48 horas em Massawa, Eritreia

(You can read it in english and italian after the portuguese text, kindness of Julles Azzopardi)

Depois de 22 dias de mar chegamos a Massawa, na Eritreia, um lugar perdido no tempo, uma vila de imponentes edifícios destruídos por 35 anos de guerra e abandonados pela pobreza extrema.  Durante o dia a vila fica deserta, estão 40 graus, os serviços só funcionam das 7h às 11h e as lojas, cafés e mercado reabrem depois das 17h. Mesmo assim, ao fim do dia não se vê muita gente, raramente passa um carro ou um autocarro, e nós perguntamos pelas pessoas. Um mais destemido responde que estão presos – Porquê? Não há liberdade de expressão, têm medo de falar…. Também não há trabalho, dizem que não há cimento, sobrevive-se lentamente…

Mas há algo de poético em tanta destruição combinada com a passividade e os sorrisos fáceis da população. É uma normalidade cruel, surreal… facilmente nos convidam para beber um café tradicional aquecido num pequeno fogareiro colocado à porta de casa, dizem-nos para sentarmos nos banquinhos que rodeiam o fogareiro e fazem-nos as perguntas habituais. Sentimos-nos bem e ficamos a ver as mulheres a cozinhar no exterior. Também têm camas cá fora onde alguns dormem e outros esperam. Esperam por trabalho cerca de 30 camiões num descampado árido, como todo o resto. Esperam que os maridos voltem e reconstruam as casas totalmente decadentes onde moram?

As ruínas estão em paz como todo o resto. E nessa paz vejo a beleza dos edifícios antigos, a beleza das mulheres descontraídas nas suas lides, as crianças independentes a brincar na rua. Há esplanadas quase vazias e cinema ao ar livre à noite, projetado numa parede pintada de branco de um dos edifícios mastigado pelo tempo e cuspido pela guerra. Aqui vive-se entre escombros e sem água canalizada.

Vê-se que Massawa já foi um grande porto, uma cidade com vários hotéis, bancos, transitários, comércio, espaço. Vê-se que houve riqueza, o que lhe aconteceu? Não há dúvida que está a morrer e que se vão esquecer séculos de História. Dentro do porto de Massawa visitamos os restos da primeira mesquita do mundo, com mais de 1500 anos! E cá fora vimos outra do séc. XI e outra do séc. XVI a perderem-se nos ventos quentes e nas areias finas.

A internet 2G está ainda pior do que é costume desde que um raio atingiu a antena. Fomos a outra vila para tentar comunicar com o nosso mundo, mas não tivemos melhor sorte. Depois de tantos dias de mar, cheios de vontade de falar com a nossa família e amigos, tivemos de nos contentar com umas poucas trocas de mensagens, algumas desoladoras e nós sem possibilidade de responder… Haverá tempo. Agora seguimos caminho, temos um mar bíblico para subir rumo à Europa, rumo a casa e levamos connosco mais uma realidade deste incrível planeta azul!

After 22 days of sea we arrived in Massawa, in Eritrea, a place lost in time, a village of imposing buildings destroyed by 35 years of war and abandoned by extreme poverty. During the day the village is deserted, it is 40 degrees, the services only work from 7am to 11am and the shops, cafes and market reopen after 5pm. Even so, at the end of the day you do not see a lot of people, there is rarely a car or a bus, and we ask about people. A more fearless responds that they are trapped – Why? There is no freedom of expression, they are afraid to speak …. There is also no work, they say there is no cement, they survive slowly …

But there is something residually poetic about so much destruction combined with the passivity and easy smiles of the population. It is a cruel, surreal normality … gentle and kindly people readily inviting us to drink a traditional hot coffee in a small stove located at the door of the house, we are told to sit on the stools that surround the stove and ask us the usual questions. We felt good and we were watching the women cooking outside. They also have beds outside where some sleep and others wait. About 30 trucks are waiting for work in a barren wasteland, like everything else. Do you expect the husbands to come back and rebuild the totally decaying houses they live in?

The ruins are in peace like everything else. And in this peace I see the beauty of the old buildings, the beauty of the women relaxed in their lids, the independent children playing in the street. There are almost empty esplanades and open-air cinema at night, projected on a white-painted wall of one of the buildings chewed by time and spit on by war. Here one lives among debris and without channeled water.

It is evident that Massawa was once a busy port, a bygone city with several hotels, banks, freight forwarders, commerce, space. You see that there was wealth, what happened to you? There is no doubt that it is dying and that it will forget centuries of history. Inside the port of Massawa we visit the remains of the first mosque in the world, aged more than 1500 years! And outside we saw another of the XI century and another of the XVI century desolate in the hot winds and the fine sands.

The 2G internet is even worse than usual since lightning strikes the antenna. We went to another village to try to communicate with our world, but we did not have better luck. After so many days at sea, full of desire to talk to our family and friends, we had to settle for a few exchanges of messages, some heart-breaking and us with no possibility to respond … There will be time. Now we are on our way, we have a biblical sea to ascend towards Europe, home and we take with us another reality of this incredible blue planet!


Dopo 22 giorni di mare siamo arrivati ​​a Massaua, in Eritrea, un posto perso nel tempo, un villaggio di imponenti edifici distrutti da 35 anni di guerra e abbandonati dall’estrema povertà. Durante il giorno il villaggio è deserto, è di 40 gradi, i servizi funzionano solo dalle 7:00 alle 11:00 e i negozi, i caffè e il mercato riaprono dopo le 17:00. Anche così, alla fine della giornata non si vede molta gente, raramente c’è una macchina o un autobus, e noi chiediamo informazioni sulle persone. Un più impavido risponde che sono intrappolati – Perché? Non c’è libertà di espressione, hanno paura di parlare … Non c’è lavoro, dicono che non c’è cemento, sopravvivono lentamente …

Ma c’è qualcosa di residualmente poetico su così tanta distruzione combinato con la passività e il sorriso facile della popolazione. È una normalità crudele e surreale … le persone gentili e generosa che ci invitano prontamente a prendere un caffè caldo tradizionale in una piccola stufa situata sulla porta di casa, ci viene detto di sederci sugli sgabelli che circondano la stufa e chiederci le solite domande. Ci siamo sentiti bene e stavamo guardando le donne cucinare fuori. Hanno anche letti fuori dove alcuni dormono e altri aspettano. Circa 30 camion sono in attesa di lavoro in un deserto arido, come tutto il resto. Ti aspetti che i mariti tornino e ricostruiscano le case in rovina in cui vivono?

Le rovine sono in pace come tutto il resto. E in questa pace vedo la bellezza dei vecchi edifici, la bellezza delle donne rilassate nei loro coperchi, i bambini indipendenti che giocano per strada. Ci sono spianate quasi vuote e cinema all’aperto di notte, proiettati su un muro dipinto di bianco di uno degli edifici masticati dal tempo e sputati dalla guerra. Qui si vive tra i detriti e senza acqua incanalata.

È evidente che Massawa era una volta un porto occupato, una città passata con diversi alberghi, banche, spedizionieri, commercio, spazio. Vedi che c’era ricchezza, cosa ti è successo? Non c’è dubbio che sta morendo e che dimenticherà secoli di storia. All’interno del porto di Massawa visitiamo i resti della prima moschea del mondo, invecchiata più di 1500 anni! E fuori abbiamo visto un altro dell’XI secolo e un altro del XVI secolo desolato dai venti caldi e dalle sabbie fini.

L’Internet 2G è anche peggiore del solito da quando il fulmine colpisce l’antenna. Siamo andati in un altro villaggio per cercare di comunicare con il nostro mondo, ma non abbiamo avuto fortuna migliore. Dopo tanti giorni in mare, pieni di voglia di parlare con la nostra famiglia e gli amici, abbiamo dovuto accontentarci di qualche scambio di messaggi, di qualche spaccone e noi senza possibilità di rispondere … Ci sarà tempo. Ora siamo sulla buona strada, abbiamo un mare biblico per ascendere verso l’Europa, a casa e portiamo con noi un’altra realtà di questo incredibile pianeta blu!

4 Comments on “48 horas em Massawa, Eritreia

  1. O que ouve é uma gota de água da realidade vivida nestes países mergulhados em anos de guerras. Continuação de boa viagem que os bons ventos os acompanhem até casa. Um abraço para toda a tripulação.

  2. Mais uma narrativa maravilhosa de mais uma etapa da vossa grande aventura. Obrigada por nos permitires “ver” os locais por onde passais. Bons ventos. Beijinhos

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