Dicas para a organização de uma viagem marítima!

Temos sido contatados por algumas famílias de ambição igual à nossa, viverem livres e educarem os filhos a viajar, literalmente ao sabor do vento! Ficamos felizes quando surge mais uma com pelo menos a sementinha a germinar. E porque achamos que é uma pena ver portugueses e brasileiros de costas voltadas para o mar, porque sabemos que é mais seguro, mais fácil e mais barato do que as pessoas pensam, e porque nos parece que não é um sonho raro, postamos aqui algumas dicas úteis para quem planeia uma aventura marítima! 😉 Claro que não queremos enganar ninguém e por isso salientamos – é uma vida de trabalho e com muitos momentos difíceis!! – Mas isto é comum à vida de terra, nós é que já estamos adaptados. E se calhar demais!…

Bem, começamos pela escolha do barco, para nós foram três anos de muita pesquisa em sites como o http://www.yachtworld.co.uk/ e o Cosas de Barcos. Eu digo mesmo que o Armindo fez um doutoramento na área, a julgar pelas horas que passou em frente ao computador nesta pesquisa!!! Mas é necessário, pois é uma decisão muito importante e o maior investimento de um projeto como este. Os barcos são caros e os catamarãs bem mais dispendiosos do que os monoscascos, mas também mais espaçosos, luminosos, arejados e estáveis! Há muitos fatores a considerar, a idade do barco, a resistência, o número de horas dos motores, os extras, etc..

A segunda fase é a adaptação do barco para a autonomia, uma fase que também implica muito estudo e possivelmente, o segundo maior investimento financeiro de toda a viagem. Painéis solares, eólicas, baterias, aumento dos depósitos de gasóleo e de água, revisão total dos motores, construção de um sistema de recolha de água da chuva ou ponderar a aquisição de um dessalinizador, aquisição de uma arca congeladora e de uma mega-farmácia! Também é importante não esquecer a compra de peças suplentes, já que demoram a chegar e são sempre necessárias, ferramentas e alternativas ao dinghy, que se pode perder, danificar ou ser roubado. Uma canoa ou padles são boas ideias e trazem muita diversão para quem vive no meio aquático.

E o orçamento? Não há valores padrão, é como perguntar a dez famílias diferentes que morem em terra quanto gastam em média, as dez terão valores bem diferentes, não é? Nós, e outros velejadores com quem temos falado, no mar gastamos bem menos do que gastávamos em terra, isso é assente. Já não pagamos escolas, ginásios, atividades extra-escolares, água, luz, net, concertos, roupa, empregada e aqueles extras de quem está mais exposto ao marketing. Até a despesa de supermercado é menor porque na maior parte do mundo não existe a oferta a que estamos habituados. Há sítios onde a conta de supermercado é maior, mas noutros é menor por isso anda ela por ela. Claro que o nosso de viajar é um modo poupado, com tanta coisa espectacular gratuita para fazer não andamos a pagar excursões, alugar carros (andaadapmos à boleia, ou de transportes públicos), não frequentamos marinas e lavamos muita roupa à mão porque a lavandaria ás vezes sai cara. E pescamos muito! Se também o fizerem contem com peixe fresco gratuito em todo o mundo! Há uma despesa com a qual as gentes de mar têm de contar, os vistos e papeladas de entrada em alguns países. Na maioria dos países os procedimentos são simples e acessíveis, mas noutros são o oposto, como no Ecoador, Colômbia, Indonésia e Índia.

A parte bancária… Sugerimos que se levem euros e dólares em “dinheiro vivo” pois são moedas aceites em quase todo o mundo e assim evitam-se as taxas, além de permitirem o estar-se sempre prevenido. Uma dica que muito nos agradou foi a do cartão de crédito REVOLUT, que permite fazer pagamentos na moeda do país em que se está, evitando mais uma vez as mafarricas taxas. Este cartão também permite a consulta na hora e o bloqueio e desbloqueio imediato do cartão através de uma aplicação no telemóvel.

Os seguros… Os seguros de barcos e de viagem são um abuso, pediram-nos 6000€ por ano!… dissemos que não e fizemos um seguro de um mês, até sair da Europa, depois não o renovamos mais. Viajamos sem seguro e em lado nenhum nos pedem algo a ver com isto. Só quando voltarmos à Europa é que teremos de voltar a fazer outro. Se acontecer algo, acarretaremos com as consequências. Embora quase todos os yachts que conhecemos andem assim não vos aconselho a fazer o mesmo, claro!!

Ensino Doméstico – Felizmente cada vez mais divulgado em Portugal, não é um bicho de setes cabeças, um email à Direção Regional de Educação a solicitar instruções deve bastar para se saber como faz. E a viajar, seguramente que as vossas crianças não terão falta de estímulos 😉

Internet e telefone por satélite – Por acharmos caro não temos internet a bordo, só quando vamos a terra é que comunicamos e ficamos contactáveis. Mas sabemos que existe o Iridium go que disponibiliza net (fraca) por 150€/mês, além de permitir fazer chamadas no meio do mar. Dentro das comunicações, nós usamos o SPOT, um pequeno aparelho com 2 importantes botões, um que envia a nossa localização para um link que pode ser consultado por quem quisermos (e que vai construindo a nossa rota num mapa virtual) e outro, só para ser accionado em caso de emergência/risco de vida e que garante o resgate em qualquer parte do mundo! A localização de um barco também pode ser consultada no site marinetraffic.com, através do nome do barco. Este último método nem sempre funciona e principalmente na travessias oceânicas…

Cartas marítimas – Nós usamos principalmente as cartas da Navionics num Ipad, e compramo-las à medida que vamos precisando para não sobrecarregar o aparelho. Salientamos que fica mais barata a versão para smartphones e tablets do que a versão para barcos!!… E porque o plano B nestes casos é essencial também usamos as cartas do Open CPN no nosso computador. É um programa que se encontra facilmente na internet, gratuito, um pouco menos intuitivo, mas é como tudo, com exploração e prática chega-se lá! 😊

O que levar? Nesta área acreditem que vão precisar de muito menos do que imaginam! No mar além de se usar pouca roupa, deixa de existir aquela necessidade de variar. E se levarem roupa a mais, além de ser um peso desnecessário estraga-se e ganha mofo!! Aquilo que se usa mais são fatos de banho, t-shirts, calções e chinelos de praia e por isso só estes itens valem a pena ter em alguma quantidade. Saliento que são fáceis de comprar em todo o mundo, por isso não é necessário partir com tudo o que acham que vão necessitar! Quanto a material de cozinha, o mínimo também chega, graças ao fenómeno da seleção natural da culinária mais complicada! Livros são os nossos melhores amigos, mas também pesam, nós já nos adaptamos aos e-books. Música, filmes e guias é algo que se vai trocando com as gentes dos outros barcos 😉

Mais alguma questão? 😊

Estas informações são totalmente fruto da nossa experiência e se vos forem úteis partilhem, pois pode ser que sejam úteis a mais alguém! E se tiverem mais dicas pertinentes partilhem-nas nos comentários, ficamos todos a saber!! Obrigada!

 

 

7 Comments on “Dicas para a organização de uma viagem marítima!

    • obrigada Andreia! A meteorologia consultamos quando temos internet no Windity.

  1. Muito bem escrito e informativo! Obrigado pelas dicas. Quem sabe um dia terei a coragem de fazer um viagem dessas tambem.

  2. Existe um livro de autor , Jimmy Cornell “World Cruising Routes” guia para volta ao mundo cor centenas de rotas para quem quer circunavegar o planeta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *