SIM à licença sem vencimento para viajar!!

Acordo a meio da noite, olho à minha volta e ainda me surpreendo: vivo num barco!

Vivemos num barco e estamos a caminho de uma circum-navegação ao mundo, em família!  E como o sabor está no caminho, não sinto pressa em chegar, pelo menos para já. Nem agora, que atravesso o grande Atlântico, que sei que passarei mais de uma, senão duas dezenas de dias, no meio do mar, sem ver terra ou qualquer outra referência de civilização. Aqui, sozinhos, nunca vivemos tão juntos, tão em família, tão uns para os outros. Mas desde o início deste plano que sinto que esse é o grande desafio desta viagem. Vivermos tanto tempo uns com e para os outros. Viver constantemente o papel de mãe e de esposa. Ter abdicado, temporariamente, dos meus outros papeis, do de profissional, do de amiga, do de filha, do de cidadã anónima e autónoma, com que me deliciava a andar sozinha pela rua. Agora, raramente vou sozinha. Quase sempre levo mãozinhas pequeninas na minha mão. E adoro senti-las comigo, mesmo quando as saudades de andar sozinha me martelam o espírito. Agora, ando diariamente por ruas novas, sempre a descobrir sítios nunca vi e isso põe-me ao nível daquelas deliciosas mãozinhas. Ando como eles, sempre em observação, em adaptação, a aprender.  Agora, tal como eles, não sabemos bem para onde vamos e o que nos vai acontecer a seguir. E aceitamos com agrado, o que o mundo, a vida, nos está a oferecer. Sinto que agora, esta vida, me põe em consonância com os meus filhos. A viajar, fico mais ao nível do seu fabuloso olhar sobre o mundo. E esse é, possivelmente, um dos maiores benefícios de viajar – voltar ao olhar de criança. Outro grande benefício é a aprendizagem fácil. A viajar aprende-se naturalmente, quase sem nos darmos conta. De repente, já estamos diferentes, já crescemos mais um pouco. Por isso, não compreendo bem a atual renitência de tantas entidades patronais em permitir licenças sem vencimento para viajar. Parece-me óbvio que um profissional que se retira uns meses para viajar está a investir em si, pessoal e profissionalmente, se é que isso se pode dividir. Uma pausa profissional para viajar é descobrir novos olhares e motivações, além de toda a atenuação, quiçá remissão, dos efeitos prejudicais do stress laboral sob a produtividade. Também, o dar oportunidade a outro profissional de nos substituir me parece poder trazer benefícios óbvios – o do olhar diferente sob tarefas tantas vezes já automatizadas, o da motivação óptima do profissional que se quer mostrar, a novidade para a equipa, os questionamentos. Nos países nórdicos é moda o “gap year”, por cá já se incentivam os jovens neste sentido (http://gapyear.pt/). Resta às entidades patronais, perceber, com bons exemplos, o quanto podem ganhar com o dar asas, rodas ou velas aos seus profissionais!

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2 Comments on “SIM à licença sem vencimento para viajar!!

  1. Tão verdade! Sair do casulo quebrar a casca cristalozadora que a rotina impõe. Redescobrir-nos testarmo-nos e se tudo feito em família que experiência única! Continuação de excelente viagem!

  2. Parabéns pela vossa coragem! Boa viagem, divirtam-se muito, e voltem bem/felizes à nossa terra é o nosso desejo.
    Profs da Roberto Ivens: Nanda e Adriano

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