um mar à temperatura de que o corpo gosta. E é também um paraíso da fotografia com imagens nunca vistas a cada esquina, mulheres enroladas em cor ou no preto total, homens vestidos de branco a rezar de joelhos e testa no chão, virados para Meca, mercados ricos que vendem tudo a granel, o café tradicional servido a 20 cm do chão em mesinhas toscas de madeira, um outro modo de viver!

 

Claro que enquanto país que não está habituado a receber turistas por vezes sente-se alguma resistência. Alguns rejeitam a fotografia e outros impedem-me de fotografar as mulheres mesmo após o consentimento delas. Usei sempre vestidos abaixo do joelho e mesmo assim senti a surpresa das mulheres e o escândalo que era para alguns homens, que me viraram a cara ferozmente. Senti que não devia andar sozinha por causa de uma minoria, pois a maioria mostrou-se afável e interessada em nos conhecer. Facilmente se enceta uma conversa e se é convidado para beber um chá ou um café. Conhecemos uma família que nos convidou para um picnic numa praia privada e que depois aceitou vir jantar ao Benyleo. E conhecemos o Jules, um inglês nascido na Eritreia, que fala árabe e que fascinado com o Sudão ponderava estabelecer-se ali. Sentimos-nos adoptados por aquele gentleman de 71 anos e combinamos um encontro em Itália, para breve 🙂

Outra descoberta interessante foi a forma de comer dos sudaneses, comem no chão, todos do mesmo prato e com as mãos. Quando se vê parece exótico, diferente, longínquo, mas quando nos vimos a partilhar uma refeição com locais, o tal picnic na praia privada com a família de Remi, e quando começo a servir os meus filhos para um prato e me dizem que não faça assim, para comermos juntos da travessa com as mãos, sorrimos e aceitamos os costumes locais. E depois sentimos o quão diferente, íntima e especial se tornou a refeição. Um almoço onde o partilhar do prato nos fez sentir tão próximos e parecidos. Sim, recomendo uma refeição assim e uma grande visita ao Sudão!

It never occurred to me to visit the Sudan, I did not know the attractions and the idea that i had was of an arid Muslim country where women are forced to hide every inch of skin even under the a hotest sun. I was not mistaken on this last point, but I was quite mistaken about the attractions. The five days we were in Port Sudan were enough to destroy wrong ideas and to make very interesting discoveries!

Sudan is a country bordering nine countries, it is the largest country in Africa and has more than 500 tribes and 100 different dialects. Each tribe has its own culture that manifests itself in the rituals, the way of dressing, the gastronomy, the shape of the houses, the way of living. The North is very different from the South. The North is desert dotted with oasis, the South shares tropical forests with Uganda and Congo. In the North cattle are raised, in the South there are hippos, crocodiles, elephants, giraffes, lions and leopards. In the North they are Arabs and they walk of covered body, in the South they walk almost naked and live in tribes, many of them nomads. In the North women tattoo the lower lip, in the South they make scars on the face with different meanings, that generally represent courage in men and beauty in women. And there are still tribes where the scars extend to the rest of the body revealing the marital status and the number of children.

Sudan is one of the best places in the world to dive, full of healthy reefs, sunken boats transformed into fantastic ecosystems and a sea at the temperature that the body likes. And it is also a photographic paradise with images never seen at every corner, women wrapped in colour or in total black, men dressed in white, praying on their knees and brows on the ground, facing Mecca, rich markets that sell everything in bulk, the traditional coffee served 20 cm from the floor in rough wooden tables, it is another way of living!

 Of course, as a country that is not used to receiving tourists sometimes we felt some resistance. Some reject photography and others prevent me from photographing women even after the women consent. I always wore dresses below my knee, and yet I felt the surprise of women and the scandal that was to some men, who turned their faces to me fiercely. I felt that I should not be alone because of a minority, but most of them were affable and interested in knowing us. A conversation is easily made as the invitation to drink a tea or a coffee. We met a family who invited us to a picnic on a private beach and then agreed to come to Benyleo for dinner. And we met Jules, an Englishman born in Eritrea, who speaks Arabic and who was fascinated with Sudan and even thinking to settle there. We feel adopted by that 71-year-old gentleman and we arranged a meeting in Italy, soon.

Another interesting discovery was the Sudanese way of eating, eating on the floor, all on the same plate and with their hands. When you see it seems exotic, different, far away, but when we come to share a meal with locals, like the picnic we share on with Remi’s family, and when I start serving my children for a dish and they tell me not to do so, that we could eat with our hands together, we smiled and accept local customs. And then we felt how different, intimate and special the meal became. A lunch where the sharing of the dish made us feel so close and alike. Yes, I recommend a meal like that and a great visit to Sudan!

One Comment on “Surpreendente Sudão!

  1. Que espectáculo Joana e Armindo! E que inspirador! Bjs e um grande abraço da selva.

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