UBUD, a capital cultural de Bali

Bali é uma ilha surpreendente e quanto mais a conhecemos, mais maravilhados ficamos!

Decidimos passar boa parte da temporada natalícia em Ubud, no interior da ilha. Embora também aqui seja inverno, o termómetro não baixa dos 26 graus e a diferença para o verão está na temperatura e na quantidade de chuva – chove quase diariamente, por pouco tempo. Aqui, somos nós os “nórdicos”, enquanto eles usam camisas de manga comprida e vestem casacos, nós queremos piscina!! Elas estranham e comentam que os meus filhos têm um sistema imunitário forte por ficarem tanto tempo na água com “aquele tempo”, mas para nós isto é verão e há que aproveitar a piscina 😉

Historicamente, está documentado em registos de folha de palmeira que a vila de Ubud, remonta ao séc. VIII, aquando da vinda de um homem Santo, indiano, Rsi Markandeya, que numa viagem espiritual chegou a Bali e nas redondezas desta vila encontrou águas e plantas especiais que o levaram a escolher este local para edificar templos e passar os ensinamentos do Hinduísmo.

Markandeya trouxe também o sistema de irrigação dos arrozais, ainda hoje usado e reconhecido como paisagem cultural e património mundial pela UNESCO. Um sistema de irrigação tradicional que é também uma manifestação da inspiradora filosofia Tri Hita Karana, uma das filosofias do Hinduísmo que se traduz em “Três maneiras de atingir o bem-estar físico e espiritual”. A essência desta doutrina passa por conseguir uma relação de harmonia em três vertentes: harmonia entre os seres humanos, dos seres humanos com o ambiente e destes com o Deus supremo.

Além da beleza, estes arrozais foram considerados património mundial por serem “um sistema democrático e igualitário de prática de cultivo criado pelos balineses a fim de tornar mais prolífico o cultivo de arroz no arquipélago desafiando a grande densidade populacional da região”, salientando-se a importância da preservação de uma técnica ecologicamente sustentável.

Séculos mais tarde, com a desintegração do grande reinado de Majapahit, assistiu-se ao êxodo massivo de nobres de Java para Bali, que aqui se estabeleceram e ergueram grandes palácios. Consigo trouxeram um legado artístico riquíssimo, sob a forma de dança, música, teatro, pintura, literatura, escultura, etc. É curioso que em balinês não existe uma palavra específica para arte ou artista, tal maneira esta forma de expressão está enraizada na cultura local, que preserva e sabe valorizar o seu património material e imaterial.

Em Ubud os espetáculos de dança e teatro são diários e a preços acessíveis (cerca de 7€/adulto e as crianças não pagam). Consolam-nos os olhos, os ouvidos e alma!! Nunca vi os nossos filhos tão atentos e tão interessados em repetir uma peça de teatro – nós adoramos especialmente a Legong Dance!!

 

  

Também gostamos muito do Sacred Monkey Forest Sanctuary, uma área florestal no coração de Ubud, igualmente conservada segundo o conceito Tri Hita Karana, e que proporciona a proteção de uma grande área verde, a preservação de três templos e o albergue de cerca de 600 macacos adaptados ao convívio com o Homem.

É uma sociedade fervorosamente hindu, com templos em todas as vilas, altares em cada esquina e oferendas aos Deuses em todas as portas!!  Templos, que são cuidadas obras de arte, abrem-se aos curiosos turistas e aos dedicados praticantes… 

Foi também em Ubud que começou o movimento artístico moderno de Bali, com a formação de cooperativas artísticas e a reunião de grandes coleções, expostas nos vários museus da vila. Uma vila invulgarmente recheada de artesãos que trabalham nas mais diversas áreas e temas e por isso este é o Local para quem aprecia Arte e Cultura. E é também o local onde dá vontade de perder a cabeça a abrir os cordões à bolsa! Além dos restaurantes, spas e resorts de bom gosto, as lojas, os mercados e as oficinas atraem e despertam a vontade de comprar!! Já há muito que contrariamos essa vontade por ideologia, mas em Ubud, com aqueles preços, custou-me, confesso!… Limitámo-nos a apreciar tais expressões humanas e só compramos dois gamelões, instrumentos musicais que nos fascinaram…

Focamo-nos em experienciar, fizemos um workshop de culinária balinesa, tomamos banho nas águas sagradas, visitámos templos e santuários com fartura. Os adultos escolheram a massagem balinesa e as crianças foram a um borboletário com mais de 200 espécies de borboletas vivas!!

 

  

A vista do bungalow que alugamos

O atencioso e muito sorridente staff do Dewangga Bungalow, onde ficamos!

Optámos por não comprar mais objetos, queremos reduzir o nosso consumo e sabemos que o planeta agradece 😉

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