Soubemos de um português, em Lisboa, que se está a organizar para como nós se lançar na aventura de uma circum-navegação. Um amigo em comum perguntou-nos se podíamos partilhar a nossa experiência, ao que respondemos afirmativamente com o imediato conselho de que o faça num mínimo de três anos e não em dois como nós. Porque essa, foi uma dura descoberta! Sentimos frequentemente que estamos a fazer uma viagem apressada ao invés de uma viagem que devia estar a ser saboreada. Mesmo sabendo que nunca iríamos explorar todos os lugares por onde passássemos é com pesar que deixamos a maioria dos locais e suas gentes. E falamos em três anos, também, porque os dois anos nos estão a obrigar a navegar em condições desfavoráveis. Como agora, que subimos a Indonésia contra ventos e correntes para conseguirmos apanhar a época favorável mais à frente. E nestas alturas recordamos o nosso amigo Ângelo Felgueiras, que pergunta como é que se come um elefante e depois responde que é às fatias! Às vezes assustamos-nos quando vemos o tamanho do elefante, mas seguimos em frente, e fatia a fatia avançamos até alcançar o objetivo. Temos tido dias de apenas percorrermos uma dúzia de milhas, noutros as bóias, as redes e os próprios barcos dos pescadores, por vezes sem luz, obrigam-nos a recolher e ancorar ao final do dia, e já aconteceu termos de voltar para trás, tais eram as condições meteorológicas adversas. Chuvas, vento e falta de visibilidade têm pautado os nossos dias desde que saímos de Bali. E nós angustiamos, mas não desistimos, num dia a fatia é bem fininha, no outro será maior!!

Percebemos também, que em dois anos, não será possível fazermos a rota que inicialmente planeámos. Já não temos tempo para ir a Madagáscar, Moçambique, contornar África do Sul e navegar até ao Brasil como sonhámos, e a opção que nos resta é subir o Mar Vermelho, passar pelo canal de Suez e chegar à Europa pelo Mediterrâneo. Uma rota também interessante do ponto de vista turístico, mas bem mais arriscada do ponto de vista da navegação. Teremos de atravessar o Golfo de Áden, conhecido pelos ataques piratas. Teremos de contornar a Somália e evitar os mal-afamados Somalis… E foi nessa fase, de grande preocupação, que recebemos o apoio de uma entidade governamental – a Marinha Portuguesa escreveu-nos a disponibilizar-se para nos acompanhar nesta delicada travessia. Saiu-nos a sorte grande, recuperamos a confiança e agora miramos o futuro com mais tranquilidade. É interessante pensar que viemos para o mar porque ambicionávamos uma vida com mais aventura, sem rotina e ao sabor do vento, mas agora que a conquistamos, estamos a dar valor à tranquilidade, à estabilidade e à previsibilidade! E não é esta a nossa natureza? Querer o que não temos? Mais uma vez nos confrontamos com a necessidade de valorizar o que já temos, o que fazemos e com quem estamos. E que se calhar, já temos o que realmente importa. Ou que no mínimo, estamos a trilhar o caminho que pedimos! 😉

(Publicado no Jornal Açoriano Oriental a 18.2.2018)

Temos sido contatados por algumas famílias de ambição igual à nossa, viverem livres e educarem os filhos a viajar, literalmente ao sabor do vento! Ficamos felizes quando surge mais uma com pelo menos a sementinha a germinar. E porque achamos que é uma pena ver portugueses e brasileiros de costas voltadas para o mar, porque sabemos que é mais seguro, mais fácil e mais barato do que as pessoas pensam, e porque nos parece que não é um sonho raro, postamos aqui algumas dicas úteis para quem planeia uma aventura marítima! 😉 Claro que não queremos enganar ninguém e por isso salientamos – é uma vida de trabalho e com muitos momentos difíceis!! – Mas isto é comum à vida de terra, nós é que já estamos adaptados. E se calhar demais!…

Bem, começamos pela escolha do barco, para nós foram três anos de muita pesquisa em sites como o http://www.yachtworld.co.uk/ e o Cosas de Barcos. Eu digo mesmo que o Armindo fez um doutoramento na área, a julgar pelas horas que passou em frente ao computador nesta pesquisa!!! Mas é necessário, pois é uma decisão muito importante e o maior investimento de um projeto como este. Os barcos são caros e os catamarãs bem mais dispendiosos do que os monoscascos, mas também mais espaçosos, luminosos, arejados e estáveis! Há muitos fatores a considerar, a idade do barco, a resistência, o número de horas dos motores, os extras, etc..

A segunda fase é a adaptação do barco para a autonomia, uma fase que também implica muito estudo e possivelmente, o segundo maior investimento financeiro de toda a viagem. Painéis solares, eólicas, baterias, aumento dos depósitos de gasóleo e de água, revisão total dos motores, construção de um sistema de recolha de água da chuva ou ponderar a aquisição de um dessalinizador, aquisição de uma arca congeladora e de uma mega-farmácia! Também é importante não esquecer a compra de peças suplentes, já que demoram a chegar e são sempre necessárias, ferramentas e alternativas ao dinghy, que se pode perder, danificar ou ser roubado. Uma canoa ou padles são boas ideias e trazem muita diversão para quem vive no meio aquático.

E o orçamento? Não há valores padrão, é como perguntar a dez famílias diferentes que morem em terra quanto gastam em média, as dez terão valores bem diferentes, não é? Nós, e outros velejadores com quem temos falado, no mar gastamos bem menos do que gastávamos em terra, isso é assente. Já não pagamos escolas, ginásios, atividades extra-escolares, água, luz, net, concertos, roupa, empregada e aqueles extras de quem está mais exposto ao marketing. Até a despesa de supermercado é menor porque na maior parte do mundo não existe a oferta a que estamos habituados. Há sítios onde a conta de supermercado é maior, mas noutros é menor por isso anda ela por ela. Claro que o nosso de viajar é um modo poupado, com tanta coisa espectacular gratuita para fazer não andamos a pagar excursões, alugar carros (andaadapmos à boleia, ou de transportes públicos), não frequentamos marinas e lavamos muita roupa à mão porque a lavandaria ás vezes sai cara. E pescamos muito! Se também o fizerem contem com peixe fresco gratuito em todo o mundo! Há uma despesa com a qual as gentes de mar têm de contar, os vistos e papeladas de entrada em alguns países. Na maioria dos países os procedimentos são simples e acessíveis, mas noutros são o oposto, como no Ecoador, Colômbia, Indonésia e Índia.

A parte bancária… Sugerimos que se levem euros e dólares em “dinheiro vivo” pois são moedas aceites em quase todo o mundo e assim evitam-se as taxas, além de permitirem o estar-se sempre prevenido. Uma dica que muito nos agradou foi a do cartão de crédito REVOLUT, que permite fazer pagamentos na moeda do país em que se está, evitando mais uma vez as mafarricas taxas. Este cartão também permite a consulta na hora e o bloqueio e desbloqueio imediato do cartão através de uma aplicação no telemóvel.

Os seguros… Os seguros de barcos e de viagem são um abuso, pediram-nos 6000€ por ano!… dissemos que não e fizemos um seguro de um mês, até sair da Europa, depois não o renovamos mais. Viajamos sem seguro e em lado nenhum nos pedem algo a ver com isto. Só quando voltarmos à Europa é que teremos de voltar a fazer outro. Se acontecer algo, acarretaremos com as consequências. Embora quase todos os yachts que conhecemos andem assim não vos aconselho a fazer o mesmo, claro!!

Ensino Doméstico – Felizmente cada vez mais divulgado em Portugal, não é um bicho de setes cabeças, um email à Direção Regional de Educação a solicitar instruções deve bastar para se saber como faz. E a viajar, seguramente que as vossas crianças não terão falta de estímulos 😉

Internet e telefone por satélite – Por acharmos caro não temos internet a bordo, só quando vamos a terra é que comunicamos e ficamos contactáveis. Mas sabemos que existe o Iridium go que disponibiliza net (fraca) por 150€/mês, além de permitir fazer chamadas no meio do mar. Dentro das comunicações, nós usamos o SPOT, um pequeno aparelho com 2 importantes botões, um que envia a nossa localização para um link que pode ser consultado por quem quisermos (e que vai construindo a nossa rota num mapa virtual) e outro, só para ser accionado em caso de emergência/risco de vida e que garante o resgate em qualquer parte do mundo! A localização de um barco também pode ser consultada no site marinetraffic.com, através do nome do barco. Este último método nem sempre funciona e principalmente na travessias oceânicas…

Cartas marítimas – Nós usamos principalmente as cartas da Navionics num Ipad, e compramo-las à medida que vamos precisando para não sobrecarregar o aparelho. Salientamos que fica mais barata a versão para smartphones e tablets do que a versão para barcos!!… E porque o plano B nestes casos é essencial também usamos as cartas do Open CPN no nosso computador. É um programa que se encontra facilmente na internet, gratuito, um pouco menos intuitivo, mas é como tudo, com exploração e prática chega-se lá! 😊

O que levar? Nesta área acreditem que vão precisar de muito menos do que imaginam! No mar além de se usar pouca roupa, deixa de existir aquela necessidade de variar. E se levarem roupa a mais, além de ser um peso desnecessário estraga-se e ganha mofo!! Aquilo que se usa mais são fatos de banho, t-shirts, calções e chinelos de praia e por isso só estes itens valem a pena ter em alguma quantidade. Saliento que são fáceis de comprar em todo o mundo, por isso não é necessário partir com tudo o que acham que vão necessitar! Quanto a material de cozinha, o mínimo também chega, graças ao fenómeno da seleção natural da culinária mais complicada! Livros são os nossos melhores amigos, mas também pesam, nós já nos adaptamos aos e-books. Música, filmes e guias é algo que se vai trocando com as gentes dos outros barcos 😉

Mais alguma questão? 😊

Estas informações são totalmente fruto da nossa experiência e se vos forem úteis partilhem, pois pode ser que sejam úteis a mais alguém! E se tiverem mais dicas pertinentes partilhem-nas nos comentários, ficamos todos a saber!! Obrigada!

 

 

A necessidade desenvolve o engenho e com certeza não foi coincidência que a Green School tenha nascido em Bali. Esta ilha da Indonésia é o perfeito e mais triste exemplo do que a sobrexploração turística faz a uma ilha paradisíaca… O mar é o mais poluído que já vimos nesta meia volta ao mundo e em terra, parece que os “homens do lixo” estão de greve há anos!…

À primeira vista Bali encanta, as praias ao longe são lindas, o verde vinga em qualquer cm2, o misticismo do hinduísmo e a incrível oferta turística quase nos cegam. Mas por muito que o entusiamo iluda sente-se a poluição do ar, vive-se o trânsito diariamente caótico, vê-se o lixo pelas ruas e cheira-se a podridão do mar…. Já são 40 anos de turismo desenfreado e o processo deve ter sido tal maneira gradual que os habitantes parecem conformados com o que lhes resta e continuam a pedir mais turistas… Não estão informados de que as suas maiores riquezas lhes foram roubadas – a paz e a saúde!…

 

Li um artigo científico de que não há um exemplo de uma localidade que depois de explorada turisticamente tenha ficado melhor e, no entanto, essa é a aposta de Portugal e dos Açores… dizem que é o Nosso destino!! Medo, agora, dá-me medo… Também aqui gritam Sustentabilidade, Ecologia e Biodegradável aos sete ventos… E também aqui o dinheiro está acima de tudo isso…

Mas nem tudo é mau e a esperança acende velas novas todos os dias. Foi em Bali que surgiu a Green School em 2008, uma escola toda feita em bamboo no meio da selva, onde a Ecologia, o Biodegradável e a Sustentabilidade se juntam à Empatia, Confiança, Responsabilidade, Integridade, Equidade e Paz para erguerem os seus pilares. Uma escola sem paredes que está a educar cerca de 400 crianças de 31 nacionalidades para serem pensadores e atores na proteção e preservação ambiental deste nosso planeta. Falam de educação holística, empreendedorismo social e aprendem por projetos. Vimos alguns, uma estufa-laboratório de hidropónica que aproveita a água de uns velhos lagos de peixes para cultivar legumes, todo desenvolvido por alunos, o autocarro escolar que anda com o óleo da cozinha (transformado em biofuel, que por sua vez depois de usado se transforma em glicerina e com a qual fazem sabonetes e detergentes que usam na escola), a estação de divisão do lixo e a zona de compostagem, também geridas por estudantes. À entrada têm uma loja aberta ao público de venda de roupas e artigos em segunda mão, para salientar a prioridade da reutilização e suprir necessidades da comunidade. Sim, também têm preocupações e projetos comunitários, qualquer um pode ir à escola abastecer de água potável, filtrada pela escola, disponibilizam aulas de inglês quase-gratuitas (em troca de meia dúzia de kg de lixo recolhido na comunidade, para sensibilizar) e as crianças locais podem recorrer a bolsas de estudo, financiadas por mecenas e pelas visitas dos turistas à escola.

 

E muitos outros projetos ambientais lutam diariamente nesta ilha para fazer frente à corrente. Mas nenhum arquitetonicamente tão bonito 😉

Viver no mar é acordar às 4 da manhã para fechar as escotilhas porque está a chover, ver que se está quase em cima de outro barco, levantar âncora debaixo de chuva e ventania, ancorar, ver o barco a descair e ter de levantar âncora para fundear novamente. É constantemente cuidar do barco como se fosse um filho pequeno. É passar a noite a fugir de nuvens negras e desligar a eletrónica por causa dos relâmpagos. É sentir a brisa do amanhecer e adorar o mar. É ficar feliz quando se diz – Terra à vista!!

Faz um ano que partimos de Ponta Delgada para uma grande viagem de dois anos e vamos exatamente a meio da nossa circum-navegação. Já vibramos a cruzar as linhas mestras – a linha do equador e o meridiano 180, que é onde se estreia o novo dia. E já nos adaptamos a esta ondulante forma de estar.

Temos visto ilhas e países incríveis, uns mais ricos em Natureza, outros em Cultura, todos nas suas gentes. Passado por lugares onde os homens usam saia e colares ao peito, onde as galinhas são animais vadios, onde se vive em paz sem eletricidade e água canalizada, onde o único meio de transporte é a piroga. Temos comido citrinos do tamanho de meloas, melancias cor de laranja, puré de fruta-pão com leite de coco e frutas a saber a rosas. Mas um dos melhores momentos que vivemos foi quando encontramos uma outra família portuguesa a velejar pelo mundo. Convivermos uma semana e ficarmos amigos para a vida. Porque a felicidade está nas relações. As paisagens encantam, os novos sabores deslumbram, mas na minha opinião, a nossa maior riqueza está em nos ligarmos a alguém e nos mantermos ligados àqueles que mais gostamos.

Temos velejado muito para deixar o Grande Pacífico, que nem sempre fez feito jus ao nome. Palmilhamos cerca de 5000 milhas náuticas em 40 dias para fugirmos da zona e da época dos furacões. Em breve, entraremos no Oceano Indico e o nosso primeiro porto será Timor Leste, um país que há muito desejo conhecer. Um dos mais jovens países do mundo, quer a nível de população, quer ao nível da constituição do país. Um povo com uma peculiar mistura cultural e quatro línguas oficiais, sendo o português uma delas. Um povo resiliente. Como nós, que apesar de vivermos momentos tão difíceis, queremos continuar nesta aventura. Escolhemos olhar para o lado bom e sentimos-nos privilegiados. Estamos a aproveitar intensamente a infância dos nossos filhos, a proporcionar-lhes experiências únicas, temos um estilo de vida saudável, reduzimos drasticamente a nossa pegada ecológica, estamos a conhecer as maravilhas de tantos países e suas tão diferentes formas de estar. Saciamos a nossa sede de viver. E por isto tudo, queremos continuar!

(Publicado no Jornal Açoriano Oriental a 6/11/2017)

Ao fim de um ano a navegar pelos três maiores oceanos do nosso lindíssimo planeta voltamos a casa, não á nossa, mas à dos meus pais, ao meu ninho original. Viemos matar saudades!… Celebrar o 70º aniversário da avó 😊 e comprar velas, cabos e outras peças que necessitam ser substituídas, depois de tanto mar.

Os calorosos abraços, os olhinhos sorridentes e a emoção de voltar a casa são preciosos momentos, também fruto desta aventura. As perguntas são tantas e as respostas insuficientes para contar tudo o que temos visto e vivido. A maioria admira, mas afirma não se sentir capaz de enfrentar um oceano. Têm receio do imenso azul. De não terem nada para fazer? De se sentirem sós? Da meteorologia? Receio de não ver terra? Tento explicar que o horizonte liberta, o azul apazigua, a tecnologia tranquiliza e que no fim, há o brinde – chegar a novo lugar! Mas há mais do que esta gratificação de “longo prazo”, há ainda a gratificação imediata do velejar. E essa até há pouco tempo foi nova para mim, porque antes de iniciar esta viagem, eu era uma viajante de terra, que de barco, nunca tinha ido além Açores. Sem medo da inexperiência e com uma confiança total na capacidade do Armindo, fiz-me ao Atlântico e descobri mais dois amores, o mar e a vela!

Velejar é tirar partido da Natureza, respeitando-a. É sentir a adrenalina da velocidade e o prazer do lento deslizar. Entrar num barco e partir numa viagem, é dar literalmente asas à imaginação! Encanta-me a eficiência de um barco à vela, fruto de séculos de aperfeiçoamento e com tanto ainda por melhorar. Sim, porque a criatividade, também aqui é essencial – para enfrentar os diversos cenários possíveis e os mil problemas que desafiam quem escolhe este tipo de vida.

E agora sei que os benefícios da vela são tantos e que se estendem a miúdos e graúdos. Todos ganham com o aprender/melhorar a capacidade de trabalhar em equipa. A conexão com a Natureza e o desligar do mundo virtual é outra benesse óbvia. Mas velejar é também incentivar á exploração, à aventura, à ousadia e à coragem! E é ter oportunidade de crescer noutras tantas dimensões – na autonomia, na técnica, na confiança, na responsabilidade. Gostava de vos aliciar a experimentar uma aula de vela! Onde é que se fazem aulas de vela experimentais?!

Será que é possível trazer os portugueses de volta para o mar?😉

Está a fazer 1 ano que velejo pelo mundo com a minha família. E desde o início desta aventura que sei que o maior desafio que enfrentamos, é o relacional – conseguirmos conviver, em qualidade, tanto tempo, sempre juntos, num espaço confinado, num ambiente sempre em mudança. E porque a necessidade desenvolve o engenho, durante esta viagem tenho aprofundado o meu estudo sobre a Nonviolent Communication de Marshall Rosenberg – especialista mundial na mediação de conflitos – e partilho aqui, 7 pontos que nos têm ajudado e que vos poderão ajudar também 😊

1.Tudo o que as pessoas fazem está ao serviço das suas necessidades.

Não há bons nem maus, certos ou errados, apenas pessoas com necessidades diferentes.

2. Cada um deve ser responsável pelas suas ações e sentimentos.

É comum dizermos que estamos zangados ou tristes pelo que nos fizeram, responsabilizando os outros pelos nossos sentimentos, mas o princípio está errado. Imaginem que combinaram um encontro com um amigo e ele vos deixa uma hora à espera na esplanada. Podem sentir-se chateados porque tinham outras coisas para fazer e gostavam de rentabilizar melhor aquele tempo, ou poderão sentir-se bem porque estavam mesmo a precisar de um tempo sozinhos, tranquilos, ao sol. Portanto, não é o que os outros fazem que nos provoca os sentimentos, mas sim a forma como o interpretamos.

3. A forma como nos expressamos influência o modo como a mensagem é recebida pelo outro.

Criticar, julgar, comparar, generalizar só vai provocar resistências no outro, logo, funciona melhor se expressarmos os nossos sentimentos, assumindo a nossa responsabilidade por eles, e só depois, pedir alguma colaboração ou mudança – “Perante…. (um acontecimento concreto), eu sinto-me … (expressar o sentimento) porque eu preciso de … (expressar a necessidade) e por isso peço-te que … (fazer um pedido concreto)”

4. Se fizermos algo de mal, procuremos perceber que necessidade queríamos satisfazer com aquele comportamento, poderão haver outras maneiras de chegar lá.

O mesmo se aplica aos outros, mais importante do que julgar é compreender que por detrás do comportamento do outro está uma necessidade, que podemos ajudar a satisfazer.

5. Ao fazermos um pedido é fundamental verificar se não é uma “ordem camuflada”.

Estamos a dar opção ao outro de recusar? O outro fica em paz se nos disser que não? Porque só devemos satisfazer as necessidades dos outros por compaixão, nunca por medo, culpa ou vergonha.

6. Expressarmo-nos pela positiva resulta melhor para os dois lados!

Em vez de dizermos aos outros o que não queremos que eles façam, experimentemos dizer o que gostávamos que fizessem – orienta-os melhor. Em vez de dizer simplesmente que não, expressar que necessidade nossa, nos impede de dizer que sim – compreendem-nos melhor!

7. Agradecer não basta.

Expressar gratidão dizendo que necessidades nossas foram satisfeitas com aquela ação ajuda o outro a compreender-nos e tem muito mais impacto do que um simples, obrigada!

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Parece simples, mas não é!!… 😉